Acima de 100% do CDI: Onde a renda fixa pagou mais em 2026

Disparada dos juros compostos não se restringe ao Tesouro Direto e paga em cheio debêntures.

Publicado em 01/07/2026 às 17:29h Publicado em 01/07/2026 às 17:29h por Lucas Simões
Índices de referência calculados pela Anbima mostram quem venceu o CDI (Imagem: Shutterstock)
Índices de referência calculados pela Anbima mostram quem venceu o CDI (Imagem: Shutterstock)
Se até os investimentos disponíveis no Tesouro Direto, que nem são os mais rentáveis da praça por oferecerem maior segurança, já pagam por ora níveis recordes de juros compostos acima de IPCA+ 8% ao ano ou taxas fixas de 14,50% ao ano, não é de se admirar que uma parcela da renda fixa superou com folga o CDI no primeiro semestre de 2026.
Entre os índices de referência calculados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que funcionam como uma espécie de Ibovespa de títulos de renda fixa da mesma categoria, os números revelam que quem escolheu multiplicar o seu dinheiro com debêntures indexadas ao CDI ou títulos públicos pós-fixados, o famoso Tesouro Selic, superou o famigerado 100% do CDI.
No caso, o IDA-DI, composto só por títulos de renda fixa emitidos por empresas privadas que prometem juros compostos vinculados ao próprio CDI, teve valorização de +7,09% no primeiro semestre do ano. Ou seja, uma média de quase 1,20% ao mês.
O Tesouro Selic, bastante popular entre os investidores para a reserva de emergência ou acúmulo de caixa de oportunidade antes do lançamento recente do Tesouro Reserva, teve valorização de +6,95% através do índice de referência IMA-S, que considera uma carteira com títulos públicos pós-fixados de variados prazos de vencimento.
Por sua vez, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), o principal índice de referência da renda fixa brasileira, rendeu +6,90% nos seis primeiros meses do ano. Vale destacar que só o CDI ficou acima da valorização entregue pelo Ibovespa até aqui em 2026, a qual foi +6,76%.

Renda fixa não é tão fixa

Quem escolheu os investimentos indexados ao CDI está colhendo frutos melhores no curto prazo, todavia uma parcela significativa da renda fixa está sangrando no mesmo período, inclusive tratam-se de investimentos mais arrojados que costumam servir em estratégias de lucros com marcação a mercado.
Você já deve ter ouvido falar do IMA-B 5+, uma sopa de letrinhas do mercado financeiro que se refere apenas a uma carteira de títulos públicos unicamente indexados à inflação (Tesouro IPCA+) e que ainda tenham vencimento superior a cinco anos. Pois, tal índice de referência só performou +2,20% no primeiro semestre do ano, o equivalente a um CDB pagando apenas 31,90% do CDI
Não por acaso, o investidor observou ao longo do mês passado o Tesouro Renda+ 2065 disparar de uma remuneração mínima de IPCA+ 6,89% ao ano para um pico ao redor de IPCA+ 7,25% ao ano.
Embora novos aportes fiquem mais atrativos, o poupador já posicionado viu o seu patrimônio ser marcado negativamente na marcação a mercado. O impacto na carteira de investimentos beira -15% só em junho de 2026, quando o preço unitário despencou de R$ 204,25 no último dia para R$ 176,52 no fechamento do mês.

Debêntures incentivadas na berlinda

As chamadas debêntures incentivadas, que são totalmente isentas da cobrança de imposto de renda, dessa vez levaram a pior em 2026. O índice de referência IDA-IPCA Infraestrutura, composto só por dívidas corporativas atreladas à inflação, rendeu apenas +1,43% nos últimos seis meses.
Ou seja, com um desempenho equivalente a um CDB pagando apenas 20,70% do CDI, quem emprestou o seu dinheiro diretamente às empresas em tal modalidade de recebimento de juros, correndo muito mais risco e sequer coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), ficou na lanterna da renda fixa, conforme dados divulgados pela Anbima. 
As taxas dispararam, mas machucaram o patrimônio dos debenturistas. Para se ter uma ideia, a ferramenta do Investidor10 mostra que só as debêntures incentivadas emitidas pela CSN Mineração, uma empresa listada na bolsa de valores brasileira, pagam remuneração ao redor de IPCA+ 12,35% ao ano, com vencimento em 15 de abril de 2034.
Já o Tesouro IPCA+ 2035, que serve como referência para as debêntures atreladas à inflação, exibe juro real de 8,10% ao ano, um patamar elevadíssimo, mas ainda bem inferior aos títulos de dívida da CSN Mineração mencionados.
Tais debêntures incentivadas, cujo código de negociação é CSNAA5, foram lançadas ao mercado em abril de 2024, angariando à mineradora cerca de R$ 642,9 milhões emprestados pelos debenturistas. Na época, a remuneração oferecida era de IPCA+ 6,83% ao ano.
Ao invés de apresentar um preço unitário de R$ 1.126,27, atualizado neste início de julho de 2026, cada debênture incentivada da CSN Mineração ostenta um preço unitário indicativo na faixa de R$ 602,07. Logo, a disparada das taxas derrubou mais do que pela metade o patrimônio dos debenturistas que carregaram seus títulos até o momento.