Direita vence eleição na Colômbia e amplia mudança política na América Latina

Abelardo de la Espriella supera Iván Cepeda por margem apertada e mercado reage positivamente.

Publicado em 22/06/2026 às 11:45h Publicado em 22/06/2026 às 11:45h por Wesley Santana
Colômbia é uma das maiores economias da América Latina (Imagem: Shutterstock)
Colômbia é uma das maiores economias da América Latina (Imagem: Shutterstock)

Neste domingo (21), Abelardo de la Espriella (Defensores da Pátria, em português) venceu as eleições presidenciais da Colômbia, conforme os números consolidados das urnas apuradas. O advogado foi eleito com 49,66% dos votos, enquanto seu principal opositor, o governista Iván Cepeda, conseguiu 48,7%, de acordo com o Conselho Nacional Eleitoral.

"Agradecemos a Deus por esse milagre", afirmou o novo eleito, dizendo que houve compra de votos. "Apesar de tudo isso, conseguimos derrotar o regime”, continuou. "Esta é a noite que marca o início de uma nova história para a nação, a noite em que uma nova era começa, uma mudança de rumo, a pátria milagrosa", disse.

No caso de Bogotá, o pós-eleições começa no dia seguinte, quando o órgão eleitoral inicia a recontagem dos votos. Após o fim dessa apuração, o novo presidente é declarado vencedor para começar o processo de transição.

Se confirmado no cargo, Espriella assume a cadeira mais importante do país no dia 7 de agosto. Ele chega em uma votação histórica, que contou com a participação de 63% dos eleitores, a maior registrada desde 1998.

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Nascido na capital do país, essa é a primeira vez que Espriella pode ocupar um cargo eletivo no país. Formado em Direito, ele fez carreira na área jurídica, atuando como criminalista e advogado empresarial em diversos casos de repercussão nacional.

Foi diante desse cenário que se colocou como um nome para lutar contra a insegurança que vem crescendo no país. Sua família também tem tradição no mundo dos negócios, com investimentos nas áreas de imóveis e entretenimento.

Seu slogan de campanha foi “Firme pela pátria”, sempre dito com a camisa da seleção colombiana de futebol. Entre suas promessas de campanha, ele propôs a implementação de um ajuste fiscal, a redução da carga tributária e o fortalecimento do combate ao crime organizado, entre outras medidas.

Oposição deve contestar

A oposição, no entanto, promete contestar o resultado, dizendo que houve fraude. O atual presidente, Gustavo Petro, que não pode se lançar como candidato à reeleição, já começou esse movimento, afirmando que ainda não se pode confirmar um vencedor sem a recontagem dos votos.

"Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. Tranquilidade aos cidadãos, por favor. A realidade nos mostra um país partido ao meio, e a ingerência estrangeira nos tira a liberdade. Impõe-se um acordo nacional se queremos manter a pátria e a paz nos anos que estão por vir", escreveu Petro.

A afirmação dele vem mesmo depois que o CNE informou que as votações foram tranquilas e acompanhadas por observadores internacionais. Eleito em 2022, Petro foi o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia.

Guinada na região

Com a vitória de Espriella, a Colômbia se junta a uma série de países da América Latina que mudaram de lado político nos últimos anos. El Salvador, Equador (Daniel Noboa)Argentina (Javier Milei) são apenas algumas das nações que fizeram uma guinada à direita nas eleições mais recentes.

Ao longo das últimas décadas, a América Latina ficou conhecida por sua baixa alternância de poder. Em países como Brasil, Argentina e Uruguai, os mesmos grupos políticos -geralmente ligados à esquerda- sempre contavam com apoio popular e ganhavam as eleições presidenciais.

Tudo começou a mudar com diversos escândalos de corrupção, que fizeram com que parte da população mudasse sua visão em relação ao voto. Soma-se a isso a eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, que passou a apoiar de forma incisiva candidatos de direita na região.

Bolsa avança

Com o resultado inicial, a bolsa de valores de Bogotá abriu em alta na manhã desta segunda-feira (22). O índice COLCAP cresceu cerca de 4%, sendo negociado no patamar de 2,5 mil pontos, conforme dados da MSCI (Morgan Stanley Capital International), responsável pela gestão do indicador.

A cotação do dólar em relação ao peso colombiano também apresentou variação favorável ao país latino-americano. No fechamento desta reportagem, cada unidade da divisa norte-americana era negociada a 3.418 pesos colombianos.

O mesmo aconteceu com os títulos públicos emitidos em dólar pelo governo colombiano, que se valorizaram depois da divulgação dos resultados. O maior movimento foi visto nos papéis com vencimento de longo prazo, que chegaram a ganhar 8 centavos, conforme informações da Bloomberg.

“O time XP Política não avalia haver caminho para reverter o resultado”, diz a corretora brasileira em comentário divulgado nesta manhã. “As atenções se voltam agora para as nomeações-chave do novo governo, especialmente para as pastas da Fazenda, Minas e Energia”, destaca a equipe de Research.