Bradesco BBI avança no controle de empresa listada na B3

O banco acertou a compra da fatia de 14,86% do Grupo Mover na Motiva.

Publicado em 29/07/2026 às 11:12h Publicado em 29/07/2026 às 11:12h por Marina Barbosa
Motiva atua em concessões de rodovias, trens, metrôs e aeroportos (Imagem: Shutterstock)
Motiva atua em concessões de rodovias, trens, metrôs e aeroportos (Imagem: Shutterstock)
O Bradesco BBI caminha para se tornar um dos principais acionistas da Motiva (MOTV3), a antiga CCR.
O banco de investimentos do Bradesco (BBDC4) fechou um acordo para comprar toda a participação do Grupo Mover na empresa.
É o equivalente a uma fatia de 14,86%, que coloca o Bradesco BBI direto no bloco de controle da Motiva.

Negócio bilionário

Antigo Camargo Corrêa, o Grupo Mover negocia a venda da sua participação na Motiva com o Bradesco BBI desde abril.
💲 O grupo vê o acordo como uma forma de quitar a dívida que mantém junto ao banco, assim, avançar no seu processo de recuperação judicial.
Considerando a atual cotação das ações da Motiva, o negócio deve movimentar cerca de R$ 4,4 bilhões. Isso porque o acordo envolve cerca de 300 milhões de ações ordinárias e o papel era negociado a R$ 14,61 no fechamento dessa terça-feira (28).
O papel caiu quase 11% desde o início das tratativas entre o Grupo Mover e o Bradesco BBI, tanto que, no início das negociações, a expectativa era de que a transação movimentasse cerca de R$ 5 bilhões.
As empresas, no entanto, não confirmaram o valor final da transação.

Os outros acionistas 

Além do Grupo Mover, Itaúsa (ITSA4), Votorantim e Soares Penedo integram o grupo de controle da Motiva.
🛣️ Esses acionistas tinham o direito de comprar as ações do Grupo Mover antes do Bradesco BBI. Porém, optaram por não exercer esse direito de preferência, abrindo caminho para que as empresas assinassem os documentos definitivos da transação nessa terça-feira (28).
A conclusão do negócio, porém, ainda depende do cumprimento de certas condições, como a aprovação das autoridades governamentais.
Enquanto isso, os demais acionistas da Motiva vão avaliando aportes em outros ativos de infraestrutura no país. A Itaúsa, por exemplo, avalia um investimento de até R$ 1,5 bilhão na Aegea Saneamento.

O que muda?

No mercado, a situação financeira do Mover era apontada com frequência como um fator de pressão sobre as ações da Motiva. Por isso, a saída do grupo da estrutura acionária da empresa foi bem recebida pelos analistas.
Na avaliação do BTG Pactual, o negócio marca o fim do envolvimento da Camargo Corrêa na Motiva. Logo, resolve uma pendência antiga de governança que persiste desde a era da CCR e representa um caso construtivo para a tese de investimento.
O Banco Safra reforçou que a transação elimina um fator conhecido de pressão sobre as ações, ao mesmo tempo em que preserva os direitos dos minoritários e não provoca grandes mudanças no controle da Motiva, já que o Bradesco BBI deve assumir o lugar do Grupo Mover no bloco de controle da empresa.
Contudo, há dúvidas sobre a permanência do Bradesco BBI no negócio, já que o banco de investimentos não tem grande atuação no setor de infraestrutura, sobretudo de concessões rodoviárias.
Para os analistas, o Bradesco BBI pode vender ao menos uma parte da sua nova aquisição para outro agente de mercado. O BTG Pactual diz, inclusive, que o banco deve atuar como um "intermediário" e não um investidor estratégico de longo prazo da Motiva.
"A troca de um acionista em recuperação judicial por um investidor financeiro transfere a atenção do mercado para a estratégia futura do Bradesco BBI e para a possível chegada de um investidor estratégico à estrutura de controle da empresa", reforçou o Safra.
O banco acredita, então, que "a definição sobre quem poderá assumir essa participação e em qual momento isso ocorrerá tende a ser mais relevante para a governança e para a percepção de valor da companhia no longo prazo".

MOTV3

MOTIVA SA
Cotação

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