Após ataques de Milei, Brasil rebaixa relações com Argentina

Presidente argentino insultou Lula em duas ocasiões nas últimas semanas

Publicado em 05/08/2026 às 13:26h Publicado em 05/08/2026 às 13:26h por Wesley Santana
Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina na América do Sul (Imagem: Shutterstock)
Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina na América do Sul (Imagem: Shutterstock)

Nesta terça-feira, o governo brasileiro anunciou que está rebaixando o nível de relações diplomáticas que mantém com a Argentina. O Ministério das Relações Exteriores também informou que o embaixador brasileiro deve deixar o país vizinho nos próximos dias.

A decisão veio depois de falas do presidente Javier Milei, que atacou Lula ao menos duas vezes nas últimas semanas. A primeira foi durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, quando o líder argentino chamou o chefe brasileiro de “ladrão”.

Em outra oportunidade, na TV argentina, o chefe da Casa Rosada voltou a comentar sobre seu par brasileiro. Nesta ocasião, disse que Lula é “condenado”, “vigarista” e “corrupto”.

"O pior é que me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades. Eu não menti. Quando respondo com verdades, Lula se sente atacado? Ele é um vigarista e um ladrão. É um condenado. Saiu por meio de um recurso administrativo. Eu fui ao Brasil e não ataquei os brasileiros; falei em favor dos brasileiros. Falei sobre Lula, o corrupto, o condenado, e sobre o juiz Alexandre de Moraes, que negou a visita a Bolsonaro", disse. 

No princípio, a diplomacia brasileira preferiu manter distância do assunto, mas logo mudou de ideia. O chanceler Mauro Vieira classificou os ataques como sem precedentes na história das relações dos dois países vizinhos.

Argentina não deve retaliar

Apesar do movimento brasileiro, a diplomacia argentina não deve retaliar. “Do lado nosso, não vai ter nenhuma ação diplomática em resposta ao que o Brasil fizer”, afirmou o chanceler Pablo Quirno em entrevista nesta quarta (5). 

O país já havia criticado oficialmente a posição de Brasília, dizendo se tratar de questões ideológicas. O chancelaria ainda disse que, em atritos anteriores, Buenos Aires optou por não tratar declarações públicas como crises institucionais. 

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina na América do Sul, sendo responsável por grande parte das importações que o país vizinho faz. Em 2025, o fluxo comercial entre as duas nações foi de US$ 31 bilhões.