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O cenário macroeconômico está bem diferente do que os principais analistas previram no começo deste ano. A guerra no Irã mudou quase todas as projeções para 2026, sobretudo no que se refere à inflação e à taxa de juros no Brasil e em outros países.
Por isso, em relatório publicado nesta segunda-feira (8), a XP Investimentos (XPBR31) recalibrou suas estimativas para o ano. Agora, o banco projeta apenas dois novos cortes na taxa básica de juros, hoje fixada em 14,5% ao ano.
Segundo o economista-chefe da XP, Caio Megale, a expectativa é de juros em patamares altos por mais tempo. E isso não só no Brasil, como nos EUA e em outras economias importantes que se veem afetadas pelo conflito, que coloca o preço do petróleo no centro das discussões.
No caso do Brasil, escreve o especialista, as eleições de outubro trazem um contorno ainda mais complexo. O pleito presidencial ainda indefinido deve pressionar ainda mais os preços, o que dificulta que os diretores do Copom (Comitê de Política Monetária) tomem decisões mais drásticas sobre o movimento da Selic.
"São não um, mas três importantes choques de custos globais afetando a inflação nos diversos países", disse Megale. "E a inflação tende a ser mais alta quanto mais expansionista for a política fiscal".
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Para ele, a Selic deve chegar ao fim do ano em 14% ao ano, o que evidencia dois cortes até dezembro. Ambos os ajustes seriam de 0,25 ponto percentual, um ritmo que o Banco Central trabalhou nas duas últimas reuniões.
Ele também revisou a inflação anual para 5,5%, muito acima do teto da meta do BC, que é de 4,5%, e do centro, que é de 3%. Há poucos meses, o banco falava em 5,3% ao ano, número que está longe de ser confirmado.
"O mercado até coloca na conta que eles [diretores do Copom] podem nem cortar na semana que vem", disse Megale. "A gente ainda acha que tem um corte, mas esse 14% também está sob risco", continua.
Já a expectativa para o câmbio permanece na casa de R$ 5, com recuo em relação à cotação recente, que chegou a R$ 5,20 por causa da falta de acordo para o fim da guerra no Irã, além de uma nova ameaça de Donald Trump por tarifas comerciais. “Apesar da maior incerteza política doméstica e da apreciação global do dólar, o real se beneficia das contas externas favoráveis”, conclui Megale.
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