🚨 A Ri Happy, uma das maiores redes de lojas de brinquedos do país, recorreu à Justiça para reorganizar suas finanças. A varejista protocolou nesta segunda-feira (19), na Justiça de São Paulo, um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. O processo inclui outras empresas do grupo, como a PBKids.
O plano já começou a receber apoio. Segundo o portal g1, credores que representam R$ 308,8 milhões aderiram à proposta de renegociação, o equivalente a 42,4% dos créditos incluídos no pedido.
Em nota, o grupo afirmou que a medida integra um processo de reorganização financeira e operacional iniciado após a mudança de controle da companhia e que o objetivo é "reorganizar o pagamento das dívidas e adequar a estrutura financeira às necessidades do negócio".
Juros, consumo fraco e concorrência estrangeira explicam a crise
No pedido apresentado à Justiça, a Ri Happy atribui as dificuldades financeiras a uma combinação de fatores econômicos e setoriais.
Entre eles estão os juros elevados, a perda de poder de compra das famílias, o aumento do endividamento dos consumidores, a desaceleração do varejo e a concorrência cada vez mais intensa das plataformas internacionais de comércio eletrônico.
A empresa cita ainda os efeitos acumulados da pandemia e dificuldades decorrentes de negociações financeiras realizadas anteriormente.
O diagnóstico se assemelha ao apresentado por outras varejistas em crise. Em agosto, a
Casas Bahia (BHIA3) entrou com pedido de
recuperação judicial, com dívidas de R$ 17,3 bilhões, e também apontou os juros altos e a concorrência de plataformas internacionais entre os principais motivos para a deterioração financeira.
A Ri Happy garantiu que as operações não serão interrompidas. Segundo a companhia, as lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda continuam em funcionamento, e as equipes seguem concentradas na preparação para as datas comemorativas do quarto trimestre, período tradicionalmente mais forte para o varejo de brinquedos.
Entenda a diferença entre recuperação extrajudicial e judicial
A recuperação extrajudicial é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite a uma empresa negociar diretamente com parte de seus credores um plano de reestruturação das dívidas e, depois, submetê-lo à homologação da Justiça.
A principal diferença em relação à recuperação judicial tradicional é que o modelo não exige a participação de todos os credores. Por isso, costuma ser utilizado quando a companhia busca reorganizar seu passivo de forma mais direcionada, com um processo geralmente mais simples e menos abrangente do que o de uma recuperação judicial.
Pedido ocorre menos de dois meses após venda da empresa
A recuperação extrajudicial foi protocolada menos de dois meses depois de ser divulgada a venda da Ri Happy para a BluSun Capital Partners, em 31 de agosto. Com a mudança de controle, o executivo Héctor Núñez, que já havia comandado a varejista entre 2012 e 2020, retornou ao cargo de CEO, no lugar de Thiago Rebello.
Núñez chega com experiência em reestruturações de grande porte. Ele foi chairman do conselho de administração da Odebrecht Transport entre 2022 e 2025, presidente e CEO da Novonor, antiga Odebrecht, entre 2022 e 2026, e presidiu o conselho da
Braskem (BRKM5) entre 2025 e maio de 2026.
📊 Antes do pedido, a Ri Happy já havia anunciado um plano para transformar o negócio. A estratégia, apresentada em agosto, prevê ganhos de eficiência operacional, integração dos canais de venda, reforço da experiência nas lojas e melhorias na gestão de estoques.