"Ele já sabe que eu sou melhor que Bolsonaro", diz Lula após reunião com Trump

Em trecho direto de entrevista, Lula comentou sua relação com Trump, sem citar Bolsonaro como rival pela preferência americana.

Publicado em 17/05/2026 às 11:17h Publicado em 17/05/2026 às 11:17h por Matheus Silva
A conversa ocorreu após a visita de Lula à Casa Branca no dia 07 de maio (Imagem: Shutterstock)
A conversa ocorreu após a visita de Lula à Casa Branca no dia 07 de maio (Imagem: Shutterstock)
 🚨 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu entrevista ao jornal americano The Washington Post, publicada neste domingo (17), na qual revelou sua estratégia de aproximação com o presidente dos EUA, Donald Trump, apesar das divergências ideológicas entre os dois. 
A conversa ocorreu após a visita de Lula à Casa Branca no dia 07 de maio, quando os dois líderes se reuniram em meio a um processo de reaproximação diplomática entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo o presidente brasileiro, as diferenças políticas não devem interferir na relação institucional entre os países. 
Lula afirmou ao Post que quer garantir respeito à soberania brasileira, evitar novas tarifas e sanções e ampliar os investimentos americanos no Brasil. "Se eu consegui fazer o Trump rir, consigo outras coisas também. Você não pode simplesmente desistir", disse.

Lula diz que Trump já sabe que ele é "melhor" que Bolsonaro

Em um dos trechos mais diretos da entrevista, Lula comentou sobre sua relação com Trump sem citar abertamente o ex-presidente Jair Bolsonaro como rival na disputa pela preferência americana. 
"Não preciso fazer esforço para ele saber que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso", afirmou ao Washington Post. O contexto da declaração é a normalização diplomática após um período de tensão entre Brasília e Washington.
No ano passado, Trump havia anunciado tarifas sobre exportações brasileiras e sanções contra autoridades do país em meio às investigações envolvendo Bolsonaro. Lula classificou as medidas à época como uma afronta à soberania nacional. 
Segundo o Post, Lula afirmou não pretender interferir na relação entre Trump e Bolsonaro, mas deixou claro que busca se posicionar como interlocutor mais confiável junto à administração americana.

Brasil quer os EUA "na frente da fila", mas diz que falta interesse

A relação econômica entre Brasil, EUA e China também foi tema da entrevista. Lula afirmou ao Post que o comércio brasileiro com a China hoje é duas vezes maior do que com os EUA e que esse resultado não reflete uma preferência do Brasil, mas a ausência de interesse norte-americano no país. 
"Se os Estados Unidos quiserem voltar para a frente da fila, ótimo. Mas precisam querer isso", declarou.
O presidente também apresentou sua visão sobre o papel das democracias no cenário global. Segundo ele, regimes democráticos precisam entregar resultados concretos para evitar o fortalecimento de "qualquer idiota que fale contra o sistema democrático", em uma referência ao avanço de lideranças populistas ao redor do mundo.

Venezuela, Cuba, Irã e multilateralismo entram na conversa

Lula comentou ao Washington Post uma série de temas internacionais. Sobre a Venezuela, afirmou ter aconselhado Nicolás Maduro a realizar eleições com monitoramento internacional, mas disse que o líder venezuelano aprofundou as suspeitas sobre o processo eleitoral ao ignorar a recomendação. Sobre Cuba, pediu que Trump suspenda o embargo econômico contra o país.
Em relação ao Irã, Lula criticou o que chamou de postura excessivamente confrontacional dos EUA em conflitos internacionais. 
Segundo o presidente, o Brasil continuará defendendo o diálogo diplomático e tentando atuar como mediador em disputas internacionais, apesar das dificuldades enfrentadas em negociações recentes sobre Venezuela e Ucrânia.

Washington Post enquadra 2026 como provável última disputa presidencial de Lula

O veículo americano também contextualizou o cenário eleitoral brasileiro, tratando a eleição de 2026 como a provável última disputa presidencial de Lula. 
Segundo o Post, o petista tentará um quarto mandato em uma corrida apertada contra Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. 
📊 O jornal destacou que Lula busca se apresentar como um líder capaz de dialogar com a direita global sem abrir mão de suas posições políticas.