Itaúsa (ITSA4) deve investir em novas empresas caso juros caiam no Brasil

A holding disse estar pronta para retomar os aportes em caso de melhora na economia.

Publicado em 07/10/2026 às 14:41h Publicado em 07/10/2026 às 14:41h por Marina Barbosa
Itaúsa não entra em novas empresas desde 2022 (Imagem: Divulgação)
Itaúsa não entra em novas empresas desde 2022 (Imagem: Divulgação)
A Itaúsa (ITSA4) pode fazer novos investimentos e ampliar o seu portfólio de empresas caso o cenário econômico melhore e os juros caiam de forma substancial no Brasil.
A mensagem foi transmitida durante o Panorama Itaúsa deste ano. O evento realizado na terça-feira (6), pouco depois que a Bolsa disparou diante da possibilidade de que a eleição presidencial leve a uma mudança na política fiscal e à queda dos juros.
"Temos passado por um momento na economia com crescimento relativamente baixo e taxa de juros alta. Isso limita a possibilidade de investimento com retorno apropriado. De qualquer forma, estamos sempre preparados, porque o cenário muda", afirmou o presidente do Conselho de Administração da Itaúsa, Raul Cafat.
Segundo ele, a holding já tem um mapeamento de diferentes setores que são do seu interesse, além de "conversas avançadas com vários players". Por isso, está "preparada para agir" caso o cenário mude e as taxas de juros caiam mais substancialmente. 
O recado foi reforçado pelo CEO da Itaúsa, Alfredo Setúbal, em entrevista concedida ao "CNN Money" pouco depois do evento.
Segundo ele, a holding vem atuando de forma mais cautelosa, mas conseguiria apontar ativos que justificam novos investimentos caso houvesse uma melhora na perspectiva e no custo de capital.
"Se a economia crescer, os problemas geopolíticos diminuírem e a taxa de juros diminuir no Brasil, com certeza voltaremos a campo para fazer novos investimentos", afirmou Setúbal.

O portfólio da Itaúsa

A Itaúsa é uma holding de investimentos que mantém participações em sete empresas brasileiras no momento: Itaú (ITUB4), Dexco (DXCO3), Alpargatas (ALPA4), Motiva (MOTV3), Aegea, Copa Energia e NTS.
O objetivo da holding é investir em empresas líderes de mercado, que apresentam solidez, governança especializada e uma boa relação entre risco e retorno. 
Porém, Setúbal diz que encontrar esse pacote ficou difícil nos últimos anos, sobretudo por causa da alta de juros no Brasil, que elevou o custo de capital. Por isso, a Itaúsa não investe em nenhuma nova empresa desde o final de 2022, quando entrou na Motiva. 
"A gente fica mais confortável, nesse ambiente mais confuso do Brasil e internacional, de investir nas empresas que a gente já conhece", disse.
Em 2026, por exemplo, a Itaúsa injetou novos recursos e elevou a sua participação na Aegea. Além disso, comprou mais ações da Alpargatas, por entender que os papeis da dona da Havaianas estão subavaliados no mercado.
Ainda assim, Setúbal acredita que o país pode entrar em um novo ciclo de oportunidades, o que permitiria à holding fazer novos investimentos que agreguem valor e não aumentem o risco-retorno do seu portfólio.
"Apesar de todos os riscos, o Brasil também dá muita oportunidade de crescimento e retorno aos investidores e nós sabemos escolher bem os investimentos", afirmou o executivo no Panorama Itaúsa, mostrando-se confiante na melhora da economia doméstica.
Apesar do timing do evento, a diretoria da Itaúsa evitou fazer comentários sobre o cenário eleitoral e não condicionou essa melhora econômica ao resultado das eleições de 2026.

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