"Orgia" no STF, maioridade penal e recado a Trump; veja o que Lula disse na Globo

Lula defendeu investigar ministros do STF, apoiou maioridade penal aos 16 e rejeitou ajuste que pese sobre os mais pobres na Globo.

Publicado em 15/10/2026 às 22:45h Publicado em 15/10/2026 às 22:45h por Matheus Silva
Segundo Lula, o comércio do Brasil com a China cresceu 20% (Imagem: Shutterstock)
Segundo Lula, o comércio do Brasil com a China cresceu 20% (Imagem: Shutterstock)
🚨 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, abriu na noite desta quinta-feira (15) a série de sabatinas da TV Globo com os dois candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial. 
A entrevista, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete ao vivo nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, foi exibida logo após o Jornal Nacional, com transmissão simultânea pela GloboNews e pelo g1. 
A ordem das entrevistas foi definida por sorteio entre as campanhas, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) será o entrevistado desta sexta-feira (16).
Ao longo da conversa, Lula tratou de temas que dominam a reta final da campanha, como as denúncias envolvendo ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no caso Master, a avaliação negativa do governo, a segurança pública e a relação comercial com os Estados Unidos.

Lula assume responsabilidade pela avaliação negativa do governo

Logo no início, o presidente foi questionado sobre a baixa popularidade da gestão e chamou para si a responsabilidade pelo desgaste. 
"Eu acho que tudo é responsabilidade minha, Renata. Veja, eu sou o governo", afirmou. Lula disse lamentar não ter conseguido fazer a população compreender as realizações do governo e afirmou que não pode atribuir essa falha a outras pessoas.
A declaração chega no mesmo dia em que o Datafolha mostrou 50% de desaprovação ao presidente, contra 48% de aprovação, e 41% dos eleitores classificando a gestão como ruim ou péssima.
Na mesma linha, Lula afirmou nunca ter pedido aos ministros de seu governo que demonstrassem apoio à sua candidatura e fez um balanço duro da herança deixada pela gestão de Jair Bolsonaro.

"Não é possível", diz Lula sobre denúncias contra ministros do STF

O momento de maior repercussão da entrevista envolveu o Supremo. Questionado sobre as suspeitas de relação entre ministros da Corte e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Lula elevou o tom. 
"A corte tem que passar para a sociedade a ideia ética, a ideia da probidade, ou seja, não é possível que apareça na Suprema Corte tantas e tantas denúncias, tantas coisas de orgia, de mulher, de dinheiro", declarou.
O presidente defendeu a apuração completa dos casos. "Ninguém está acima da lei. A denúncia paira sobre todos. Não é possível imaginar que a sociedade vai aceitar que não seja apurado, e que se puna quem precisar punir", afirmou, classificando a situação como "muito grave". 
Lula também defendeu que o país discuta uma reforma do Poder Judiciário, incluindo critérios de escolha e mandatos para os magistrados.

Lula defende Dino e cita Toffoli, Mendonça e Kassio

Renata Lo Prete questionou o presidente sobre o pedido de vista do ministro Flávio Dino, indicado por Lula, que impediu o avanço de uma investigação sobre a conduta de Alexandre de Moraes, apontado pela jornalista como o ministro mais implicado com Vorcaro. 
Na resposta, Lula defendeu Dino, disse não ter conhecimento jurídico para avaliar a decisão e ampliou o alcance das suspeitas. "Era o mais implicado. O Toffoli também tá implicado. O André Mendonça também tá implicado e o Kassio tá implicado", disse.
O presidente também acusou adversários de tentar associar o Supremo ao governo.
"A extrema direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas. Querem cassar Moraes porque Moraes prendeu o pai do Flávio Bolsonaro", afirmou. O ministro Kassio Nunes Marques rejeita as suspeitas de irregularidades.

Maioridade penal aos 16 anos só veio após pergunta repetida

Na segurança pública, Lula se declarou favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, posição historicamente rejeitada pelo PT. A resposta, porém, só ficou clara depois que a entrevistadora repetiu a pergunta. 
Renata lembrou que a proposta partiu do senador Camilo Santana, ex-ministro da Educação de Lula, e que a ideia gerou resistência em parte da bancada petista no Senado.
"O meu pensamento, enquanto cidadão brasileiro, em todo e qualquer crime hediondo, eu estou favorável a diminuir a maioridade", disse inicialmente. Diante da insistência, foi direto. "Sou a favor", respondeu.
O presidente, no entanto, rejeitou a inclusão do tema na PEC da Segurança Pública, que tramita no Senado e da qual uma emenda do PL sobre o assunto acabou retirada de pauta. 
"Sou favorável a reduzir para 16, mas não discutindo nessa PEC, porque essa PEC não é para discutir isso. Primeiro você discuta a PEC, aprova a PEC, e aí você pode discutir a maioridade penal ou não", declarou.

Acordo com os EUA, mas sem descartar reciprocidade

Na pauta econômica, Lula afirmou acreditar que Brasil e Estados Unidos devem chegar a um acordo sobre as tarifas aplicadas pelo governo americano a produtos brasileiros, mas não descartou a adoção de medidas de reciprocidade. 
Segundo ele, embora o comércio com os Estados Unidos tenha caído, houve ampliação das trocas com outros mercados, como China e União Europeia.
A sabatina abre uma sequência de eventos televisivos considerados decisivos para a disputa. 
📊 Depois da entrevista de Flávio Bolsonaro nesta sexta, os dois candidatos se enfrentam no debate da TV Band no domingo (18), e a TV Globo promove o último debate do segundo turno em 23 de outubro. A eleição está marcada para 25 de outubro.