Panda Bonds: Vale (VALE3) quer emitir títulos de renda fixa na China

A mineradora brasileira mira a captação de até R$ 7,5 bilhões no mercado chinês.

Publicado em 20/10/2026 às 11:52h Publicado em 20/10/2026 às 11:52h por Marina Barbosa
Panda Bonds podem ajudar empresas brasileiras a diversificar suas fontes de financiamento (Imagem: Shutterstock)
Panda Bonds podem ajudar empresas brasileiras a diversificar suas fontes de financiamento (Imagem: Shutterstock)
A Vale (VALE3) está de olho no crescimento dos Panda Bonds, os títulos de dívida emitidos em moeda chinesa. Por isso, pediu autorização para entrar nesse mercado.
💰 A mineradora brasileira pretende emitir títulos de dívida denominados em renminbi para o período de 2026 a 2028, com montante principal agregado de até RMB 10 bilhões. É o equivalente a US$ 1,5 bilhão ou R$ 7,5 bilhões, no câmbio atual.
Para isso, a Vale apresentou um pedido de registro do seu programa de Panda Bonds à NAFMII (Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro da China), por meio da subsidiária Vale Overseas Limited.
Em comunicado publicado nesta terça-feira (1º), a Vale ressaltou que o registro ainda depende da aprovação da NAFMII. Logo, a apresentação do pedido ainda não constitui uma emissão de Panda Bonds.
A mineradora disse ainda que qualquer emissão futura também estará sujeita às condições de mercado vigentes, entre outros fatores.
Caso o projeto avance, os títulos de dívida serão integralmente garantidos pela Vale e serão ofertados exclusivamente no Mercado Interbancário de Títulos da China.
Dessa forma, os possíveis Panda Bonds da Vale não devem ser registrados ou vendidos nos mercados dos Estados Unidos e do Brasil, exceto em circunstâncias que não configurem oferta pública ou distribuição não autorizada.

Panda Bonds em alta

📈 Os Panda Bonds vêm crescendo de forma acelerada nos últimos meses, sobretudo devido à entrada de um maior número de emissores estrangeiros no mercado de dívida chinês.
As emissões desse tipo de título movimentaram 160 bilhões de renminbi só no primeiro semestre de 2026, uma alta de 69% em relação ao mesmo período de 2025. E praticamente metade dessas emissões ficou a cargo de governos, bancos e empresas estrangeiras, segundo a S&P.
Na avaliação da agência de classificação de risco, os Panda Bonds têm apresentado uma "vantagem de custo" em relação aos títulos emitidos no mercado dos Estados Unidos, pois muitas vezes saem com rendimentos inferiores aos dos tradicionais bonds americanos.
"O diferencial negativo de rendimento (yield spread) entre a China e os EUA, aliado a um RMB relativamente estável e moderadamente forte, sustenta essa vantagem de custo", afirmou a S&P, em relatório publicado em agosto de 2026.
Especialistas também veem os Panda Bonds como uma forma de ampliar e diversificar as fontes de financiamento dos governos e empresas estrangeiras, que faz sentido sobretudo para agentes com negócios ligados à China, como é o caso da Vale.

Brasil de olho

No Brasil, a estratégia já foi usada pela Suzano (SUZB3) em novembro de 2024, para captar 1,2 bilhão de renminbi (aproximadamente US$ 165 milhões à época). Porém, o governo trabalha para ampliar essa lista.
O próprio governo brasileiro avalia emitir títulos de renda fixa na China, tanto que o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, voltou a discutir o assunto com o vice-governador do Banco Popular da China, Xuan Changneng, nesta segunda-feira (19).
Em junho, quando falou pela primeira vez sobre a possibilidade, o secretário do Tesouro disse que a iniciativa era importante para ampliar a base de investidores e diversificar os indexadores da dívida pública brasileira, mas também para dar referência às empresas que pretendem acessar esse mercado.

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