OpenAI e Anthropic protocolam pedidos de IPO em corrida ao mercado de ações

A OpenAI protocolou pedido de IPO no mesmo dia em que a Anthropic fez o mesmo, acelerando a chegada das maiores empresas de IA ao mercado.

Publicado em 08/06/2026 às 19:23h Publicado em 08/06/2026 às 19:23h por Matheus Silva
O ChatGPT soma mais de 50 milhões de assinantes pagantes (Imagem: Shutterstock)
O ChatGPT soma mais de 50 milhões de assinantes pagantes (Imagem: Shutterstock)
🤖 A OpenAI deu nesta segunda-feira (8) um passo decisivo rumo ao mercado de capitais ao protocolar confidencialmente um pedido de IPO (Oferta Pública Inicial) nos EUA. 
No mesmo dia, a rival Anthropic fez o mesmo, marcando uma virada histórica para o setor de inteligência artificial. Fontes com conhecimento do assunto indicam que a OpenAI mira avaliação de até US$ 1 trilhão, com a estreia na bolsa podendo acontecer já em setembro.
A movimentação simultânea das duas empresas transforma o segundo semestre de 2026 em um momento sem precedentes para o mercado americano de ações, com investidores aguardando o que pode ser o maior teste de apetite por papéis de tecnologia da última década.

Crescimento explosivo em menos de dois anos

A trajetória financeira da OpenAI nos últimos anos impressiona pelo ritmo. No final de 2024, a empresa gerava cerca de US$ 1 bilhão em receita por trimestre. 
Em março de 2026, esse número havia saltado para US$ 2 bilhões mensais, ritmo que, segundo a própria empresa, supera em quatro vezes o crescimento registrado por gigantes como Alphabet (GOGL34) e Meta (M1TA34) em seus períodos mais expansivos.
O ChatGPT ultrapassou 900 milhões de usuários ativos semanais e soma mais de 50 milhões de assinantes pagantes. No início do ano, uma rodada de financiamento liderada por SoftBank, Amazon (AMZO34) e Nvidia (NVDC34) avaliou a companhia em US$ 840 bilhões e captou US$ 110 bilhões.
A chegada à bolsa acontece após a OpenAI reformular sua parceria com a Microsoft (MSFT34), que aportou US$ 13 bilhões desde 2019.
A renegociação abriu espaço para novos vínculos comerciais com Amazon e com a divisão Google da Alphabet, ampliando o ecossistema de parcerias estratégicas da empresa.

Anthropic chega à bolsa com US$ 965 bi de avaliação

A Anthropic entrou na corrida ao mercado no mesmo dia, semanas após concluir uma rodada de captação de US$ 65 bilhões que a avaliou em US$ 965 bilhões. 
A empresa ganhou destaque com o Claude Code, ferramenta de programação com demanda crescente entre desenvolvedores, e com o Mythos, modelo avançado adotado por empresas para identificar falhas em sistemas de segurança digital.
A chegada simultânea das duas empresas ao mercado deve intensificar o debate sobre a sustentabilidade do boom de IA entre gestores de recursos. Banqueiros alertam que IPOs de grande porte podem drenar capital de empresas menores, concentrando fluxos em um número reduzido de ativos.
A SpaceX, de Elon Musk, abriu caminho ao protocolar seu próprio pedido de abertura de capital, buscando captar US$ 75 bilhões com avaliação estimada em US$ 1,75 trilhão. Se concluída, seria a maior oferta da história do mercado americano.

De organização sem fins lucrativos a empresa bilionária

A OpenAI nasceu em 2015 como uma entidade sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento seguro da inteligência artificial. Em 2019, criou um braço comercial para sustentar os custos crescentes de pesquisa e desenvolvimento. 
A estrutura híbrida, que mantinha o controle da empresa sob a organização original, gerou tensões internas que culminaram na crise de novembro de 2023, quando o conselho demitiu o CEO, Sam Altman, abruptamente. A reversão da decisão, dias depois, foi conduzida sob forte pressão dos funcionários e de investidores.
Em dezembro de 2024, a empresa anunciou sua transformação em uma empresa de benefício público, modelo que permite maior captação de capital externo sem as restrições da estrutura sem fins lucrativos, embora mantenha obrigações com a missão social original.

Veredicto contra Musk eliminou último obstáculo legal antes do IPO

A mudança estrutural foi contestada judicialmente por Elon Musk, cofundador e primeiro financiador da OpenAI, que acusou Altman e outros executivos de subverterem a missão original da organização em benefício próprio. 
Musk alegou ter sido induzido a investir dezenas de milhões de dólares com base em promessas que não foram honradas.
Em maio de 2026, um júri federal californiano rejeitou por unanimidade as alegações de Musk, concluindo que a OpenAI não havia traído sua missão e que não havia evidências de manipulação do bilionário. 
Para analistas, o veredito encerrou o principal risco jurídico que pairava sobre a abertura de capital da empresa, desbloqueando o processo com meses de antecedência.
📊 Musk seguiu trajetória paralela ao fundar a xAI, seu próprio laboratório de inteligência artificial, hoje integrado à SpaceX.