Vale (VALE3) dispara em 2026: O que explica a alta das ações?

O papel chegou a tocar nos R$ 77 nesta quarta-feira (7), o melhor nível em quase três anos.

Publicado em 07/01/2026 às 15:40h - Atualizado em 25/08/2026 às 19:05h Publicado em 07/01/2026 às 15:40h Atualizado em 25/08/2026 às 19:05h por Marina Barbosa
Além do minério de ferro, o níquel pode beneficiar a Vale em 2026 (Imagem: Shutterstock)
Além do minério de ferro, o níquel pode beneficiar a Vale em 2026 (Imagem: Shutterstock)

As ações da Vale (VALE3) atingiram neste início de ano patamares que não eram vistos há um bom tempo.

📈 Isso porque, depois de subir mais de 30% em 2025, o papel já teve uma valorização de quase 7% em 2026.

Com isso, a ação chegou a bater em R$ 77 nesta quarta-feira (7) -a maior cotação desde fevereiro de 2023, ou seja, em quase três anos.

A disparada ocorre em meio à melhora dos fundamentos da companhia e das perspectivas para o mercado de commodities.

Minério de ferro

⚒️ Principal produto da Vale, o minério de ferro teve uma forte alta de preços neste início do ano, embalado pelos sinais de que a China vai afrouxar a sua política monetária para estimular o crescimento local.

A China é o maior consumidor mundial do metal e poderia elevar a demanda pela commodity em um cenário de juros mais baixos.

Além disso, há uma expectativa de que as siderúrgicas ⁠chinesas reabasteçam seus estoques antes do Ano Novo ‌Lunar, em fevereiro.

Por isso, não foi apenas a Vale que saltou na bolsa nos últimos dias. Siderúrgicas como Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3) também estão com um saldo positivo em 2026, até esta quarta-feira (7).

Níquel

🔎 Ainda há outro fator pesando a favor especificamente da Vale: a recuperação dos preços do níquel.

A Vale é uma das maiores produtoras globais de níquel. E, embora tenha passado alguns trimestres queimando caixa com essa operação, agora pode colher os frutos dessa aposta, segundo o BTG Pactual.

Em relatório enviado a clientes, o banco explicou que os preços do níquel avançaram mais de 25% no último mês, devido a mudanças no mercado da Indonésia, o principal produtor mundial da commodity.

"Atrasos no processo de licenciamento e a falta de clareza sobre as aprovações de projetos estão criando dúvidas sobre a disponibilidade futura de minério e o aumento da capacidade de extração de níquel, mantendo os preços sustentados por precaução", explicou o BTG.

💲 Embora reconheça que ainda é preciso confirmar essa nova tendência de preços do níquel, o banco acredita que "este é um desenvolvimento marginalmente positivo que pode ajudar a reavaliar a divisão de Metais Básicos da Vale".

"Faz pouco sentido para a Vale ser negociada como uma empresa puramente de minério de ferro se ela tem uma exposição de quase 20% a metais básicos, e essa participação continua crescendo, com concorrentes globais negociando a níveis muito mais altos", acredita o BTG.

Pelos cálculos do banco, a unidade de metais básicos da Vale deve gerar um Ebitda de US$ 3 bilhões em 2026. Além disso, o Ebitda consolidado da empresa poderia crescer 8% com o recente aumento nos preços do níquel e do cobre, "o que é bastante relevante".

Ainda vale a compra?

Diante disso, o BTG reafirmou a recomendação de compra para as ações da Vale, apesar da recente disparada do papel.

"Embora não seja uma pechincha absoluta após a alta, a Vale negocia a um múltiplo EV/EBITDA de pouco mais de 4x, contra pares de 5 a 6x, e oferece rendimentos de dividendos potenciais próximos a 10% para 2026", explicou.

O banco disse também que as melhores condições do mercado de metais básicos ainda não estão precificadas. Por isso, mantém um preço-alvo de R$ 80 para as ações da Vale.

VALE3

Vale
Cotação

R$ 67,90

Variação (12M)

20,23 % Logo Vale

Margem Líquida

4,75 %

DY

8.27%

P/L

29,07

P/VP

1,53