Inflação do aluguel cai 1,16% em julho e registra segunda queda consecutiva

Recuo foi impulsionado pela queda dos combustíveis e derivados de petróleo, segundo a FGV.

Publicado em 30/07/2026 às 09:10h Publicado em 30/07/2026 às 09:10h por Wesley Santana
Aluguel consome parte importante da renda mensal de famílias brasileiras (Imagem: Shutterstock)
Aluguel consome parte importante da renda mensal de famílias brasileiras (Imagem: Shutterstock)

Diferente da inflação oficial, alguns índices setoriais parecem mostrar um alívio no bolso dos consumidores. É o caso do IGP-M, que serve para monitorar o preço dos aluguéis no Brasil.

Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, o indicador terminou o mês de julho com variação negativa de 1,16%. Com isso, o IGP-M vem apresentando queda pela segunda vez consecutiva, já que, em junho, o recuo havia sido de 0,5%.

O resultado mais recente ficou dentro da expectativa dos analistas do mercado, que previam uma variação negativa de até 1,4%. Diante disso, o indicador acumula alta de 2,76% nos últimos 12 meses.

“O resultado do IGP-M segue amplamente influenciado pelo IPA [Índice de Preços ao Produtor Amplo], que registrou nova baixa puxada por combustíveis e derivados de petróleo. A reversão das pressões dos meses anteriores reflete o recuo das tensões entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz, que reduziu as cotações internacionais do petróleo e se repassou rapidamente ao índice. Ainda assim, parte da cadeia petroquímica permanece pressionada por fretes, câmbio e óleos básicos”, afirmou o economista do FGV Ibre, Matheus Dias.

Leia mais: IPCA-15: Prévia da inflação desacelera mais do que o esperado em julho

Os números do IGP-M vêm alguns dias antes do resultado da inflação oficial, que tem sido acompanhada de perto pelo mercado. Com vários fatores internacionais contribuindo para a aceleração do indicador, este é um dos motivos pelos quais a taxa de juros está acima dos 14% ao ano.

No entanto, há quem aposte em um número mais tranquilo para este mês de julho. O IPCA-15, que funciona como a prévia da inflação oficial, divulgado há alguns dias, apontou uma aceleração de 0,06% no indicador, anotando um total de 3,5% nos últimos 12 meses.

A FGV também divulgou os dados do IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que registrou redução de 0,01% em julho. O órgão ainda publicou o resultado do INCC, que mede a construção civil e, neste caso, subiu 0,62% no mesmo período.

“O IPC apresentou desaceleração, refletindo a desinflação dos alimentos in natura, parcialmente compensada pela elevação das passagens aéreas — item pressionado pela sazonalidade das férias de julho e pelo repasse defasado de reajustes anteriores do QAV. Já no INCC, o avanço dos custos da construção civil permaneceu concentrado no componente de mão de obra, refletindo reajustes salariais observados principalmente em Recife e São Paulo, o que mantém a pressão sobre os custos do setor apesar da menor contribuição dos materiais de construção.”, continua Dias.