Boletim Focus: Mercado elevou aposta de cortes da Selic antes do 2º turno das eleições

A expectativa era de que os juros caíssem para 11,27% em 2027 e 10,00% em 2028.

Publicado em 26/10/2026 às 09:24h - Atualizado em 26/10/2026 às 09:28h Publicado em 26/10/2026 às 09:24h Atualizado em 26/10/2026 às 09:28h por Marina Barbosa
Analistas dizem que projeções devem ser revistas após reeleição de Lula (Imagem: Shutterstock)
Analistas dizem que projeções devem ser revistas após reeleição de Lula (Imagem: Shutterstock)
O mercado financeiro elevou a aposta em cortes de juros antes do segundo turno das eleições de 2026.
✂️ De acordo com o Boletim Focus, os analistas reduziram a projeção para a taxa Selic de 2027 e de 2028 na semana passada.
A expectativa era de que a taxa básica de juros caísse dos atuais 13,75% para 13,25% ainda em 2026 e seguisse em queda nos próximos dois anos, chegando a 11,75% em 2027 e 10,00% em 2028. 
Uma semana antes, o esperado era de que a Selic ainda marcasse 12,00% em 2027 e 10,50% em 2028, chegando a 10,00% apenas em 2029.

Mercado antecipa novas revisões

⚠️ Essas projeções, no entanto, podem ser revistas novamente diante da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25). 
Afinal, o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (26) considera as projeções coletadas até a última sexta-feira (23), quando o mercado ainda apostava na eleição de Flávio Bolsonaro (PL).
A expectativa dos analistas era de que a eventual troca de governo levasse a mudanças na política fiscal, o que poderia abrir caminho para uma redução mais forte dos juros. Já com a reeleição de Lula, não são esperadas grandes mudanças na questão fiscal, o que pode manter os juros e o dólar sob pressão.
A Ativa Investimentos, por exemplo, só vê espaço para mais um corte de 0,25 ponto percentual da Selic neste cenário. Por isso, vê os juros terminando o ano em 13,50% e seguindo neste patamar em 2027.
A XP também colocou as suas projeções para a Selic em xeque, devido aos riscos que ainda rondam a inflação e à potencial alta do dólar na esteira do resultado eleitoral.
"Se o câmbio se acomoda em um patamar mais desvalorizado, provavelmente o Banco Central vai ter menos espaço para cortes de juros, pelo menos no curto prazo", afirmou o economista-chefe da XP, Caio Megale.

As projeções do Focus

💲 O Boletim Focus desta segunda-feira (26) também trouxe mudanças na visão dos analistas para a inflação, o dólar e o crescimento da economia brasileira.
Segundo o relatório, o mercado reduziu a expectativa de inflação deste ano de 5,22% para 5,19%, mas elevou a do próximo ano de 4,32% para 4,34%.
Já as projeções para o dólar diminuíram em todo o período coberto pelo Focus, passando de R$ 5,13 para R$ 5,05 em 2026, de R$ 5,22 para R$ 5,15 em 2027, de R$ 5,29 para R$ 5,20 em 2028 e de R$ 5,30 para R$ 5,28 em 2029.
O mercado ainda reduziu as projeções para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), de 1,83% para 1,80% em 2026 e de 1,32% para 1,31% em 2027.

Veja as projeções do mercado, segundo o Focus de 26/10/26:

Selic:
  • 2026: 13,25%;
  • 2027: 11,75%;
  • 2028: 10,00%;
  • 2029: 10,00%.
IPCA:
  • 2026: 5,19%;
  • 2027: 4,34%;
  • 2028: 3,75%;
  • 2029: 3,50%.
Dólar:
  • 2026: R$ 5,05;
  • 2027: R$ 5,15;
  • 2028: R$ 5,20;
  • 2029: R$ 5,28.
PIB:
  • 2026: 1,80%;
  • 2027: 1,31%;
  • 2028: 1,81%;
  • 2029: 2,00%.