Banco Central corta Selic em 0,25 ponto e taxa cai para 14,25% ao ano

Aprovada por unanimidade, a terceira queda consecutiva da Selic veio como o mercado previa, estendendo os cortes iniciados em março.

Publicado em 17/06/2026 às 19:18h Publicado em 17/06/2026 às 19:18h por Matheus Silva
Na reunião anterior, em abril, o comitê também cortou os juros em 0,25 ponto (Imagem: Shutterstock)
Na reunião anterior, em abril, o comitê também cortou os juros em 0,25 ponto (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (17) cortar a Selic, taxa básica de juros, em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. 
Essa foi a terceira queda seguida da taxa, em decisão unânime e em linha com a expectativa majoritária do mercado.O Copom iniciou o ciclo de afrouxamento monetário em março, após manter a Selic em 15% durante o segundo semestre de 2025.
Na reunião anterior, em abril, o comitê também cortou os juros em 0,25 ponto percentual, por unanimidade, citando na ocasião as incertezas sobre os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e as expectativas de inflação em alta por período mais prolongado.
No comunicado que acompanha a decisão, o Copom voltou a destacar a indefinição sobre os termos do acordo para encerrar os conflitos armados no Oriente Médio e os reflexos já materializados desses conflitos sobre as condições financeiras globais, cenário que exige cautela de países emergentes diante da maior volatilidade de preços de ativos e commodities.

Atividade econômica acelera no 1º trimestre e inflação se distancia da meta

No cenário doméstico, o comitê observou aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos ganhando relevância e o mercado de trabalho ainda mostrando sinais de resiliência. 
A inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram nas divulgações mais recentes, distanciando-se ainda mais da meta e superando o limite superior do intervalo na última leitura.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pelo Boletim Focus permanecem acima da meta, em 5,30% e 4,10%, respectivamente. 
A própria projeção do Copom para o quarto trimestre de 2027, horizonte relevante atual de política monetária, está em 3,7% no cenário de referência.

Riscos de alta e de baixa para a inflação permanecem elevados

O comitê listou riscos em ambas as direções. Entre os riscos de alta, destacam-se uma possível desancoragem mais prolongada das expectativas de inflação, maior resiliência da inflação de serviços, impacto inflacionário de políticas externas e internas combinadas (incluindo câmbio mais depreciado) e estímulos à demanda agregada que levem o crescimento econômico acima do potencial.
Entre os riscos de baixa, o Copom citou uma desaceleração doméstica mais acentuada do que a projetada, uma desaceleração global mais forte ligada a choques de comércio e petróleo, e eventual queda nos preços das commodities com efeito desinflacionário.
O comitê reafirmou que segue acompanhando os impactos da política fiscal doméstica sobre a política monetária e os ativos financeiros, mantendo postura de cautela em um cenário de incerteza elevada. 
Segundo o comunicado, o período prolongado de juros em patamar contracionista já mostrou evidências de transmissão sobre a desaceleração da atividade econômica.
O Copom afirmou que a magnitude total do ciclo de ajuste será estabelecida à luz de novas informações, com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta. 
O comitê avalia que o grau de restrição já acumulado pela política monetária permite diferentes trajetórias de juros compatíveis com essa convergência, ainda sujeitas a incertezas acima do usual.
Votaram pela decisão o presidente Gabriel Muricca Galípolo e os diretores Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
📊 Confira o comunicado na íntegra:
"O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,7% no cenário de referência (Tabela 1).
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.
Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções permanece mais elevada que o usual, em função da falta de clareza sobre a trajetória dos condicionantes dos modelos de projeção analisados.
O período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica. Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.
Na avaliação do Comitê, o grau de restrição acumulado pela política monetária permite diferentes trajetórias de taxas de juros compatíveis com a convergência da inflação para a meta. Os modelos de projeção, utilizando essas trajetórias da taxa básica entre seus condicionantes, estão sujeitos a incertezas acima das usuais na conjuntura atual. Essas incertezas se somam ao cenário de choques de oferta, o que fundamenta a graduação, ao menos parcial, de seus efeitos sobre a dinâmica futura de preços.
Nas simulações atuais, a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta. Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos.
O Comitê julgou apropriado, nesse momento, dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, reduzindo a taxa básica de juros para 14,25% a.a.
No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira."