Copom corta a Selic para 13,75%, o menor patamar em 1 ano e meio

Este foi o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual da taxa de juros brasileira.

Publicado em 16/09/2026 às 18:33h - Atualizado em 16/09/2026 às 19:30h Publicado em 16/09/2026 às 18:33h Atualizado em 16/09/2026 às 19:30h por Marina Barbosa
O Copom é formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central (Imagem: Shutterstock)
O Copom é formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central (Imagem: Shutterstock)
O Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (16).
💲 Com isso, a taxa Selic recuou de 14,00% para 13,75% ao ano, atingindo o menor patamar desde março de 2025. Ou seja, em um ano e meio.
A nova queda da Selic já era dada como certa pelo mercado financeiro, já que a atividade econômica esfriou e a inflação desacelerou no Brasil, chegando a cair 0,32% em agosto.
Ao confirmar o corte, o Copom disse que "essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante".
"Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", acrescentou.

Copom deixa futuro da Selic em aberto

O Copom, no entanto, também observou que os riscos para a inflação permanecem mais elevados do que o usual.
🏦 Diante disso, o comitê manteve a cautela e não deu sinalizações sobre os próximos passos da política monetária, deixando em aberto o futuro da Selic.
"A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta", afirmou o Copom, que prometeu seguir "acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta".
Ou seja, a ideia é seguir monitorando a evolução dos dados para definir o rumo dos juros daqui para a frente.
"O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária", afirmou. 

O que pesa sobre a inflação?

No comunicado desta quarta-feira (16), o Copom observou que o ambiente externo permanece incerto, em função dos conflitos no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária de economias avançadas.
O Fed (Federal Reserve), por exemplo, elevou a taxa de juros americana pela primeira vez em mais de três anos nesta quarta-feira (16) -um movimento que, segundo os analistas, pode fortalecer o dólar e, consequentemente, pressionar a inflação no Brasil, reduzindo o espaço de cortes adicionais da Selic. 
Em relação ao cenário doméstico, o Copom reconheceu a "moderação gradual da atividade econômica" e a desaceleração da inflação. Porém, observou que as expectativas de inflação seguem acima da meta de 3% ao ano.
De acordo com o Boletim Focus, o mercado projeta uma alta de 4,90% da inflação em 2026 e de 4,30% em 2027. Já o Copom projeta uma alta de 3,2% dos preços no primeiro trimestre de 2028, o atual horizonte relevante de política monetária.
Entre os fatores que pressionam as expectativas de inflação, estão a recente disparada do petróleo e o El Niño, já que esses fenômenos podem pressionar os preços dos combustíveis e dos alimentos nos próximos meses.
Além disso, há um temor de que os estímulos fiscais anunciados neste ano eleitoral aqueçam a demanda doméstica e pressionem a inflação.
"O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza", afirmou
O Copom ainda "monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos", por entender que esse movimento contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação. 

A avaliação do mercado 

Diante desse cenário e da postura cautelosa adotada pelo Copom, o mercado se divide sobre os próximos passos da Selic.
De acordo com o Boletim Focus, o consenso é de que a Selic terminará o ano em 13,75%, voltando a cair apenas em 2027. Ou seja, a expectativa é de que o Copom faça uma pausa no ciclo de cortes de juros a partir de agora.
Porém, nem todos concordam com essa tese. A XP, por exemplo, vê espaço para o Copom continuar reduzindo gradualmente os juros ao longo de 2026. Por isso, aposta em uma taxa de juros de 13,25% ao final do ano.
O Copom ainda terá mais duas reuniões em 2026, nos dias 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro. Já a primeira reunião de 2027 está marcada para os dias 26 e 27 de janeiro.