7 segredos dos grandes investidores que você deve conhecer
Publicado em 24/12/2020
Se uma das empresas da sua carteira decidir sair da Bolsa, o primeiro passo é manter a calma. Isso pode acontecer com qualquer companhia de capital aberto, e o processo é regulado pela Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA), uma ferramenta que visa proteger os acionistas, especialmente os minoritários.
A OPA, ou Oferta Pública de Aquisição, é basicamente o oposto de um IPO. Ao invés de emitir novas ações para captar recursos, a empresa deseja recomprar seus papéis e reduzir ou eliminar o número de acionistas. Isso pode ocorrer em casos de fechamento de capital.
O processo de uma Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) é bem estruturado e segue um cronograma definido pelas normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Esse mecanismo visa proteger os acionistas, garantindo que todos sejam tratados de maneira justa e equitativa.
Nos últimos anos as OPAs no Brasil estão em alta, com mais operações em energia, telecomunicações e infraestrutura, puxadas por consolidações, interesse estrangeiro e ajustes regulatórios, aumentando a atenção de investidores para preço, governança e efeitos concorrenciais.
Tudo começa com a divulgação de um fato relevante, um anúncio público onde a empresa comunica ao mercado sua intenção de realizar uma OPA.
Isso pode acontecer por diferentes razões, como o desejo da empresa de fechar o capital ou a aquisição de uma participação controladora por um novo investidor. Esse anúncio marca o início formal do processo, sendo um ponto crucial para que o mercado se prepare para o que vem a seguir.
O fato relevante é amplamente divulgado, geralmente acompanhado de um comunicado com detalhes sobre a oferta, incluindo o preço proposto por ação e os motivos por trás da decisão.
Após a publicação do fato relevante, a empresa tem 30 dias para solicitar o registro da OPA junto à CVM.
Este pedido inclui todos os detalhes da oferta, como a quantidade de ações que a empresa pretende recomprar, o valor estimado e o cronograma previsto para a operação.
A CVM atua como reguladora e supervisora desse processo, garantindo que as regras sejam seguidas de forma transparente.
Uma etapa central é a avaliação independente das ações. A legislação exige que a empresa contrate uma consultoria especializada para realizar uma análise aprofundada do valor das ações.
Essa avaliação precisa ser imparcial e levar em consideração fatores como:
A precificação é um dos momentos mais críticos do processo. Para garantir que o preço oferecido é justo, a empresa proponente da OPA deve detalhar a metodologia utilizada na avaliação, que é submetida à CVM.
A CVM exige que o valor das ações seja justo e que todos os acionistas recebam tratamento igualitário. Além disso, para que a OPA seja considerada válida, pelo menos 90% dos acionistas devem aprovar o preço oferecido.
Caso essa meta não seja atingida, uma nova rodada de negociações pode ser necessária, e o preço pode ser ajustado.
Uma vez aprovado o preço, ocorre o leilão da OPA. Esse evento é realizado em um ambiente de mercado organizado, geralmente dentro de 30 a 45 dias após a divulgação do edital da oferta.
No leilão, os acionistas que decidiram aceitar a oferta podem vender suas ações pelo preço acordado.
Em casos recentes, como o da EDP Brasil, o leilão foi fundamental para que a empresa garantisse o controle quase total das suas ações, permitindo o fechamento de capital.
O leilão marca o encerramento do processo, onde a empresa proponente, ou o investidor que está adquirindo o controle, finaliza a recompra das ações.
No final, os acionistas que optaram por vender recebem o valor acordado, enquanto os que mantiveram suas ações se tornam acionistas de uma empresa de capital fechado, o que pode ter implicações de liquidez limitada no futuro.
As OPAs, têm um impacto significativo no mercado financeiro.
Para empresas como EDP Brasil, Engie e Copel, a decisão de realizar uma OPA pode ser vista como uma forma de reestruturação ou reestratégia de portfólio.
Quando uma empresa decide fechar seu capital reduz a liquidez no mercado, já que menos empresas ficam disponíveis para negociação na Bolsa.
Além disso, a saída de grandes empresas de setores essenciais, como o elétrico, pode influenciar o desempenho de índices de mercado, como o Ibovespa, que busca refletir o desempenho das principais companhias listadas.
Outro efeito direto é que, após o processo de OPA, muitos investidores optam por realocar seu capital, buscando outras empresas com potencial de crescimento ou que estejam em pontos de compra atrativos.
Portanto, para os investidores, uma OPA pode ser tanto uma oportunidade de realizar lucros quanto um momento de reflexão sobre a melhor estratégia para o futuro do portfólio.
💡Saiba mais: Como declarar seus investimentos no Imposto de Renda com o Investidor10
Mesmo com uma OPA em curso, você não é obrigado a vender suas ações. Contudo, ao recusar a oferta, você se tornará acionista de uma empresa de capital fechado.
Nesse cenário, a liquidez das ações é muito baixa, e a transparência da empresa tende a diminuir, já que ela não será mais obrigada a divulgar resultados ou seguir as regras de governança corporativa.
Portanto, a decisão de aceitar ou não a OPA depende do seu perfil de investidor. Se você prefere liquidez e acesso à informação, vender as ações pode ser a melhor escolha.
Se o seu foco for no longo prazo e você confia na gestão da empresa mesmo fora da Bolsa, manter as ações pode ser interessante.
OPAs (Ofertas Públicas de Aquisição) não são apenas uma forma de sair de uma empresa, mas também uma chance estratégica para quem quer reorganizar o portfólio.
Muitas vezes, uma OPA oferece um valor superior ao preço de mercado, o que pode ser uma boa oportunidade para capturar um lucro inesperado.
Esse é o momento para o investidor avaliar sua carteira e, ao invés de manter as ações de uma empresa que está fechando capital, rotacionar seus ativos para empresas com maior potencial de valorização.
Uma OPA pode representar o encerramento de um ciclo para determinada empresa na Bolsa, mas também abre espaço para que o investidor reavalie sua estratégia e tome decisões mais alinhadas aos seus objetivos.
Em momentos como esse, ter acesso a informações organizadas e ferramentas de acompanhamento faz diferença para analisar os impactos da operação, comparar alternativas e identificar novas oportunidades para realocação de capital.
No Investidor10, investidores contam com recursos que ajudam nesse processo, como o Gerenciador de Carteira, que centraliza a evolução patrimonial e a composição dos investimentos, os Rankings e Comparadores, que permitem avaliar outras empresas do mesmo setor, além das ferramentas de acompanhamento de dividendos e indicadores fundamentalistas.
Dessa forma, é possível acompanhar eventos corporativos relevantes, como uma OPA, com mais clareza e embasamento para tomar decisões sobre o futuro da carteira.
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