Casas Bahia (BHIA3): O que diz a empresa sobre laudo da recuperação judicial?
O Grupo Casas Bahia explicou que o laudo possui natureza puramente preliminar e informativa.
Quem conhece as Casas Bahia (BHIA3) da década passada já não faz mais ideia de quem é essa empresa que negocia ações na bolsa de valores hoje. Só no acumulado de cinco anos, a empresa perdeu quase todo o seu valor de mercado, somando um valuation atual de R$ 1,1 bilhão.
O fato é que o valor das ações despencou de R$ 345 para a faixa dos R$ 1,15, preço em que a empresa terminou o pregão da última sexta (26). Neste meio tempo, a empresa enfrentou desafios muito próprios do setor varejista, que fizeram com que ela recalculasse a rota em vários momentos.
Primeiro veio a pandemia e a diminuição no consumo da população, especialmente daqueles que iam às lojas físicas fazer suas compras. Depois, veio a inflação e, consequentemente, a alta da taxa de juros, que hoje é o fator de maior pressão sobre o negócio.
Isso fez com que a empresa somasse uma dívida de R$ 170 milhões, que se juntou a uma pendência da ordem de R$ 4 bilhões. A empresa conseguiu fazer um acordo com seus credores, descartando um eventual pedido de recuperação judicial.
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Apesar disso, a empresa tenta ser otimista, diz que o trabalho de casa está sendo feito e que está passando por um processo de reestruturação que vai colocar tudo nos eixos novamente. Nesta semana, os gestores da companhia até voltaram a falar sobre pagar dividendos aos acionistas, o que não é feito desde 2018.
“Não sabemos exatamente qual vai ser o cenário do varejo, mas será uma companhia que continuará focando no que acreditamos, com crescimento de relevância em qualquer canal que exista daqui a cinco anos e baseado em logística e crediário”, disse Élcio Ito, CFO da Casas Bahia, em entrevista ao Money Times.
No entanto, o foco neste momento é expandir os negócios e aumentar a rentabilidade da operação, conforme destacou o executivo. Mas isso, de certa forma, depende do ambiente monetário, que afeta diretamente o caixa da companhia, encarecendo o custo do crédito.
“Sempre queremos que o macro melhore, que as taxas de juros caiam, porque isso melhora todo o ambiente do varejo como um todo e, principalmente, o nosso, porque nós estamos atuando muito fortemente na base da pirâmide e esse é o brasileiro que mais sofre com esses juros elevados, o endividamento das famílias e o alto custo do crédito”, diz o CFO.
A empresa também enfrenta um cenário de mercado bem diferente do visto anteriormente, quando tinha poucos players como concorrentes. Hoje, sites como Mercado Livre e Amazon surgiram como potenciais concorrentes e levaram parte dos clientes antigos, que agora a companhia tenta recuperar.
A regra, neste caso, foi o ditado “se não pode contra eles, junte-se a eles”, que abriu caminho para parcerias dentro deste segmento. A BHIA3 acertou um contrato com a Amazon no qual a companhia entra com a força logística e operacional que tem por todo o país, enquanto a plataforma faz a divulgação e venda dos produtos.
"Estamos expandindo nossos canais de distribuição mantendo o controle sobre sortimento, preço e, principalmente, a experiência do cliente, alavancando nossa logística como um diferencial competitivo estrutural", afirmou o CEO do Grupo Casas Bahia, Renato Franklin, na época. "Estamos unindo a confiabilidade, conveniência e tecnologia da Amazon com o portfólio e a tradição que a Casas Bahia construiu por décadas no Brasil".
O Grupo Casas Bahia explicou que o laudo possui natureza puramente preliminar e informativa.
Companhia recebeu notificação da bolsa e poderá recorrer a um grupamento de ações para elevar a cotação.
Com o varejo físico fechado, o comércio online e sites estrangeiros conquistaram a preferência dos clientes.
A varejista comunicou à Justiça que os credores se uniram contra seus bens assim que o processo de recuperação judicial foi divulgado.
A decisão veio após a cúpula da varejista sofrer ameaças de um gestor de fundos credores, segundo apuração do Valor Econômico.
Entre os celulares, um Samsung Galaxy A07 4G de 128 GB aparece com lance de R$ 435.
Maior credora do grupo, a Zurich Minas Brasil, parceira em seguros para eletrônicos, tem aproximadamente R$ 1,97 bilhão a receber.
O pedido de recuperação judicial feito pela varejista só agravou a situação dos debenturistas.
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