Selic a 14% já está na cara do Copom, mas renda fixa perde coroa em 2026?

Títulos de renda fixa indexados à Selic e ao CDI devem render um pouco menos, só que especialistas não abandonam o barco.

Publicado em 04/08/2026 às 16:59h Publicado em 04/08/2026 às 16:59h por Lucas Simões
Renda fixa pós-fixada segue relevante em 2026, com vencimentos curtos e médios (Imagem: Shutterstock)
Renda fixa pós-fixada segue relevante em 2026, com vencimentos curtos e médios (Imagem: Shutterstock)
É amplamente precificado pelo mercado que o Copom (Comitê de Política Monetária) cortará a taxa básica de juros, a famosa Selic Meta, dos atuais 14,25% ao ano para 14% ao ano, após o fechamento da bolsa de valores brasileira no dia 5 de agosto de 2026. Mas a atratividade da renda fixa atrelada à Selic Over ou CDI não sumirá de uma vez só.
Para Viviane Las Casas, especialista em renda fixa da Valor Investimentos, as atenções que o investidor deveria dar nesta decisão de Copom são justamente para o tom que o Banco Central adotará no comunicado, documento que deve trazer pistas sobre as reuniões seguintes, e não apenas o corte em si. 
"Um comunicado que enfatize pausa, cautela e ausência de compromisso com cortes adicionais pode ser interpretado como hawkish, mesmo com redução da Selic. Em contrapartida, uma sinalização de que novos ajustes serão possíveis, caso a desinflação continue, sustentaria a expectativa de Selic a 13,75% no fim do ano e favoreceria a marcação a mercado de prefixados e IPCA+ intermediários", pondera a especialista.
Afinal de contas, as taxas oferecidas no Tesouro Direto encontram-se entre 14% e 14,50% ao ano, no caso dos prefixados, e entre IPCA+ 7% e IPCA+ 8% ao ano, no caso dos indexados à inflação. Se tais juros compostos caírem, a depender do tom do Banco Central, os investidores colherão lucros na marcação a mercado. Mesmo que a taxa Selic termine 2026 em 13,75% ao ano, a especialista em renda fixa da Valor Investimentos segue recomendando títulos pós-fixados, como o famoso Tesouro Selic 2031
"A remuneração do CDI permanecerá elevada em 2026, favorecendo Tesouro Selic, CDBs atrelados ao CDI e fundos DI, que continuarão oferecendo boa combinação de retorno, baixa volatilidade e liquidez. O principal risco é o reinvestimento futuro a taxas menores, mas esse risco é gradual e não elimina a atratividade atual do carry", explica Las Casas, em relatório.

Simulação dos investimentos em renda fixa

  • Poupança: Aplicação de R$ 10 mil renderá o montante líquido de R$ 10.800,00 nos próximos 12 meses
  • Tesouro Selic 2031: Aplicação de R$ 10 mil renderá o montante líquido de R$ 11.159,12 nos próximos 12 meses
  • CDB a 105% do CDI: Aplicação de R$ 10 mil renderá o montante líquido de R$ 11.167,60 nos próximos 12 meses
  • LCAs e LCIs a 94% do CDI: Aplicação de R$ 10 mil renderá o montante líquido de R$ 11.306,60 nos próximos 12 meses