Renda fixa ganha apelo com Eleições 2026? Anbima revela o destino do dinheiro

Investidores voltam a dar preferência aos gestores profissionais, especialmente fundos de renda fixa.

Publicado em 10/09/2026 às 16:21h Publicado em 10/09/2026 às 16:21h por Lucas Simões
Agosto registra forte retomada das aplicações, especialmente em crédito privado (Imagem: Shutterstock)
Agosto registra forte retomada das aplicações, especialmente em crédito privado (Imagem: Shutterstock)
Definitivamente, não é a caderneta de poupança que voltou a despertar o interesse dos rentistas em 2026, mas certos investimentos em renda fixa um tanto mais arrojados que se tornaram bastante competitivos na conjuntura atual em que as Eleições 2026 mexem drasticamente com o humor do Ibovespa e das ações brasileiras.
A Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) captou uma mudança de comportamento relevante dos investidores, revelando que o dinheiro voltou para as mãos dos gestores profissionais ao longo de agosto, dado que a indústria de fundos de investimento teve entradas líquidas de R$ 33,9 bilhões no mês, revertendo o saldo negativo de R$ 15,6 bilhões observado em julho.
Em 2026, a captação líquida de dinheiro nas mãos de gestores profissionais está positiva em R$ 261 bilhões, sendo boa parte do resultado graças aos fundos de renda fixa. De uma saída líquida de R$ 17,6 bilhões em julho, a categoria embolsou R$ 47,2 bilhões em agosto.
Chama a atenção que a preferência dos investidores está nos fundos do tipo duração e crédito livre, responsáveis por ingressos líquidos de R$ 14,9 bilhões no mês. Tais fundos de renda fixa estão longe de se limitar ao Tesouro Direto e investem mais de 20% da sua carteira em títulos de médio e alto risco de crédito no Brasil ou exterior. 
"A renda fixa segue como principal vetor de captação da indústria, refletindo a busca dos investidores por previsibilidade diante do ambiente de juros ainda elevado e da proximidade das eleições, o que tende a ampliar a volatilidade dos mercados", afirma Pedro Rudge, diretor da Anbima.
Embora a recente onda de pedidos de recuperação judicial provoque o estresse das taxas no mercado de crédito privado, boas empresas se veem pressionadas a oferecer juros compostos mais atrativos aos investidores de renda fixa, especialmente em modalidades que não têm a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito)
Já o apetite por ações brasileiras se prova cambaleante mais uma vez, dado que os fundos de ações encerraram agosto com captação líquida negativa de R$ 512,4 milhões, ainda que o resultado negativo tenha sido melhor do que o registrado em julho, quando as saídas chegaram a R$ 1,5 bilhão. No acumulado do ano, os resgates somam R$ 8,1 bilhões.