Lula aposta em acordo com os EUA, mas não descarta Lei da Reciprocidade

O atual presidente da República afirmou que acredita em acordo com os EUA sobre as tarifas, mas não descartou o caminho da reciprocidade.

Publicado em 15/10/2026 às 22:17h Publicado em 15/10/2026 às 22:17h por Matheus Silva
A sobretaxa americana sobre produtos brasileiros chegou a até 37,5% (Imagem: Ricardo Stuckert/PR)
A sobretaxa americana sobre produtos brasileiros chegou a até 37,5% (Imagem: Ricardo Stuckert/PR)
🚨 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15) que acredita em um entendimento entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas impostas pelo governo americano a produtos brasileiros. 
Ainda assim, o presidente deixou claro que a possibilidade de uma resposta na mesma moeda continua sobre a mesa.
Em entrevista à TV Globo, Lula sinalizou confiança em um acordo, mas não descartou a eventual aplicação de medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos, recurso que o governo brasileiro passou a estudar desde que as tarifas entraram em vigor.

Lula diz que perda com os EUA foi compensada

Na avaliação do presidente, o impacto do tarifaço sobre a economia brasileira foi parcialmente amortecido pela diversificação dos destinos das exportações. 
Lula reconheceu que houve queda no comércio com os Estados Unidos, mas destacou que o país ampliou as trocas com outros parceiros relevantes, como a China e a União Europeia.
O argumento reforça uma linha que o governo vem adotando desde o início da crise comercial, a de que a busca por novos mercados reduz a dependência brasileira em relação ao comércio com Washington.

Sobretaxa de até 37,5% abriu crise comercial

As tarifas que estão no centro da disputa foram aplicadas pelo governo de Donald Trump ao longo deste ano. 
A sobretaxa sobre as exportações brasileiras chegou a até 37,5%, resultado da combinação de uma tarifa de 25% baseada na Seção 301 da legislação comercial americana com outra de 12,5% relacionada a alegações de trabalho forçado.
Entre as justificativas apresentadas por Washington para as tarifas de julho estava o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, citado pelos Estados Unidos entre as chamadas "práticas desleais" de comércio. 
Em resposta, o governo brasileiro iniciou a análise de possíveis medidas de reciprocidade, com base na legislação aprovada para esse tipo de situação.

Negociação foi retomada após telefonema entre Lula e Trump

O canal de diálogo entre os dois governos voltou a se abrir em agosto, depois de um telefonema de cerca de uma hora e vinte minutos entre Lula e Trump, no qual os dois presidentes trataram de comércio, crime organizado e conflitos internacionais. 
A partir dali, as equipes técnicas dos dois países retomaram as conversas sobre a relação comercial e o tarifaço.
Desde então, Trump também recebeu empresários brasileiros em Washington. Entre eles estiveram o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual (BPAC11), que tratou da relação comercial entre os países, e Joesley Batista, da J&F, que discutiu a redução das tarifas sobre a carne bovina brasileira.
A fala de Lula ocorre a dez dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, em que o presidente enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL). 
📊 No início de setembro, Trump chegou a afirmar que mantinha um "bom relacionamento" com o Brasil, sem citar diretamente nenhum dos candidatos, enquanto o Palácio do Planalto acompanhava com atenção possíveis sinais de interferência americana na disputa.