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Bitcoin (BTC) saltou para a região dos US$ 81 mil nesta quinta-feira (3), com alta próxima de 4,70% no dia, depois que investidores reduziram as apostas em uma nova elevação de juros nos Estados Unidos ainda neste mês.
A criptomoeda saiu de cerca de US$ 78 mil e chegou a operar acima de US$ 81 mil no início da tarde, revertendo a mínima intradiária abaixo de US$ 77 mil registrada mais cedo no dia.
O principal gatilho da recuperação foi a fala do diretor do Federal Reserve, Christopher Waller, que sinalizou disposição para manter a taxa básica no intervalo atual de 3,50% a 3,75% ao ano caso os sinais recentes de desinflação se confirmem nos dados de agosto.
"Se houver progresso contínuo em direção à nossa meta de 2%, estou disposto a apoiar a manutenção da taxa de política monetária em seu nível atual", disse o dirigente, em Washington, acrescentando que consideraria um aumento apenas caso a inflação venha "quente".
O tom mais brando contrastou com o discurso duro adotado pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole na semana anterior, que havia levado o mercado a precificar com força um aperto de 0,25 ponto percentual.
A probabilidade atribuída a essa alta na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto, marcada para 15 e 16 de setembro, chegou a rondar dois terços no início da semana e recuou para pouco mais de 50% após a fala de Waller.
Dados fracos de emprego já vinham pressionando
A reprecificação começou antes mesmo da fala de Waller, puxada pelos dados do mercado de trabalho americano. O relatório da ADP apontou criação de apenas 38 mil vagas no setor privado em agosto, abaixo da expectativa dos economistas, enquanto as vagas em aberto medidas pelo JOLTS também vieram abaixo do projetado.
Em sentido contrário, o PMI de serviços do ISM avançou para 55,4, ante 54,1 em julho e acima do consenso, no melhor nível desde fevereiro.
Fontes avalia que a leitura é compatível com expansão forte do setor e forma uma combinação favorável ao mercado, com "atividade econômica ainda resiliente, mas mercado de trabalho mostrando sinais de desaceleração", cenário que reduz o receio de alta de juros sem sinalizar recessão.
Liquidação de US$ 260 milhões em posições vendidas acelera alta
O movimento ganhou velocidade adicional com a liquidação de aproximadamente US$ 260 milhões em posições vendidas nas quatro horas até o início da tarde, segundo o Mercado Bitcoin.
O mecanismo de short squeeze funciona de forma direta: à medida que o preço sobe, quem apostava na queda é forçado a recomprar BTC para fechar a posição, o que realimenta a valorização.
A alta não ficou restrita às criptomoedas. O ouro para dezembro na Comex fechou com alta de 2,84%, a US$ 4.539,90 a onça-troy, e o S&P 500 avançou mais de 1%, enquanto o índice do
dólar recuava. Entre outros criptoativos, o
Ethereum (ETH) subia cerca de 4,4%, a US$ 2.500, o
XRP avançava 8,6% e a
Solana (SOL) ganhava 5,6%.
Analista vê próximos testes no payroll de sexta
"Para o BTC, recuperar os US$ 80 mil é uma demonstração importante de força após a defesa dos US$ 77 mil", avaliou Fontes. Segundo ele, o próximo passo é observar se o ativo sustenta essa região e renova as máximas recentes acima de US$ 81 mil.
Pela magnitude do movimento, o analista vê chance de novas entradas líquidas nos ETFs à vista de Bitcoin no fechamento do dia, dando continuidade à retomada iniciada em 2 de setembro, quando os produtos captaram mais de US$ 100 milhões.
Uma confirmação nesse sentido reforçaria a leitura de que há demanda real por trás da alta, e não apenas liquidação de posições vendidas.
📊 O próximo teste chega rapidamente com o relatório oficial de emprego saindo nesta sexta-feira (04), e o índice de preços ao consumidor de agosto sendo divulgado em 11 de setembro. Segundo Waller, sua decisão no FOMC dependerá fortemente do resultado desse dado de
inflação.