Ex-presidente do Paraguai é preso em casa após impeachment

Santiago Peña estaria envolvido na crise financeira do Ueno Bank, o maior banco digital em número de clientes do país.

Publicado em 06/11/2026 às 21:35h Publicado em 06/11/2026 às 21:35h por Lucas Simões
Senado do Paraguai aprovou o impeachment contra Santiago Peña (Imagem: Gobierno de Paraguay)
Senado do Paraguai aprovou o impeachment contra Santiago Peña (Imagem: Gobierno de Paraguay)
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña, cuja maioria no Senado acaba de aprovar o seu processo de impeachment, foi preso no início da noite desta sexta-feira (6) em sua residência, à medida que as autoridades policiais do vizinho sul-americano atribuem relação do então presidente paraguaio com a crise financeira do Ueno Bank, que se assemelha bastante com o episódio brasileiro do Banco Master.
Segundo informações da imprensa local, o Ministério Público do Paraguai decretou a prisão preventiva de Santiago Peña, que foi devidamente cumprida por agentes da Polícia Nacional, órgão equivalente à nossa Polícia Federal. 
A prisão do ex-chefe do Poder Executivo do Paraguai aconteceu pouco após os senadores do país aprovarem por maioria a destituição de Santiago Peña. Por ora, o vice-presidente tomou posse como novo chefe da República do Paraguai.
Além de Santiago Peña, também foi alvo de prisão preventiva o ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, no âmbito de uma investigação por lesão de confiança e outros delitos. Carvallo já exerceu cargo de diretoria no Ueno Bank pouco antes de Santiago Peña o nomear como banqueiro central do país.
Para se ter uma ideia da magnitude da crise gerada pela falência do Ueno Bank, vale destacar que 60% da população adulta do Paraguai mantinha conta corrente no banco digital, além de milhares de brasileiros com negócios no país ou seduzidos pelo discurso de influenciadores sobre as vantagens tributárias da nação vizinha.
Como a maioria dos brasileiros prejudicados pela liquidação financeira do Ueno Bank só tinha conta nesse banco digital, os mesmos encontram-se no final da fila de pagamentos implementada pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) do Paraguai.
O limite de ressarcimento que os brasileiros afetados terão direito é de até 75 salários mínimos mensais do país, montante de 228,3 milhões de guaranis (a moeda oficial do Paraguai). Na conversão, a quantia se aproxima de R$ 200 mil.