Trump ameaça Otan por falta de ajuda em Ormuz e critica Itália e Alemanha

As falas foram feitas após os EUA anunciarem um corte imediato do efetivo militar da Otan na Europa, segundo informou Mark Rutte.

Publicado em 22/06/2026 às 20:51h Publicado em 22/06/2026 às 20:51h por Matheus Silva
Trump também defendeu a reorganização dos gastos militares em defesa dos EUA (Imagem: Shutterstock)
Trump também defendeu a reorganização dos gastos militares em defesa dos EUA (Imagem: Shutterstock)
🚨 O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a criticar nesta segunda-feira (22) os aliados da Otan pela falta de ajuda no Estreito de Ormuz, apesar de afirmar que os EUA nem precisavam do apoio do bloco.
"Eles nos disseram que preferiam não ajudar, uma coisa estúpida de dizer. Porque nós podemos dizer isso a eles se quisermos, e talvez digamos", declarou Trump a jornalistas na Casa Branca. 
O presidente tem reunião agendada com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, nesta semana.
Trump também criticou o primeiro-ministro britânico em fim de mandato, Keir Starmer, que renunciou nesta segunda-feira (22), além de Itália e Alemanha, classificando os países como "muito ruins." Sobre Starmer, o presidente disse que o ex-premiê "tem dois problemas: energia e imigração."
As declarações ocorreram após os EUA anunciarem redução de tropas americanas da Otan na Europa, com efeito imediato segundo Rutte. 
Trump também defendeu a reorganização dos gastos militares em defesa dos EUA e disse que os contratos do setor não permitirão a recompra de ações pelas empresas do país.

Irã anuncia linha de comunicação para passagem em Ormuz

O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que Teerã concordou em estabelecer uma linha de comunicação sobre a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, a fim de evitar conflitos e incidentes na via navegável. 
Em declarações à TV estatal iraniana, ao retornar das negociações com os EUA na Suíça realizadas no domingo, o negociador acrescentou que a assinatura do acordo para a liberação de US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados foi finalizada durante as conversas.

Israelenses temem fissuras na aliança com EUA

Aliados de Trump defenderam o presidente nesta semana perante público israelense preocupado tanto com o acordo provisório selado pelos EUA com o Irã quanto com críticas da Casa Branca que, em conjunto, parecem indicar fissuras na aliança de décadas entre Israel e Washington.
A relação entre os dois países tem passado por altos e baixos desde a confiança inicial compartilhada após o ataque conjunto ao Irã até as divergências públicas entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre como encerrar a guerra que já dura quatro meses. 
Netanyahu e outros israelenses veem risco de que o memorando de entendimento de Trump com o Irã fortaleça um Estado que consideram seu inimigo mais mortal e limite sua capacidade de responder às ameaças do Hezbollah no Líbano.
Mike Huckabee, embaixador dos EUA em Israel, reconheceu um nível elevado de ansiedade em torno do relacionamento bilateral. "Os Estados Unidos e Israel têm um laço inquebrável", disse Huckabee no domingo, em conferência de política externa em Jerusalém onde as preocupações com a aliança dominaram boa parte das discussões.

Trump chamou Netanyahu de "completamente louco"

Além das preocupações com o texto do acordo com o Irã, israelenses se incomodam com a insistência de Trump para que Israel aceite cessar-fogo com o Hezbollah no Líbano e com a forma como o presidente tem reagido à resistência de Netanyahu a esses acordos.
Nas últimas semanas, Trump chamou o premiê israelense de "completamente louco", repreendeu o país afirmando que não é necessário demolir construções a cada busca por suspeitos, e chegou a ponderar publicamente pedir à Síria que substitua as tropas israelenses no Líbano.
O vice-presidente JD Vance também adotou tom mais crítico, afirmando que Trump é o único chefe de Estado no mundo que demonstra simpatia pela nação de Israel atualmente, ao mesmo tempo em que ponderou que nem toda crítica a Israel deve ser automaticamente classificada como antissemitismo.
📊Para muitos israelenses, o fato de essas opiniões partirem do próprio Partido Republicano de Trump é especialmente preocupante, já que os democratas americanos já vinham se mostrando mais críticos em relação a Israel nos últimos anos.