Lula manda ministros e economistas afunilarem medidas para depois da COP31

Dario Durigan afirmou que Lula pediu à equipe medidas econômicas mais enxutas, a serem apresentadas depois da viagem à COP31.

Publicado em 05/11/2026 às 17:57h Publicado em 05/11/2026 às 17:57h por Matheus Silva
Lula também irá às Filipinas, para a cúpula da Asean (Imagem: Shutterstock)
Lula também irá às Filipinas, para a cúpula da Asean (Imagem: Shutterstock)

🚨 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu nesta quinta-feira (5) ministros, ex-ministros e conselheiros para discutir a agenda econômica do novo mandato, mas o que o mercado aguardava, o anúncio de medidas concretas, ficou para outro momento. 

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, Lula pediu que a equipe afunile as propostas para que elas sejam apresentadas apenas depois de sua viagem ao exterior.

O encontro aconteceu um dia depois de o Banco Central interromper o ciclo de cortes da Selic e em meio a incertezas sobre o futuro da equipe econômica e da política fiscal do governo. 

Esse ambiente tem provocado turbulência nos indicadores de mercado e aumentado a cobrança de agentes financeiros e economistas por sinalizações. O dólar, por exemplo, fechou o dia em alta de 0,67%, a R$ 5,48.

Durigan e Moretti vão preparar propostas para o retorno de Lula

Ao fim da reunião, Durigan explicou como o governo pretende conduzir o tema. “A gente vai trabalhar com método, o ministro Bruno Moretti e eu, para que a gente afunile, enderece eventuais medidas, para a gente apresentar isso no retorno do presidente da viagem”, disse a jornalistas.

Lula embarca para a Turquia, onde participa da COP31, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, na cidade de Antália. Em seguida, segue para as Filipinas, para a cúpula da Asean, marcada de 15 a 17 de novembro.

Durigan reafirmou que o plano de Lula pressupõe compromisso com a sustentabilidade das contas públicas, melhora progressiva dos resultados primários e possíveis ajustes em regras fiscais. Ele ponderou, porém, que medidas específicas não foram discutidas no encontro.

“Reforço o nosso compromisso de seguir avançando e melhorando o resultado primário do país, que vai ser melhor a cada ano nesses próximos quatro anos”, afirmou. Em seguida, acrescentou que a ideia é, necessariamente, reforçar as regras que valem hoje.

➡️ Leia mais: Copom mantém a Selic em 13,75% ao ano na 1ª decisão após vitória de Lula

Quem participou da reunião no Alvorada

O encontro, realizado no Palácio da Alvorada, teve entre os convidados o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Bruno Moretti, do Planejamento e Orçamento, Miriam Belchior, da Casa Civil, e Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Também foram chamados o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o ex-presidente do banco Luciano Coutinho e os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi convidado, segundo uma fonte do governo, mas não participou, pois havia viajado a São Paulo.

Juros altos prejudicam todos os setores, diz ministro

Em entrevista concedida mais cedo, Durigan afirmou que o esforço do quarto mandato de Lula deve ser criar as condições estruturais e os “corretos estímulos” para reduzir a taxa de juros. 

📊 Perguntado sobre a decisão do Copom de manter a Selic em 13,75% ao ano, disse que não faria comentários valorativos sobre a decisão, mas observou que a taxa de juros no Brasil é alta e prejudica todos os setores da economia.