Eli Lilly testa medicamento que pode substituir cirurgia bariátrica; entenda

A empresa divulgou resultados da retatrutida mostrando perda de 30% do peso corporal em dois anos, rivalizando com a cirurgia bariátrica.

Publicado em 21/05/2026 às 15:33h Publicado em 21/05/2026 às 15:33h por Matheus Silva
Os dados foram divulgados pela empresa e ainda não passaram por revisão (Imagem: Shutterstock)
Os dados foram divulgados pela empresa e ainda não passaram por revisão (Imagem: Shutterstock)
🚨 A Eli Lilly (LLY) anunciou nesta quinta-feira (21) os resultados de um grande estudo clínico com a retatrutida, medicamento experimental para obesidade que ajudou participantes a perderem em média 70 libras (cerca de 32 quilos), ou 28% do peso corporal, após 80 semanas de tratamento com a dose mais alta. 
Entre os pacientes com obesidade moderada ou grave, com IMC (Índice de Massa Corporal) acima de 35, a perda foi de aproximadamente 85 libras (cerca de 38,5 quilos), ou 30,3% do peso corporal em dois anos, resultado comparável ao observado com o bypass gástrico, que costuma produzir perda de 30% a 35% do peso no mesmo período.
Os dados foram divulgados em comunicado da empresa e ainda não passaram por revisão por pares nem foram publicados em revista científica.

Retatrutida supera Wegovy e Zepbound

O desempenho da retatrutida supera o dos dois remédios mais populares contra obesidade disponíveis atualmente. O Zepbound, da própria Eli Lilly, e o Wegovy, da Novo Nordisk (N1VO34), que promovem perda de cerca de 20% do peso corporal em período semelhante. Versões orais proporcionam queda mais modesta, de 12% a 14%.
A diferença está no mecanismo de ação. A retatrutida atua em três hormônios ligados ao controle do apetite, do balanço energético e do metabolismo: GLP-1, GIP e glucagon. 
Wegovy age apenas no GLP-1, enquanto o Zepbound atua no GLP-1 e no GIP. A combinação dos três alvos ainda não tem explicação totalmente compreendida pelos pesquisadores, mas produz efeito visivelmente superior.
"Os resultados são muito impressionantes, sem dúvida", afirmou Ania Jastreboff, endocrinologista especialista em obesidade em Yale e investigadora principal do estudo. Ela ressaltou, porém, que a obesidade é uma doença crônica e que mais importantes do que os quilos perdidos são "os efeitos sobre a saúde da pessoa ao longo da vida."

Efeitos colaterais levam 11% dos participantes a abandonar o tratamento

O poder do medicamento tem um custo. Na dose mais alta, 11% dos participantes abandonaram o estudo por causa de efeitos colaterais gastrointestinais, proporção maior do que a observada com remédios menos potentes já disponíveis. Náusea, vômito, diarreia e constipação são comuns nessa classe de medicamentos, mas os casos graves costumam ser raros.
Na dose mais baixa testada, porém, os resultados foram surpreendentes. Os participantes perderam cerca de 19% do peso corporal, resultado semelhante ao da dose máxima do Zepbound, com tolerabilidade superior. 
O diretor científico da Eli Lilly, Daniel Skovronsky, destacou que, inesperadamente, mais pessoas no grupo placebo abandonaram o estudo por efeitos colaterais percebidos do que as que receberam o medicamento ativo na menor dose.
O remédio é aplicado por injeção semanal, com aumento gradual da dose para reduzir os efeitos gastrointestinais, assim como os demais medicamentos da classe.

Alternativa para os 24 milhões de americanos com obesidade grave

Para obesos com IMC acima de 40, os medicamentos disponíveis hoje não são suficientes. Para atingir um peso considerado saudável, esses pacientes precisam perder entre 36 e 45 quilos, segundo a endocrinologista Carolyn Apovian, da Harvard Medical School. 
A cirurgia bariátrica é capaz de produzir esse resultado, mas a demanda pelo procedimento vem caindo com o avanço dos remédios. A retatrutida pode preencher essa lacuna.
O estudo randomizado envolveu 2.339 pessoas obesas ou com sobrepeso, e os resultados dos pacientes mais pesados foram avaliados ao longo de dois anos.

Eli Lilly ainda não pediu aprovação regulatória

A Eli Lilly ainda não submeteu a retatrutida à aprovação do FDA (agência reguladora americana). À medida que os resultados do estudo se espalharam, alguns americanos passaram a buscar versões não autorizadas do medicamento importadas da China pela internet, preocupando médicos e pesquisadores pelo risco à saúde de pacientes sem acompanhamento médico adequado.
Se aprovado, o remédio vai entrar em um mercado crescente e concorrido, mas pode ser especialmente valioso para os pacientes mais pesados que têm resistência à cirurgia bariátrica. 
Para a Eli Lilly, a aprovação da retatrutida também envolve uma disputa judicial com o FDA sobre a classificação do medicamento. Se for reclassificado como produto biológico, a empresa poderá cobrar preços mais altos e dificultar a entrada de concorrentes por mais tempo, o que pode representar bilhões de dólares adicionais em receita. 
📊A companhia se tornou a primeira do setor de saúde a atingir valor de mercado de US$ 1 trilhão no ano passado, impulsionada pelas vendas do Zepbound e do Mounjaro.

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Eli Lilly
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