De mansão a uísque caro, Flávio Bolsonaro e Lula selam destino em Debate da Globo

Os candidatos à Presidência protagonizaram uma série de ataques pessoais e esvaziaram o discurso propositivo.

Publicado em 24/10/2026 às 00:50h - Atualizado em 24/10/2026 às 01:21h Publicado em 24/10/2026 às 00:50h Atualizado em 24/10/2026 às 01:21h por Lucas Simões
Debate da Globo marca o último duelo entre Flávio Bolsonaro e Lula antes do 2º turno (Imagem: Globo/Manoella Mello)
Debate da Globo marca o último duelo entre Flávio Bolsonaro e Lula antes do 2º turno (Imagem: Globo/Manoella Mello)
Os candidatos à Presidência do Brasil que se enfrentam no 2º turno das Eleições 2026, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcaram presença na noite desta sexta-feira (23) no Debate da Globo, realizado no Rio de Janeiro, o último encontro televisivo de grande repercussão antes da votação marcada para o próximo dia 25 de outubro. A mediação foi do jornalista César Tralli, que conduziu o programa em quatro blocos.
Vale recordar que a emissora Globo cancelou o debate televisivo que ocorreria no dia 1º de outubro, antes da votação em 1º turno, diante de decisões judiciais sobre suas regras. Lula, desde o início, recusou-se a comparecer e preferiu conceder entrevista a podcast. Flávio Bolsonaro desistiu momentos antes.
A poucas horas de mais um encontro dos eleitores com as urnas eletrônicas, o duelo de ideias e acusações entre os presidenciáveis teve pouco mais de duas horas de duração e, assim como no último Debate da Band, focou em temas espinhosos para ambos os lados, como o caso do Banco Master, a influência do governo Trump nas eleições brasileiras e a situação econômica.

Salário mínimo de R$ 900 e Plano Safra

O primeiro bloco do debate foi delimitado com perguntas específicas sobre as cinco regiões do Brasil e mais uma pergunta extra sobre infraestrutura a cada um dos candidatos presentes.
Quando foi abordada a Região Sudeste, a mais populosa do país, Lula construiu a linha de raciocínio de que, se não fossem as suas políticas de reajuste do salário mínimo em seus governos, atualmente o salário mínimo na região seria de apenas R$ 900 por mês.
"Como alguém pode querer ser presidente se nem sabe quanto seria o salário mínimo sem considerar os reajustes do governo do PT", disse Lula.
Quando a Região Centro-Oeste foi sorteada, Flávio Bolsonaro frisou a péssima relação que Lula construiu com o agronegócio e indagou o porquê de o petista odiar tanto quem produz alimentos no país.
Flávio citou dificuldades dos produtores rurais no atual Plano Safra, criticando as elevadas taxas de juros e dificuldades na concessão de crédito. Como proposta, disse que usará mais tecnologia para ajudar na produtividade do campo. 

Banco da Prosperidade e SUS salvou o Jair

Durante o segundo e terceiro blocos, os presidenciáveis deviam debater temas específicos como políticas sociais, dívida pública e sistema único de saúde. No total, dez temas poderiam ser escolhidos, mas apenas seis foram utilizados na dinâmica. 
"Eu vou ajudar a pagar a sua dívida com o Banco da Prosperidade, a Caixa Econômica Federal", disse Flávio Bolsonaro ao tratar da pauta econômica, citando que seu favoritismo nas Eleições 2026 já reduziu drasticamente os juros futuros, abrindo espaço para políticas sociais que atendam aos mais pobres.
Lula questionou se Flávio Bolsonaro aplicará o tesouraço em gastos com saúde, prejudicando o SUS. O candidato do PL negou que prejudicará o atendimento aos mais pobres e que a economia em seu governo virá por meio do combate à corrupção.
"Meu pai [o ex-presidente Jair Bolsonaro] foi salvo pelo SUS", disse Flávio Bolsonaro, relembrando que Jair Bolsonaro recebeu atendimento público na Santa Casa em Juiz de Fora, logo após a facada em ato político em 2018. O senador também criticou o governo Lula por não reajustar os valores da tabela SUS.

Richarlison, Vorcaro e Roberta Luchsinger

Flávio Bolsonaro abriu o quarto bloco do Debate da Globo com direito de resposta, o qual usou o tempo para explicar sua proposta às mulheres em situação de vulnerabilidade social e violência doméstica. O bloco derradeiro no debate da Globo foi marcado por três personagens que ajudaram a construir as narrativas dos candidatos: o jogador de futebol Richarlison, o ex-baqueiro Daniel Vorcaro e a lobista Roberta Luchsinger.
Com tema livre e administração de 8 minutos para cada candidato, Lula indagou o seu adversário sobre a tomada da mansão avaliada em R$ 10 milhões do jogador Richarlison, da seleção brasileira, o qual alega que o senador Flávio Bolsonaro, junto ao seu amigo e advogado Willer Tomáz, se apossaram de ilha particular com uso de influência na Justiça. 
"Você [Richarlison] deve ter comprado o terreno do MST", disse Flávio Bolsonaro em resposta a Lula sobre o caso da ilha. Também aproveitou a sua fala para evocar o recebimento de uísque de R$ 500 mil pelo presidente Lula do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
"Esse uísque deve ter sabor de vergonha" disse Flávio, ao calcular de cabeça que cada dose da bebida recebida de presente por Lula valeria R$ 50 mil.
"Esse uísque deve ter sido tomado por você em 2020 com os doleiros da vacina Covaxin em lancha que tinha muita gente", rebateu Lula, citando suposta negociata entre o senador Flávio Bolsonaro em pleno período pandêmico no Brasil, que resultou em mais de 700 mil mortos. Lula acusou o candidato do PL de buscar benefícios com interlocutores da vacina indiana Covaxin durante a gestão de Jair Bolsonaro.
Em dado momento do bloco livre, o tema Banco Master se acalorou entre os candidatos. Lula comentou que quem seria amigo de Vorcaro e teria pego R$ 134 milhões era o seu adversário. "Não me coloque nessa vala comum", bradou o petista.
Por sua vez, Flávio desmentiu irregularidades do financiamento do filme Dark Horse, em homenagem ao seu pai, evocando relatórios da Polícia Federal, mas alegando que o filme sobre Lula teve aporte de R$ 30 milhões "por fora", com dinheiro do Vorcaro.
Na sequência, Flávio Bolsonaro empilhou acusações contra Lula sobre ocultação de patrimônio, passando pelo triplex do Guarujá, sítio de Atibaia e também da relação de seu filho, o Lulinha, com a lobista Roberta Luchsinger, a qual já chamou o presidente petista de mau-caráter.
O primeiro a dirigir suas considerações finais à audiência foi Lula, que se desculpou pelo tom elevado do debate. Defendeu que é um homem que tem "biografia" e história, dizendo que o próximo dia 25 de outubro será decisivo para a democracia do país.
Flávio recebeu outro direito de resposta e usou o tempo para tecer promessas de combate à criminalidade nas ruas, especialmente o roubo a celulares. Em suas considerações finais, Flávio se comprometeu a devolver o poder de compra aos brasileiros e lutar pela liberdade dos cidadãos de bem.

Empate de 50% a 50%

O Instituto Datafolha divulgou nesta semana uma nova pesquisa eleitoral sobre os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), em que, a apenas poucas horas do 2º turno das Eleições 2026, ambos os presidenciáveis surgem numericamente empatados com 50% dos votos válidos.
Vale enfatizar que a contabilização dos votos válidos é a forma pela qual o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aponta o vencedor das Eleições 2026, uma vez que são desconsiderados os votos em branco ou nulos.
Na pesquisa do Datafolha divulgada em 16 de outubro, Flávio Bolsonaro tinha 51% dos válidos e Lula, 49%. Quanto ao primeiro levantamento, logo após o 1º turno, no dia 8 de outubro, o placar era de 52% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e apenas 48% para o petista.