Ibovespa terá até 10% de BDRs a partir de 2027; veja o que muda

B3 muda metodologia do principal índice da Bolsa e abre espaço para ativos de empresas brasileiras negociadas no exterior.

Publicado em 09/09/2026 às 13:50h Publicado em 09/09/2026 às 13:50h por Wesley Santana
Ibovespa é o principal índice que acompanha o movimento da bolsa de valores no Brasil (Imagem: Shutterstock)
Ibovespa é o principal índice que acompanha o movimento da bolsa de valores no Brasil (Imagem: Shutterstock)

Nesta quarta-feira (9), a B3 anuncia uma mudança importante no principal indicador da bolsa de valores. A partir de 2027, o Ibovespa (IBOV) será composto, em até 10%, por BDRs de empresas brasileiras negociadas no exterior.

Segundo a companhia, o movimento está sendo possível graças ao crescimento da busca por este tipo de ativo. Diante disso, há mais liquidez no mercado, permitindo que se inclua os produtos na carteira mais negociada no país.

A B3 esclareceu, porém, que nem todos os BDRs devem compor o IBOV, já que há requisitos mínimos para a participação. Além disso, todos os BDRs de forma conjunta só poderão corresponder a 10% da carteira.

A bolsa não fez nenhuma indicação sobre eventuais participantes, mas o mercado já tem suas candidatas. Três empresas que possivelmente serão incluídas são: Nubank, Mercado Livre e XP, todas com forte liquidez no balcão brasileiro.

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No ano passado, a B3 já havia feito um movimento parecido, com o lançamento do Ibovespa B3 BR+, que incluía justamente alguns BDRs importantes. Desde então, foram lançados vários ETFs que seguem o desempenho do indicador.

“O objetivo é ter uma metodologia mais moderna e que represente melhor o mercado brasileiro”, disse o vice-presidente de produtos e clientes da B3, Luiz Masagão. “Um índice precisa ter as melhores empresas de cada país. Mas o Ibovespa, além de ser muito concentrado em poucos setores, olha para o passado”, completou outro executivo ouvido pela imprensa.

Vai disparar?

A inclusão de novos ativos pode ajudar na trajetória do Ibovespa, que já bateu recordes históricos neste ano. Para 2027, alguns bancos projetam um crescimento de quase 70 mil pontos, terminando o próximo ano em 250 mil.

A análise é do Morgan Stanley, que comenta sobre um possível ajuste fiscal depois das eleições de 2026. O resultado recorde dependeria do vencedor das eleições, já que os dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas têm planos diferentes para a trajetória da dívida brasileira.

"O cenário otimista está mais alinhado ao consenso, mas vemos um canal de expectativas mais rápido: um plano crível de vários anos poderia reduzir os prêmios de risco, fortalecer o real e abrir espaço para uma flexibilização monetária antes mesmo de uma melhora do resultado primário", explica o banco, batizando o fenômeno de "choque de gradualismo".