BC revela onde os investidores do Master aplicaram o reembolso do FGC, confira

Os títulos de renda fixa dos grandes bancos foram o destino da maior parte dos valores.

Publicado em 25/05/2026 às 16:12h Publicado em 25/05/2026 às 16:12h por Marina Barbosa
Liquidação do Master liberou mais de R$ 40 bi no mercado no início do ano (Imagem: Shutterstock)
Liquidação do Master liberou mais de R$ 40 bi no mercado no início do ano (Imagem: Shutterstock)
A liquidação do Banco Master deixou muitos investidores de renda fixa com o dinheiro parado por meses e sem o retorno esperado. Por isso, acabou elevando a procura por títulos de grandes bancos.
🏦 De acordo com o BC (Banco Central), 55,1% dos valores ressarcidos aos clientes e investidores do Master foram direcionados a títulos emitidos por outras instituições financeiras. É o equivalente a R$ 20,77 bilhões. 
Porém, 40,9% desse valor ficou com os grandes bancos do chamado S1 -o segmento que reúne a "elite" do mercado financeiro. Isto é, quase R$ 8,5 bilhões.
Para fazer parte do S1, os bancos precisam ter um porte equivalente a pelo menos 10% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil ou forte atuação internacional. 
Por isso, apenas seis bancões fazem parte do S1 atualmente. São eles:
Outros R$ 5 bilhões foram alocados em títulos emitidos por instituições financeiras do pelotão seguinte do mercado brasileiro, o S2.
O S2 reúne instituições e conglomerados financeiros com porte de 1% a 10% do PIB do Brasil, além de forte estrutura de capital.
Segundo o BC, o segmento contava com 10 representantes no final de 2025. Conheça:
O Banco Central concluiu, portanto, que os clientes do Master ressarcidos pelo FGC optaram por direcionar seus recursos principalmente para instituições financeiras de maior porte e de maior relevância sistêmica.
Em Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta segunda-feira (25), o BC disse ainda que esse movimento está "em linha com o esperado em eventos de resolução bancária".
Além disso, a autoridade monetária informou que a crise do Master "não gerou impacto relevante nas taxas praticadas em instrumentos garantidos pelo FGC". Ou seja, não provocou mudanças fortes nas taxas oferecidas pelos títulos que têm a garantia do FGC.
O BC avaliou, portanto, que esta foi uma "crise pontual", que não gerou efeitos sistêmicos e não abalou a confiança no sistema financeiro brasileiro.

E o resto do dinheiro?

💰 Deste valor, R$ 37,7 bilhões já haviam sido efetivamente pagos até 27 de fevereiro de 2026, enquanto R$ 2,7 bilhões ainda aguardavam o pedido de ressarcimento dos seus credores.
Segundo o BC, a maior parte desse recurso foi para títulos de outras instituições financeiras, mas outros títulos de renda fixa também ficaram com parte desse dinheiro.
Além disso, mais de R$ 15 bilhões tiveram outras destinações, provavelmente fora do mercado financeiro, pois não foram aplicados nem em aplicações de renda fixa, nem em ações ou fundos de investimentos.
Veja o destino dos recursos:
  • R$ 20,77 bilhões (55,1%): títulos emitidos por instituições financeiras;
  • R$ 15,46 bilhões (41,0%): outras destinações;
  • R$ 1,47 bilhão (3,9%): títulos privados.