Paraguai convoca embaixador do Brasil após fala de Lula sobre a Guerra do Paraguai

Conversa entre os presidentes não evitou o agravamento da crise diplomática provocada pelas declarações do presidente brasileiro.

Publicado em 30/07/2026 às 17:43h Publicado em 30/07/2026 às 17:43h por Wesley Santana
Relações diplomáticas entre países já duram mais de 180 anos (Imagem: Shutterstock)
Relações diplomáticas entre países já duram mais de 180 anos (Imagem: Shutterstock)

Nesta quinta-feira (30), os presidentes do Brasil e do Paraguai conversaram por telefone para tratar de uma crise diplomática aberta há alguns dias. Tudo começou quando o presidente Lula afirmou que as tropas de Assunção invadiram o interior do país, dando início à chamada "Guerra da Tríplice Aliança" ou apenas “Guerra do Paraguai", como ficou popularizada.

"A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que não seria nada, durou cinco anos", disse o líder brasileiro, enquanto defendia o aumento dos investimentos em Defesa.

A fala foi recebida com certa estranheza do outro lado da fronteira, dada a sensibilidade do tema no país vizinho. Diversos políticos paraguaios se posicionaram sobre o assunto, abrindo uma crise entre os dois países, que mantêmrelações bilaterais há mais de 180 anos.

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Mesmo com a conversa telefônica, a chancelaria de Santiago Peña convocou o embaixador do Brasil no Paraguai, José Antonio Marcondes de Carvalho, para conversas. A reunião deve acontecer nos próximos dias e será liderada pelo vice-presidente Pedro Alliana.

A Guerra do Paraguai é um assunto delicado para o país vizinho, que terminou o conflito com quase 70% da população morta, em 1870. Esta é considerada a maior disputa armada da região, dado que Argentina e Uruguai também se juntaram ao Exército brasileiro.

O episódio entre Assunção e Brasília é só mais um dos diversos que têm sido acumulados entre mandatários da América do Sul, que agora têm posições políticas bem divergentes. Na semana passada, o presidente Javier Milei ofendeu o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes (do Supremo Tribunal Federal) durante o evento que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, abrindo uma crise entre as duas maiores economias do Mercosul.

Milei chamou Lula de “ladrão” e “delinquente”, enquanto classificou Moraes como “lixo careca”. O Palácio do Planalto também convocou o embaixador argentino para transmitir o posicionamento de Lula sobre o assunto.

“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, diz nota divulgada pelo Itamaraty.

Congresso pede troféu de volta

O Congresso do Paraguai também aprovou uma nota de repúdio às falas de Lula, de forma unânime. Os parlamentares acusam o governo brasileiro de distorcer os fatos e minimizar a dimensão da guerra.

Eles ainda pedem que o Brasil devolva o canhão El Cristiano, que foi levado pelo Brasil como troféu de vitória na guerra. O objeto foi produzido com materiais de igrejas de Assunção, por isso o nome que, na tradução para o português, significa “O Cristão”.