Áudio com Vorcaro derruba confiança em Flávio para pior nível desde a pré-candidatura

O índice de confiança de Flávio Bolsonaro caiu para 13,6% após o áudio com Vorcaro, pior resultado entre todos os pré-candidatos.

Publicado em 14/05/2026 às 18:03h Publicado em 14/05/2026 às 18:03h por Matheus Silva
Os dados são de relatório da AP Exata Inteligência, obtido com exclusividade pelo Estadão (Imagem: Shutterstock)
Os dados são de relatório da AP Exata Inteligência, obtido com exclusividade pelo Estadão (Imagem: Shutterstock)
🚨 O áudio entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelado pelo Intercept Brasil na quarta-feira (13), causou impacto imediato nas redes sociais e derrubou os indicadores do pré-candidato à Presidência para os piores níveis desde o início de sua campanha. 
Os dados são de relatório da AP Exata Inteligência, obtido com exclusividade pelo Estadão.
Nesta quinta-feira (14), 64,7% das menções a Flávio nas redes tinham teor negativo, levantamento realizado até as 13h. O número equivale a quase sete em cada dez publicações e representa um crescimento de sete pontos percentuais em relação ao período anterior às revelações. 
"Trata-se do pior índice entre os candidatos monitorados e também do pior patamar registrado por Flávio desde que se lançou como candidato", afirmou Sérgio Denicoli, CEO da AP Exata e cientista de dados.
As mensagens reveladas pelo Intercept Brasil mostram Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar a produção de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 
Após negar à reportagem do site, o próprio senador confirmou o pedido e declarou, em nota, que "foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai."

Índice de confiança de Flávio cai abaixo do pior resultado de Lula

O índice de confiança de Flávio recuou para 13,6%, queda de 2,7 pontos percentuais em relação à terça-feira. 
O número ficou abaixo dos piores resultados já registrados por todos os demais pré-candidatos monitorados pela AP Exata, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o fundador do partido Missão, Renan Santos.
Para efeito de comparação, Lula atingiu seu pior índice de confiança em oito de janeiro deste ano, com 13,86%, no dia em que participou de um ato esvaziado pelos três anos da tentativa de golpe de Estado e anunciou o veto ao PL da Dosimetria, posteriormente derrubado pelo Congresso.

Zema salta de 10% para 23% nas menções e vira alternativa à direita

No volume total de menções nas redes, Flávio segue como o pré-candidato mais citado, respondendo por um quarto das publicações. Em seguida aparecem Zema (23,4%), Lula (21,5%), Renan Santos (11,9%) e Caiado (7,9%).
O crescimento de Zema chama atenção, já que antes do episódio, ele respondia por cerca de 10% das menções. Após se posicionar com críticas a Flávio, saltou aproximadamente 13 pontos percentuais. 
"Isso indica que Zema tem sido beneficiado pela crise e passou a ser apresentado, por parte dos decepcionados com Flávio, como alternativa de voto no campo da direita e da centro-direita", analisa Denicoli.
Na quarta-feira (13), Zema gravou um vídeo chamando de "imperdoável" e "tapa na cara dos brasileiros" o pedido de Flávio a Vorcaro. 
A movimentação, porém, teve custo político, as menções negativas ao ex-governador mineiro subiram cerca de quatro pontos percentuais, principalmente por ataques de bolsonaristas que o enquadraram como oportunista.
Lula, por sua vez, segue estável nos principais indicadores. "O caso, até agora, parece afetá-lo pouco. Não o prejudica, mas também não o beneficia de forma direta. Lula pode vir a ganhar com a queda de credibilidade de Flávio, especialmente entre moderados e indecisos, mas esse deslocamento ainda não apareceu de forma clara nos dados", afirmou Denicoli.

Bandeira da moralidade é o principal ativo atingido, avalia especialista

Na avaliação do CEO da AP Exata, o maior problema para a campanha de Flávio é o fato de o episódio atingir diretamente a bandeira da moralidade, um ativo central do bolsonarismo para se contrapor a escândalos envolvendo o PT. 
"Flávio agora deve explicações, e as respostas apresentadas até aqui aumentaram as dúvidas. Primeiro, afirmou que não tinha contato com Vorcaro e negou que o banqueiro tivesse financiado o filme sobre Jair Bolsonaro. Depois da revelação dos áudios, essa versão acabou tendo que ser desmentida por ele mesmo", disse Denicoli.
O especialista ressalvou, no entanto, que o cenário ainda pode mudar. Flávio já tinha rejeição elevada, segundo pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira, 54% dos entrevistados conhecem e não votariam no senador. 
📈 "No Brasil, nada é definitivo", ponderou Denicoli, acrescentando que, para sair do centro negativo das atenções, Flávio pode acabar dependendo de um novo escândalo envolvendo o governo Lula.