Otto Lobo recebe apoio amplo na CAE para seguir à frente da CVM

Presidente interino comentou casos envolvendo auditorias e reformas no mercado de capitais.

Publicado em 20/05/2026 às 17:41h Publicado em 20/05/2026 às 17:41h por Wesley Santana
Otto já exerce o cargo de presidente de forma interina (Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado)
Otto já exerce o cargo de presidente de forma interina (Imagem: Geraldo Magela/Agência Senado)

Na tarde desta quarta-feira (20), a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou a indicação de Otto Lobo para a presidência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O executivo foi indicado para um mandato tampão, no lugar de Pedro Nascimento, que deixou a cadeira no ano passado.

A aprovação na CAE se deu por maioria esmagadora, já que foram 18 votos a favor e apenas 4 contrários. A votação ocorreu de forma secreta, então os nomes dos senadores que divergiram não foram divulgados.

Desde a saída do último presidente, Lobo já vinha ocupando a principal cadeira do órgão regulador do mercado de capitais por ser o membro mais antigo da Comissão. Agora, caso aprovado pelo Plenário, deve seguir à frente da entidade por cerca de um ano, quando outro nome deve ser indicado.

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Mais cedo, Otto passou por sabatina no Senado, quando respondeu a diversos questionamentos dos parlamentares. Ele falou, por exemplo, sobre a questão do Banco Master, da Ambipar, de auditorias independentes e outros assuntos que dominaram o noticiário relacionado à CVM nos últimos meses.

"Eu julguei casos envolvendo empresas de auditoria específicas. Não me deparei, acredito até hoje, com acusações tão grandes de fraude, como dessas empresas que ainda serão julgadas pela Comissão de Valores. Não quero adiantar a minha interpretação dos casos, que são extremamente sérios, porque ainda vou julgar esses casos”, destacou ele.

Ele também falou sobre uma eventual reforma do mercado de capitais, que teria de ser feita justamente pela próxima gestão da autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda.

"Eu entendo que, caso tenha o meu nome confirmado [para a CVM], a contribuição para o desenho dessa reforma, que é fundamental, passa pelas discussões aqui na CAE. Há vários PLs [projetos de lei] em andamento. O ponto que eu considero mais importante, que enquadraria essa discussão da reforma, é o financiamento", disse Lobo.

O nome de Lobo vinha circulando nos corredores de Brasília já há alguns meses, sendo endossado por algumas figuras poderosas do mundo político e econômico. O empresário Joesley Batista -acionista do grupo J&F- foi apontado como o responsável por indicá-lo à cadeira mais alta da CVM, ainda no ano passado.