IPCA: Inflação desacelera para 0,16% em junho, abaixo do esperado

O resultado tende a reforçar as apostas do mercado em um novo corte da taxa Selic.

Publicado em 10/07/2026 às 09:54h Publicado em 10/07/2026 às 09:54h por Marina Barbosa
O resultado do IPCA reflete a redução dos preços dos alimentos e dos combustíveis (Imagem: Shutterstock)
O resultado do IPCA reflete a redução dos preços dos alimentos e dos combustíveis (Imagem: Shutterstock)
A inflação oficial brasileira desacelerou em junho, em meio à redução dos preços dos combustíveis e dos alimentos.
💲 O indicador subiu apenas 0,16% e ficou abaixo do esperado pelo mercado, que projetava uma alta de 0,31% da inflação mensal.
De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), este foi o menor resultado mensal do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) desde outubro de 2025.
Em maio de 2026, por exemplo, o índice havia saltado 0,58%, pressionado pelos preços dos alimentos e da energia elétrica.
Com esse resultado, a inflação acumula uma alta de 3,36% em 2026 e de 4,64% no acumulado dos últimos 12 meses.
O resultado da inflação acumulada em 12 meses recuou frente aos 4,72% registrados em maio. Porém, segue acima da meta perseguida pelo BC (Banco Central), que é de 3% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.

Impacto na Selic

🏦 O resultado do IPCA de junho reduz parcialmente as preocupações com uma inflação persistentemente elevada e reforça a percepção de um ambiente mais favorável para os juros, segundo a CEO da Magno Investimentos, Olívia Flôres de Brás.
"Uma inflação abaixo do esperado reduz a pressão sobre a curva futura, melhora o cenário para a renda variável e beneficia setores mais sensíveis ao custo do crédito, como varejo, construção civil e consumo", afirmou.
O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, também vê uma "implicação imediata" para a política monetária. Por isso, acredita que as projeções do mercado devem cair nas próximas edições do Boletim Focus.
Analistas também lembram, no entanto, que a cotação internacional do petróleo voltou a subir após a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã, o que pode voltar a influenciar os preços dos combustíveis. Por isso, a percepção é de que o risco inflacionário ainda não foi totalmente dissipado.
Atualmente, o Boletim Focus aponta para uma alta de 5,30% da inflação e só mais um corte de juros em 2026, que deixaria a Selic em 14,00% no final do ano.

O que influenciou o IPCA?

⛽ De acordo com o IBGE, os preços dos alimentos e dos combustíveis recuaram em junho, ajudando a conter a alta da inflação.
No grupo dos alimentos e bebidas, o baque foi de 0,24%, mas itens como café moído (-3,72%), frutas (-1,58%) e carnes (-0,64%) caíram ainda mais.
Já entre os combustíveis, a queda foi generalizada entre etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%). Por isso, o impacto na inflação foi negativo em 0,48%.
Apesar disso, a inflação do grupo dos transportes teve um resultado positivo de 0,17%, porque as passagens aéreas seguiram em alta no mês.
💡 A conta de luz também seguiu pressionando o bolso do consumidor e, consequentemente, impediu uma desaceleração maior da inflação.
Segundo o IBGE, o custo da energia elétrica residencial subiu 1,53% em junho, devido à permanência da bandeira amarela da conta de luz e a reajustes das tarifas praticadas em locais como Porto Alegre e Curitiba.
As despesas pessoais e os custos com saúde também contribuíram com a alta da inflação de junho.

Veja como os grupos da inflação se comportaram em junho:

  • Habitação: 0,63%;
  • Despesas pessoais: 0,25%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,23%;
  • Artigos de residência: 0,23%;
  • Comunicação: 0,19%;
  • Vestuário: 0,17%;
  • Transportes: 0,17%
  • Educação: -0,02%;
  • Alimentação e bebidas: -0,24%.