Frango brasileiro: 5 países impõem restrições após alerta de Newcastle

Medidas variam entre suspensões nacionais e restrições a frigoríficos de Santa Catarina, segundo o Ministério da Agricultura.

Publicado em 22/10/2026 às 08:48h Publicado em 22/10/2026 às 08:48h por Wesley Santana
Brasil é um dos maiores exportadores de frango de todo o mundo (Imagem: Shutterstock)
Brasil é um dos maiores exportadores de frango de todo o mundo (Imagem: Shutterstock)

Aumentou o número de países que impuseram algum tipo de regra para a importação de frango brasileiro. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), China, México, Arábia Saudita, Malásia e Chile anunciaram suspensões temporárias à importação de aves que chegam do Brasil.

Segundo a pasta, alguns preferiram interromper a compra oriunda de todo o Brasil, enquanto outros focaram apenas nos frigoríficos de Santa Catarina.

"O Mapa mantém articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores, fornecendo informações técnicas sobre a ocorrência e as medidas de controle adotadas. A atuação busca assegurar a transparência das informações e avançar nas tratativas para a retomada segura do comércio, em conformidade com os requisitos sanitários de cada mercado”, diz a pasta.

A doença de Newcastle vem acendendo o alerta das autoridades por causa da transmissão. A enfermidade afeta aves de diversos tipos e pode ser letal para algumas delas. Já nos humanos, ela pode causar conjuntivite, conforme destacam as autoridades.

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A transmissão da doença acontece por meio do contato com aves contaminadas. O consumo de aves com a doença de Newcastle, porém, não apresenta riscos à saúde humana.

"A principal forma de propagação do vírus da doença de DNC é por meio de aerossóis de aves infectadas ou de produtos contaminados. Além disso, vetores como roedores, insetos e artrópodes também contribuem para a disseminação do vírus”, explica o Mapa.

Nesta quarta-feira (21), um frigorífico localizado em Santa Catarina informou que abateu mais de 6 mil aves. A decisão veio depois que foi encontrado um foco da doença de Newcastle na localidade de Nova Itaberaba.

Segundo os donos da granja, as carcaças dos animais foram enterradas, bem como os materiais usados no manejo do bando. As aves abatidas eram perus, conforme informações da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).

A entidade fez vistorias no local e aprovou o abate, além de destacar que o espaço deve passar por desinfecção. As equipes da granja também devem fazer um curso de vigilância para conter eventuais novos surtos que ocorram no local.

Frigoríficos serão visitados

O governo catarinense prepara uma força-tarefa para visitar mais de 1,6 mil propriedades perto do local onde o foco da doença foi confirmado. Além de avaliar as condições sanitárias, a ideia é coletar amostras de sangue para análises laboratoriais, conforme pontuou a Cidasc.

Santa Catarina é um dos principais produtores e exportadores de frango do país, com clientes em diversos continentes. Só neste ano, o estado enviou o equivalente a US$ 380 milhões para a União Europeia, US$ 258 milhões para o Japão e US$ 220 milhões em frango para a China, conforme dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

E os impactos disso chegam também às empresas da B3, que já começam a sentir o peso da doença. Empresas como MBRF e JBS viram seus papéis cair nesta semana, depois que os casos da Newcastle foram identificados.

Só a JBS (JBSS32) apresenta queda de 3,5% nos últimos cinco dias, conforme dados da B3. Já a MBRF (MBRF3) chegou a despencar 8% no intervalo de apenas um dia.

No entanto, os analistas não esperam que o surto da doença impacte de forma importante as empresas. Segundo as informações disponíveis até este momento, a doença está mais concentrada no sul do país, o que traz maior previsibilidade às companhias que atuam neste setor.

“Desta vez, a menos que haja um evento generalizado (o que é incomum para essa doença), acreditamos que o impacto possa ser ainda menor, já que vários países alteraram seu protocolo de restrições para um raio de ação”, afirmou o JPMorgan.

JBSS32

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