El Niño mais forte em 2026: Veja quais ações podem disparar ou derreter na Bolsa

O Bradesco BBI mapeou os impactos do El Niño e as empresas da Bolsa que podem ser favorecidas ou prejudicadas pelo fenômeno.

Publicado em 14/05/2026 às 16:48h Publicado em 14/05/2026 às 16:48h por Matheus Silva
Apesar das incertezas, o banco mantém o Brasil como principal escolha na região (Imagem: Shutterstock)
Apesar das incertezas, o banco mantém o Brasil como principal escolha na região (Imagem: Shutterstock)
🚨 A probabilidade de um El Niño mais intenso está crescendo. O Centro de Previsão Climática da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos EUA atribui 61% de chance de desenvolvimento do fenômeno entre maio e julho de 2026, com 25% de probabilidade de um evento classificado como "muito forte". 
O momento é visto como delicado, já que o petróleo está sendo negociado a US$ 100 o barril, criando uma combinação de pressões simultâneas sobre preços e atividade econômica em países emergentes.
Em relatório divulgado na quarta-feira (13), o Bradesco BBI avaliou que o aumento dessas pressões climáticas pode tornar a situação macroeconômica de países como Brasil, Colômbia e Peru mais complexa, especialmente no que diz respeito a alimentos e energia. 
"Nosso índice de exposição macro ao El Niño mostra África, ASEAN, Brasil, Colômbia e Peru como alguns dos mais expostos aos impactos na inflação de alimentos", afirmam os analistas. 
"No geral, vemos os impactos do El Niño nas ações e na inflação na América Latina como idiossincráticos e mistos", acrescentam.
Apesar das incertezas, o banco mantém o Brasil como principal escolha na região e reafirma visão de compra para o mercado doméstico. "O Brasil continua sendo nossa principal escolha na região, apesar das incertezas climáticas", conclui o Bradesco BBI.

Axia e Eneva saem ganhando

No setor de utilities, o principal indicador a ser monitorado durante o El Niño é o ENA (Índice de Energia Natural Afluente), que mede o volume de água que flui para os reservatórios hidrelétricos.
Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o fenômeno tende a tornar as chuvas irregulares e provocar ondas de calor, combinação que eleva a demanda por eletricidade e força o acionamento de usinas termelétricas, geralmente mais caras do que as hidrelétricas.
Nesse ambiente de preços mais altos de energia, a Axia (AXIA3) seria diretamente beneficiada. "Neste cenário, a Axia se beneficiaria, pois os preços mais altos compensariam mais do que qualquer impacto negativo de volumes menores", destaca o Bradesco BBI. 
A Eneva (ENEV3), geradora térmica, também poderia ver suas receitas crescerem caso o ONS aumente o despacho térmico para complementar a geração hidrelétrica reduzida.
Para a Sabesp (SBSP3), o quadro é oposto. O fenômeno pode afetar os reservatórios hídricos regionais, tornando a água mais escassa sem qualquer mecanismo de compensação via preços. 
"Para a Sabesp, o impacto é negativo, pois não há benefício compensatório de preços para volumes menores de reservatórios", diz o relatório.

Sul ganha com chuvas, Nordeste sofre com seca

No campo, a geografia define os perdedores e os beneficiados. As regiões Sul e Centro-Oeste costumam receber chuvas mais intensas durante o El Niño, o que favorece os rendimentos de soja e milho. 
Já o Norte e o Nordeste tendem a enfrentar condições mais secas, prejudicando culturas como arroz e trigo. "O Brasil tende a ver melhores condições para milho, cana-de-açúcar e, em menor grau, soja e algodão, enquanto arroz e trigo são geralmente afetados negativamente", aponta o Bradesco BBI.
Para a SLC Agrícola (SLCE3), a maior exposição ao Nordeste transforma o El Niño em um vetor negativo para os resultados. Em contrapartida, a 3tentos (TTEN3) e a São Martinho (SMTO3) tendem a ser favorecidas pelo perfil regional de suas operações. 
A São Martinho ganha em dobro: além das condições mais favoráveis para a cana no Brasil, a produção do produto na ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático) costuma ser prejudicada pelo El Niño, o que melhora as perspectivas para os preços globais do açúcar.

Camil é a grande beneficiária com arroz valorizando

No setor de alimentos processados, o Bradesco BBI destaca a Camil (CAML3) como a beneficiária mais clara do fenômeno. 
O arroz representa cerca de 45% das receitas da empresa, e a companhia ganha diretamente com a valorização do produto quando a produção nacional enfraquece. 
"A Camil é uma beneficiária clara, dado que o arroz é um componente central de suas operações", destaca o banco.

JBS e Marfrig têm impactos geográficos mistos

No mercado de proteínas, os reflexos do El Niño chegam principalmente via preços de grãos, com impactos opostos dependendo da região de operação. Para JBS (JBSS3) e Marfrig (MBRF3), a diversificação geográfica cria um quadro misto.
Na Austrália, as operações da JBS poderiam se beneficiar inicialmente da liquidação de gado impulsionada pela seca, com aumento dos abates no curto prazo. 
"O aumento do abate na Austrália pode favorecer as margens da JBS no estágio inicial do fenômeno", aponta o Bradesco BBI. Nos EUA, a dinâmica é oposta, dado que as chuvas mais intensas encorajam a retenção do rebanho, o que tende a pressionar as margens de carne bovina no curto prazo.

Banco do Brasil entre os mais expostos aos ciclos climáticos

No segmento financeiro, o Bradesco BBI aponta que o Banco do Brasil (BBAS3) e a Credicorp, do Peru, enfrentam maiores desafios operacionais durante ciclos climáticos adversos. 
📊 No caso do BB, a exposição ao crédito rural agronegócio, que já vinha pressionada pela inadimplência elevada, pode se intensificar caso o El Niño afete negativamente as safras e a capacidade de pagamento dos produtores rurais.