Temporada de balanços do 2T26 começa nos EUA: Veja setores que devem sair ganhando

O mercado espera um crescimento de até 29% do lucro combinado das empresas do S&P 500.

Publicado em 14/07/2026 às 10:03h Publicado em 14/07/2026 às 10:03h por Marina Barbosa
Este deve ser o melhor desempenho do S&P 500 desde o quarto trimestre de 2021 (Imagem: Shutterstock)
Este deve ser o melhor desempenho do S&P 500 desde o quarto trimestre de 2021 (Imagem: Shutterstock)
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 começa nesta terça-feira (14) nos Estados Unidos, sob altas expectativas.
📈 O mercado acredita que as empresas americanas vão reportar uma forte alta de lucros, apesar de todos os desafios enfrentados no trimestre, o que pode impulsionar o desempenho das bolsas.
O segundo trimestre foi marcado pela guerra no Oriente Médio, que pressionou os preços do petróleo e impulsionou os ganhos do setor de energia, mas também renovou o temor inflacionário.
Com isso, analistas passaram a considerar a possibilidade de uma nova alta dos juros americanos, mesmo após a posse do novo presidente do Fed, Kevin Warsh.
Ao mesmo tempo, o mercado manteve a aposta na IA (Inteligência Artificial), o que ajudou a movimentar o setor de tecnologia e o mercado de capitais.

Alta de até 29% dos lucros

💸 Diante desse cenário, a expectativa é de um crescimento robusto do lucro das empresas americanas, puxado sobretudo pelos segmentos de energia, tecnologia e mercado de capitais.
De acordo com a FactSet, o mercado projeta uma alta de 23,6% do lucro combinado das companhias que compõem o S&P 500, o índice que reúne as 500 maiores empresas de capital aberto dos Estados Unidos.
Caso essa projeção se confirme, este será o segundo trimestre consecutivo de crescimento acima dos 20% e também o melhor desempenho do lucro do S&P 500 desde o quarto trimestre de 2021, quando os resultados das grandes empresas americanas dispararam 32% impulsionados pela reabertura da pandemia de covid-19.
A FactSet, por sua vez, é ainda mais otimista e diz que essa taxa de crescimento pode chegar a 29%, já que muitas projeções são revisadas ao longo da temporada de balanços, que vai até o final de agosto.
De fato, a temporada de balanços já começou surpreendendo: JP Morgan (JPM) e Goldman Sachs (GS) apresentaram lucros acima do esperado nesta terça-feira (14), impulsionados pelo forte movimento do mercado de capitais, o que inclui IPOs bilionários como o da SpaceX (SPCX).

XP mantém cautela

⚠️ Já a XP mantém uma postura mais cautelosa, de olho no que esses números de fato sustentam.
"O crescimento sendo impulsionado de maneira não recorrente pelo setor de energia, uma expansão também concentrada em
hyperscalers e semicondutores, somado a um cenário conflituoso para a expansão de múltiplos, modera nosso entusiasmo para os resultados", explicou.
A XP acredita, então, que o debate relevante neste caso "não é se o 2T26 entrega o crescimento esperado, mas se as companhias conseguem sustentar guidances à altura do valuation atual".

Energia dispara, saúde sofre

📊 Pelos cálculos do mercado, o lucro das empresas americanas de energia deve saltar 122,9% no segundo trimestre de 2026, devido à alta dos preços do petróleo. 
Por isso, o setor deve puxar o crescimento do S&P 500, tomando espaço das Sete Magníficas -as principais empresas de tecnologia do mercado americano.
"A expectativa de contribuição das 'outras 493 empresas' para o crescimento dos lucros do S&P 500 segue superando a das Big Techs, marcada por uma representatividade maior do que o comum do setor de energia", observou a XP.
Ainda assim, o setor de tecnologia deve entregar a segunda maior lucratividade do trimestre, segundo as projeções coletadas pela FactSet.
Outros oito setores também devem lucrar mais no trimestre. Por outro lado, as empresas de saúde devem registrar ganhos menores, pressionadas por custos elevados e a perda de patentes de grandes medicamentos, como o Ozempic.
 
Veja a expectativa para os resultados do S&P 500 no 2T26, por setor, segundo a FactSet:
  • Energia: 122,9%;
  • Tecnologia: 63,3%;
  • Materiais básicos: 35,3%;
  • Utilidades públicas: 13,4%;
  • Indústria: 10,0%;
  • Comunicações: 7,2%;
  • Consumo discricionário: 6,7%;
  • Financeiro: 6,6%;
  • Imobiliário: 5,1%;
  • Bens de consumo: 5,2%;
  • Saúde: -9,0%;
  • Média S&P 500: 23,6%.