Banco do Brasil (BBAS3) fecha contrato bilionário com os Correios; entenda

O BB vai pagar R$ 2,3 bilhões para os Correios entregarem suas correspondências por 5 anos.

Publicado em 08/07/2026 às 09:34h Publicado em 08/07/2026 às 09:34h por Marina Barbosa
Contrato prevê a entrega das correspondências dos BB (Imagem: Shutterstock)
Contrato prevê a entrega das correspondências dos BB (Imagem: Shutterstock)
O Banco do Brasil (BBAS3) fechou um contrato bilionário com os Correios, para garantir a entrega das suas correspondências e documentos.
💰 O contrato prevê a prestação de serviços postais convencionais e especiais para todas as unidades do banco, no Brasil e no exterior, e vale por cinco anos. Por isso, foi avaliado em R$ 2,3 bilhões.
O Banco do Brasil não consultou os valores cobrados por outras empresas antes de fechar com os Correios, sob o argumento de que a maior parte dos serviços de que precisa está sujeita ao monopólio postal da estatal.
"Não foi realizado procedimento de tomada de preços com terceiros em razão da inviabilidade de competição verificada no caso concreto", afirmou.
Pelos cálculos do BB, 97,84% das suas despesas postais se encaixam nessa condição e os Correios também oferecem melhores condições nos serviços restantes.
📩 Nesse caso, o argumento do banco é de que a estatal faz entregas em todo o país e pratica tarifas regulamentadas ou padronizadas, que não podem ser negociadas individualmente.
"Para os serviços não sujeitos ao monopólio, a ECT-Correios é a única organização com capilaridade, abrangência nacional e capacidade operacional suficientes para assegurar atendimento integrado, contínuo e padronizado em todo o território nacional, inclusive em localidades remotas e de difícil acesso", argumentou.
Na prática, o BB acredita que não existem outras empresas com capacidade equivalente para atender integralmente às suas necessidades postais.
Apesar disso, o Banco do Brasil diz que "adotou procedimentos para garantir a adequação da operação, incluindo análise técnica, avaliação jurídica e formalização contratual".

A crise dos Correios...

⚠️ O contrato com o Banco do Brasil foi firmado em um momento estratégico para os Correios, já que a estatal vem acumulando prejuízos há cerca de três anos.
Só em 2025, o rombo chegou a R$ 8,5 bilhões. O resultado foi pressionado pelo aumento das despesas com funcionários e precatórios, mas também pela perda de receitas, devido à redução no volume de cartas e à maior concorrência com empresas privadas de entregas.
Diante disso, os Correios anunciaram um amplo plano de reestruturação, que prevê a redução do quadro de pessoal, a venda de imóveis e a busca por novas fontes de receita. A estatal ainda tomou um empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos como o BB para tentar organizar as contas. 
Ainda assim, a expectativa é de um novo déficit em 2026. No primeiro trimestre, por exemplo, o prejuízo foi de R$ 3,1 bilhões.

...e do Banco do Brasil

🏦 O Banco do Brasil, por sua vez, também enfrenta um momento financeiro delicado. Afinal, o lucro da instituição diminuiu drasticamente depois que a inadimplência do agronegócio explodiu e exigiu o aumento das provisões bancárias.
Para tentar manter a liquidez nesse cenário, o BB vem tentando renegociar dívidas rurais e repactuou o pagamento da dívida que mantém junto ao Tesouro Nacional, adiando desembolsos de R$ 1,8 bilhão. A expectativa é de que essas medidas abram espaço para uma melhora dos resultados a partir do segundo semestre de 2026.

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