XP esquece Selic a 11,50% em 2027 e muda projeção para a mãe da bolsa de valores

Analistas da corretora agora estão muito mais cautelosos com o patamar de juros com a vitória de Lula 4.

Publicado em 06/11/2026 às 16:55h Publicado em 06/11/2026 às 16:55h por Lucas Simões
Taxa Selic não deve cair até o final de 2027, diz XP (Imagem: Shutterstock)
Taxa Selic não deve cair até o final de 2027, diz XP (Imagem: Shutterstock)
A XP Investimentos alterou drasticamente suas projeções para o cenário econômico brasileiro nos próximos anos, ao incorporar a chegada do quarto mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se saiu inesperadamente vitorioso do 2º turno das Eleições 2026.
Se antes, os analistas da corretora esperavam que a taxa básica de juros continuasse em ciclo de cortes, terminado 2027 no patamar de 11,50% ao ano, agora os mesmos especialistas abandonaram quaisquer cortes na taxa Selic, a qual deve permanecer em 13,75% ao ano até o final do próximo ano.
A XP também elevou a previsão para o IPCA de 2027 de 4,4% para 5,5%. Para 2026, a estimativa passou de 5,1% para 5,2%. Sobre o dólar, as projeções subiram de R$ 5,00 para R$ 5,30 no fim de 2026 e de R$ 5,30 para R$ 5,50 no encerramento de 2027.
O relatório macroeconômico mensal da XP mais recente atesta que "a taxa Selic ficará inalterada no horizonte de projeção, que, desta vez, é particularmente curto", diante piora das expectativas de inflação.
Historicamente, um ambiente de taxa básica de juros elevada por muito mais tempo retira o gatilho para valorizações abruptas das empresas listadas em bolsas de valores, dado o encarecimento do custo do dinheiro e das dívidas principalmente atreladas ao CDI+.
Na visão da XP, o Banco Central enfrenta uma combinação de choques externos e deterioração das perspectivas domésticas. Os custos de energia pressionados e os juros elevados nas economias avançadas se somam à alta das expectativas de inflação no Brasil, inclusive para prazos mais longos.
"Em relação ao curto prazo, os principais riscos ao mercado de capitais estão associados ao El Niño, às possíveis mudanças na jornada de trabalho, à reforma tributária e à defasagem dos preços dos combustíveis. Para o médio prazo, ganham peso as preocupações com a condução das contas públicas, que mantêm elevados os prêmios exigidos pelos investidore", enfatiza o relatório da XP.