Copom e 1ª reunião do novo presidente do Fed marcam a semana do mercado

Os analistas ainda acompanham as negociações que podem pôr fim à guerra no Oriente Médio.

Publicado em 14/06/2026 às 19:10h Publicado em 14/06/2026 às 19:10h por Marina Barbosa
A Super-Quarta traz decisões de juros no Brasil e nos EUA (Imagem: Shutterstock)
A Super-Quarta traz decisões de juros no Brasil e nos EUA (Imagem: Shutterstock)
A semana será decisiva para o rumo das taxas de juros, pois promete trazer um desfecho para a guerra no Oriente Médio e as decisões de política monetária mais esperadas do ano no Brasil e nos Estados Unidos.

Guerra

Estados Unidos e Irã indicaram no final de semana que estão próximos de um novo acordo de paz, que pode pôr fim ao confronto no Oriente Médio, permitindo a reabertura do Estreito de Ormuz.
🚨 O presidente americano, Donald Trump, chegou a dizer que o acordo seria assinado neste domingo (14). O Paquistão, que atua como mediador das negociações, confirmou o acordo, mas disse que o termo só seria assinado na sexta-feira (19). Já o Irã ainda não se posicionou oficialmente sobre o assunto.
Os desdobramentos dessa negociação prometem impactar os preços do petróleo nas próximas horas e podem influenciar o rumo da inflação, justamente no momento em que Bancos Centrais discutem o rumo dos juros em diversos locais do mundo.

Copom 

💲 No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne na próxima terça (16) e quarta-feira (17) para definir o rumo da taxa Selic. E, desta vez, não há consenso no mercado sobre qual será a decisão.
Até poucas semanas atrás, a expectativa dos analistas era de que o Copom fizesse um novo corte de juros, levando a Selic dos atuais 14,50% para 14,25%. Porém, essa possibilidade foi posta em xeque nos últimos dias, devido à pressão inflacionária e à força do mercado de trabalho brasileiro.
De acordo com as opções de Copom negociadas na B3, agora o mercado está dividido entre um novo corte e a manutenção da taxa Selic -e a manutenção chegou a sair ganhando nas apostas nos últimos dias, o que levou as taxas do Tesouro Direto às máximas do ano.
Especialista em renda fixa Da Valor Investimentos, Viviane Las Casas explicou que a alta nas expectativas de inflação e nos preços do petróleo reduz o espaço para um novo corte de juros. Porém, lembrou que sinais de desescalada do conflito no Oriente Médio podem trazer algum alívio para esse cenário.
De toda forma, Viviane Las Casas avisou: "Mesmo que o Copom corte agora, o ciclo deve ser mais curto e mais lento do que se imaginava no começo do ano".

Indicadores

No último Boletim Focus, o mercado elevou de 13,25% para 13,50% a expectativa para a Selic terminal de 2025. Essa projeção, contudo, pode ser revista novamente nesta segunda-feira (15).
Outros dados importantes sobre a economia brasileira também serão divulgados nesta semana e podem influenciar a decisão do Copom.
 Entre eles, o resultado das vendas no varejo e a prévia do PIB (Produto Interno Bruto) de abril, previstos para terça (16) e quarta-feira (17), respectivamente.

Fed

🏦 Horas antes do comunicado do Copom, o mundo ainda vai conhecer a primeira decisão de juros do Fed (Federal Reserve) sob o comando de Kevin Warsh.
Indicado por Donald Trump para substituir Jerome Powell na presidência do Banco Central dos Estados Unidos, Kevin Warsh assume em um momento delicado.
Afinal, a inflação tem acelerado e o mercado de trabalho segue mostrando força nos Estados Unidos, mas o presidente Trump já deixou o claro o desejo de uma taxa de juros menor.
Diante disso, a expectativa do mercado é de que o Fed mantenha os juros americanos oscilando entre 3,50% e 3,75% na próxima quarta-feira (17) e possa até voltar a subir os juros até o final do ano.
"Essa combinação de inflação elevada, mercado de trabalho sólido e incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio torna difícil justificar uma retomada do ciclo de cortes dos juros", explicou a economista do C6 Bank, Claudia Moreno.
De toda forma, o mercado estará atento a qualquer sinal diferente dos diretores do Fed e às declarações Kevin Warsh na Super-Quarta.