Dona do Claude negocia mais US$ 45 bilhões em data centers com a Nscale

A Anthropic entrou em negociação por novo contrato de US$ 45 bilhões com a Nscale, que já somava US$ 44,6 bi em acordos com a empresa.

Publicado em 19/10/2026 às 19:13h Publicado em 19/10/2026 às 19:13h por Matheus Silva
O complexo Monarch pode passar de 8 gigawatts de capacidade (Imagem: Shutterstock)
O complexo Monarch pode passar de 8 gigawatts de capacidade (Imagem: Shutterstock)
💻 A Anthropic, desenvolvedora do assistente de inteligência artificial Claude, está perto de ampliar ainda mais sua estrutura de computação. 
A Nscale, empresa de nuvem voltada à IA e apoiada pela Nvidia (NVDA), negocia a venda de capacidade computacional para a Anthropic em um acordo que pode chegar a cerca de US$ 45 bilhões, de acordo com pessoas a par das conversas.
Se confirmado, este será o segundo grande contrato entre as duas empresas. Segundo documentos regulatórios ligados à oferta pública inicial planejada pela Nscale, a Anthropic já possui acordos de infraestrutura com a companhia que somam até aproximadamente US$ 44,6 bilhões.
O negócio pode ser concluído nos próximos dias, segundo as fontes, que falaram sob condição de anonimato por se tratar de negociações privadas. As conversas seguem em andamento, os termos ainda podem mudar e nenhuma decisão definitiva foi tomada. Anthropic e Nscale não comentaram o assunto.

Novo prédio terá 460 megawatts e chips Vera Rubin

O novo contrato envolve uma instalação no complexo de data centers Monarch, que a Nscale desenvolve na Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos.
O segundo edifício do campus terá capacidade para entregar 460 megawatts de poder computacional e utilizará os chips de IA Vera Rubin, da Nvidia, a geração mais avançada da fabricante, segundo parte das fontes.
Pelo desenho em discussão, a Anthropic também teria direito de preferência sobre um terceiro prédio previsto para o mesmo complexo.
A dimensão do projeto ajuda a entender o interesse da empresa. De acordo com os documentos do IPO da Nscale, o campus Monarch poderá ultrapassar 8 gigawatts de capacidade elétrica bruta quando estiver totalmente concluído.

Espaço foi aberto depois da desistência da Microsoft

A entrada da Anthropic no complexo tem um antecedente curioso. Parte do campus Monarch seria inicialmente alugada pela Microsoft (MSFT), que em março havia anunciado a assinatura de uma carta de intenções para o projeto. 
No meio do ano, porém, a gigante de tecnologia desistiu da instalação, o que abriu espaço para que a Anthropic assumisse a operação.
A Anthropic, uma das maiores clientes da Nscale, se transformou em um dos principais impulsionadores da demanda mundial por data centers dedicados à inteligência artificial. 
A empresa vem fechando uma série de acordos de grande porte para garantir capacidade computacional. Entre eles estão um contrato de US$ 50 bilhões com a Fluidstack, outro de US$ 10 bilhões com a startup de infraestrutura Volta e um acordo de US$ 45 bilhões com a SpaceX (SPCX), de Elon Musk.
A busca por mais poder computacional acompanha o crescimento acelerado da companhia. Em julho, a Anthropic ultrapassou US$ 65 bilhões em receita anualizada, e em maio a empresa foi avaliada em US$ 965 bilhões. 
A desenvolvedora do Claude também é candidata a realizar sua própria abertura de capital nos próximos meses, em uma operação que pode estar entre as maiores da história recente do setor de tecnologia.

Acordo pode reforçar o IPO da Nscale, avaliado em US$ 30 bi

Do lado da Nscale, um novo contrato bilionário chega em um momento estratégico. A empresa busca uma avaliação de aproximadamente US$ 30 bilhões em seu IPO nos Estados Unidos, mas um grupo de investidores vem pressionando para que a companhia reduza essa meta de valuation. 
Um acordo dessa magnitude com um cliente como a Anthropic tende a fortalecer os argumentos da empresa diante do mercado.
A Nscale protocolou o pedido público de listagem em setembro, mas ainda não iniciou formalmente a divulgação da oferta, embora o prazo regulatório de espera já tenha terminado.
A empresa responde a questionamentos da SEC, órgão regulador do mercado de capitais americano, e pretende começar o roadshow com investidores assim que essas questões forem resolvidas.
No mês passado, a companhia levantou US$ 3,36 bilhões em uma rodada pré-IPO liderada pela Third Point, de Dan Loeb, com participação de investidores como Nvidia, Apollo Global Management, Citadel, Hudson Bay Capital e Abu Dhabi Investment Council.
💰 O avanço dos investimentos em infraestrutura de IA, porém, vem acompanhado de cautela no mercado. Investidores têm demonstrado preocupação crescente com o volume de dívidas usado para financiar a expansão acelerada dos data centers, tema que tem pesado sobre ações de fabricantes de chips e sobre os títulos de dívida de empresas de computação em nuvem.