Elétricas não vivem só de dividendos e pagam renda fixa de quase IPCA+ 10%

Analistas do BTG Pactual garimparam debêntures incentivadas emitidas por companhia elétrica com taxas atrativas.

Publicado em 09/07/2026 às 15:38h Publicado em 09/07/2026 às 15:38h por Lucas Simões
Debêntures emitidas pela Equatorial Goiás entram no radar dos tubarões do mercado (Imagem: Divulgação/Equatorial)
Debêntures emitidas pela Equatorial Goiás entram no radar dos tubarões do mercado (Imagem: Divulgação/Equatorial)
O setor elétrico é um dos pilares na carteira de investidores que gostam de receber bons dividendos, mas as elétricas da bolsa de valores brasileira também podem ser bastante atrativas a partir de seus títulos de renda fixa, em que a empresa capta dinheiro e os investidores recebem juros compostos bem acima do Tesouro Direto
Ao destrinchar as oportunidades disponíveis nas prateleiras das corretoras de valores em 2026, os analistas do BTG Pactual encontraram um ponto de entrada relevante agora nos títulos de crédito privado emitidos pela Equatorial Goiás, uma subsidiária do Grupo Equatorial (EQTL3). Os papéis pagam juros semestrais em janeiro e julho.
Sob o código de negociação CGOSA2, as debêntures incentivadas da Equatorial Goiás apresentam taxa indicativa atual de IPCA+ 8,22% ao ano, mantendo o dinheiro emprestado à companhia elétrica até 15 de janeiro de 2038.
Por conta da isenção de imposto de renda (IR), os títulos incentivados da Equatorial Goiás são equiparáveis a se o Tesouro Direto pagasse IPCA+ 9,62% ao ano.
Aliás, o título público de referência para o ativo, o Tesouro IPCA+ 2035, exibe taxa indicativa de IPCA+ 8,10% ao ano, que mesmo em patamar recorde é bem inferior aos quase IPCA+ 10% ao ano.
Apesar de a aplicação direta em debêntures incentivadas não ser compatível com a estratégia de muitos investidores, dado que o ativo sequer conta com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e o risco de calote é considerável, os analistas do BTG Pactual listam uma série de motivos que justificam a recomendação dos títulos incentivados da Equatorial Goiás. 

IPCA+ 10% vale a pena?

Ao remunerar quase IPCA+ 10% ao ano, é fato que os interessados correrão riscos nas debêntures incentivadas emitidas pela Equatorial Goiás, as quais captaram R$ 1,6 bilhão em janeiro. Porém, os especialistas Frederico Khouri e Matheus Oliveira citam que o Grupo Equatorial, como garantidor dos debenturistas, tem reduzido o seu nível de endividamento. 
"A EQTL3 melhorou a qualidade de sua operação com redução do DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) nos últimos 12 meses, com a subsidiária em Goiás acumulando 1,3 horas a menos em interrupções", destacam a dupla de analistas em relatório.
Outro ponto que traz maior segurança aos debenturistas é o fato de o Grupo Equatorial diversificar seus negócios para além do setor elétrico, ao concluir o controle da companhia de saneamento Copasa (CSMG3) por R$ 7,3 bilhões na privatização. Até 2030, a holding quer se firmar como um grande player em infraestrutura no Brasil. 
Conforme consulta ao assistente inteligente do Investidor10, o Chat IA, se você aplicasse R$ 50 mil nas debêntures incentivadas emitidas pela Equatorial Goiás e resgatasse o investimento só na data de vencimento, teria o retorno de R$ 206.216,40. Já o Tesouro IPCA+ 2035 renderia R$ 132.485,16.
Quanto ao perfil de dívida do Grupo Equatorial, a holding somava caixa de R$ 12,8 bilhões até março de 2026. Até o final do ano, terá de honrar R$ 3,6 bilhões em dívidas. Já em 2027, o desembolso será de R$ 5,4 bilhões. Só a partir de 2030, a empresa terá de amortizar o saldo devedor de R$ 35,3 bilhões.

EQTL3

EQUATORIAL ENERGIA
Cotação

R$ 39,51

Variação (12M)

18,69 % Logo EQUATORIAL ENERGIA

Margem Líquida

2,91 %

DY

4.01%

P/L

32,17

P/VP

1,94