Eleições 2026: Renan Santos ataca Lula e Flávio, ao lançar candidatura à presidência

O candidato do Missão promete o ajuste fiscal e um "choque de lei e ordem" contra o crime organizado.

Publicado em 01/08/2026 às 19:50h Publicado em 01/08/2026 às 19:50h por Marina Barbosa
Renan Santos apareceem 3º na última pesquisa de intenções de voto AtlasIntel (Imagem: Facebook/Reprodução)
Renan Santos apareceem 3º na última pesquisa de intenções de voto AtlasIntel (Imagem: Facebook/Reprodução)
O partido Missão confirmou a candidatura de Renan Santos à presidência da República, em um congresso realizado neste sábado (1º) em São Paulo.
O evento foi marcado pela venda de itens que vão ajudar a financiar a campanha de Renan Santos, que disparou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à família Bolsonaro.
🗣️ "Nós não somos a negação do PT, nós não somos antipetistas. Nós não somos como outros ratos que se vestem de verde e amarelo, se apropriando dos símbolos nacionais só para dizerem: 'Vejam só, eu sou o oposto do Lula'", afirmou.
E seguiu: "Quando você se define pelo seu inimigo, você nunca o supera. E é por isso que ambos têm que ir para a lata de lixo da história, juntos".
Renan Santos ainda chamou Lula e Flávio Bolsonaro (PL) de "vagabundos" e chamou o candidato do PL de "farsante, fraco e corrompido".
O candidato do Missão ainda recusou o título de candidato da terceira via, que classificou como uma "oposição da oposição".
"Nós não somos nada de terceira via. Nós construímos o próprio caminho com as próprias ideias, com as próprias cores, com o próprio sonho, com a própria imaginação", declarou.

Quem é Renan Santos

Renan Santos é um dos fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre), que liderou os protestos contra o governo de Dilma Rousseff (PT) em 2014, defendendo o combate à corrupção e a Operação Lava Jato.
Após o impeachment de Dilma, o MBL apoiou a agenda de reformas econômicas do governo de Michel Temer (MDB), que incluiu a reforma trabalhista e a criação do teto de gastos.
O movimento chegou a manifestar apoio a Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2018. Porém, rompeu com o ex-presidente nos anos seguintes, por divergências na condução da economia, no combate à corrupção e nas negociações com o Centrão.
Com isso, o MBL defendeu o voto nulo na eleição à presidência de 2022, protagonizada por Lula e Jair Bolsonaro. E, depois disso, mobilizou-se para lançar o próprio partido, o Missão.

1º candidato do Missão

Presidente nacional da Missão, Renan Santos diz que o objetivo do partido é "representar uma nova geração de brasileiros que sofre há décadas nas mãos do cartel partidário".
"O Brasil precisa de um espaço onde seja possível fazer política com transparência, sem conchavos e sem depender dos velhos caciques que controlam nosso sistema", afirma o candidato, no site do partido.
Por ser um partido novo com poucos representantes eleitos, o Missão vai receber menos que os seus concorrentes do Fundo Eleitoral para financiar a campanha eleitoral deste ano.
Por isso, o partido vendeu ingressos para o congresso que oficializou a candidatura de Renan Santos neste sábado (1º), por valores que iam de R$ 94 a R$ 7 mil.
O evento ainda contou com a venda de suvenires e exemplares do "Livro Amarelo", obra que reúne os ideais do partido e serviu de base para o plano de governo de Renan Santos.

As propostas de governo

🔎 Ao lançar a candidatura à presidência, Renan Santos defendeu o ajuste das contas públicas e o combate rigoroso ao crime organizado.
No campo econômico, o objetivo é cortar despesas públicas para que o país volte a ter superávit fiscal, o que poderia ajudar a reduzir a taxa de juros.
O candidato do Missão ainda fez críticas às "esmolas" dadas pelo poder público à população e disse que nenhum estado terá mais beneficiários do Bolsa Família se for eleito.
Para isso, ele ainda promete realizar um mutirão de alfabetização no Brasil. Outra promessa é reduzir o número de favelas no Brasil.
Já na seara da segurança pública, a ideia é promover um "choque de lei e ordem" contra o crime organizado. "Ninguém vai roubar nada, porque nós vamos matar quem roubar", disse.
Candidato a vice, o militar da reserva Aroldo Medina ainda prometeu comandar a primeira incursão ao Morro do Alemão, no Rio de Janeiro.
"Vamos botar aquela bandidagem toda a correr e inauguraremos uma nova era de ordem e progresso para o Brasil", afirmou Medina. 

Em alta nas pesquisas

Renan Santos tem crescido nas pesquisas de intenção de voto e já aparece em terceiro em algumas sondagens.
🗳️ Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na última quarta-feira (29), por exemplo, o candidato do Missão aparece com 7,8% das intenções de voto no primeiro turno.
Com isso, desponta atrás apenas de Lula e de Flávio Bolsonaro, que têm 44,9% e 35,8% das intenções de voto, respectivamente.
Renan Santos ainda aparece bem à frente de candidatos como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que beiram os 3%.
No congresso deste sábado (1º), ele ressaltou o crescimento nas pesquisas, dizendo que "não há energia nos demais candidatos".
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg também mostra, contudo, que Renan Santos receberia menos votos que os seus concorrentes em um eventual segundo turno contra Lula.
Nesse cenário, o candidato do Missão perderia para o petista em um eventual segundo turno, por 47,6% x 30,2% dos votos.