Fim do split payment? Daniella Marques diz que governo Flávio acabaria com o recurso

O sistema fará a separação automática dos tributos no momento da compra.

Publicado em 08/10/2026 às 09:42h - Atualizado em 08/10/2026 às 09:46h Publicado em 08/10/2026 às 09:42h Atualizado em 08/10/2026 às 09:46h por Elanny Vlaxio
O mecanismo está previsto na reforma tributária  (Imagem: Agência Brasil)
O mecanismo está previsto na reforma tributária (Imagem: Agência Brasil)
O split payment, mecanismo previsto na reforma tributária para separar e recolher automaticamente os impostos em determinadas operações, pode ser extinto caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente.
A afirmação foi feita por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e coordenadora econômica da campanha do senador, durante entrevista ao canal do jornalista Claudio Dantas no YouTube.
Segundo Daniella, o mecanismo prejudica principalmente o capital de giro de pequenos negócios. Ao ser questionada diretamente se a equipe econômica de Flávio pretende acabar com o split payment, ela respondeu: “Claro que sim.”
“Vou homenagear aqui Carlos Bolsonaro e Adolfo Sachsida que já pautaram esse governo e foram muito vocais, foram implacáveis contra o split payment, que simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado”, afirmou a ex-presidente da Caixa.

Como funciona o split payment

O split payment integra a estrutura da reforma tributária e prevê a separação e o recolhimento dos tributos em determinadas operações entre empresas. O mecanismo está previsto para funcionar de forma opcional no segundo semestre de 2027 e, posteriormente, de maneira obrigatória.
A ferramenta está relacionada ao novo modelo de tributação baseado no IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e na CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). O IBS resultará da substituição de tributos estaduais e municipais, enquanto a CBS substituirá PIS/Cofins.
A lógica do sistema é fazer com que o imposto seja separado no momento do pagamento da operação, em vez de ser recolhido posteriormente. O mecanismo também pode reduzir a evasão, a sonegação e a inadimplência tributária.

Mudança não dependeria apenas do governo federal

Apesar da declaração de Daniella, a eventual eliminação do split payment não dependeria exclusivamente de uma decisão do governo federal. Segundo as informações divulgadas sobre o tema, uma mudança precisaria também do aval do Comitê Gestor formado por estados e municípios.
Especialistas também questionam a ideia de que o mecanismo necessariamente provoque perda de capital de giro. A separação do imposto ocorre quando o tributo ainda não foi quitado e, em determinadas operações à vista, o split pode não ocorrer ou ser apenas parcial caso a empresa tenha crédito.
Além disso, o sistema não funciona nas vendas do varejo para pessoas físicas, nas operações com cartões e também não se aplica ao MEI.

Defesa do mecanismo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, saiu em defesa do split payment e contestou a proposta de extinção apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo Durigan, o mecanismo aumenta a transparência, reduz fraudes fiscais e pode contribuir para uma alíquota menor dos novos impostos sobre o consumo. 
O ministro também afirmou que o sistema dificulta a atuação das chamadas “noteiras”, empresas utilizadas para emissão de documentos fiscais fraudulentos. Ainda de acordo com Durigan, a implementação será gradual e começará pelas operações entre empresas, sem atingir diretamente, na etapa inicial, pequenos comerciantes que vendem para o consumidor final. 
“O split payment é mais uma inovação tecnológica da reforma tributária. Ele garante transparência e simplificação tributária”, afirmou. Segundo o ministro, o modelo também restringe a atuação das chamadas “noteiras”, empresas utilizadas para emissão de documentos fiscais fraudulentos.