Anvisa suspende vacina da dengue do Butantan após investigação de dois óbitos

Agência determina recolhimento dos lotes e interrompe aplicação do imunizante em todo o país.

Publicado em 08/06/2026 às 16:31h Publicado em 08/06/2026 às 16:31h por Wesley Santana
Dengue é uma doença proeminente em países de clima tropical (Imagem: Shutterstock)
Dengue é uma doença proeminente em países de clima tropical (Imagem: Shutterstock)

Em decisão publicada na tarde desta segunda-feira (8), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu a aplicação das vacinas contra a dengue criadas pelo Instituto Butantan. O órgão também ordenou o recolhimento dos lotes que circulam pelo mercado nacional.

A decisão foi tomada depois da morte de duas pessoas que receberam doses do imunizante liberado no fim de 2023 para a rede pública de saúde. A distribuição do medicamento, porém, só começou em fevereiro de 2024.

A suspensão representa um revés para o instituto, que desenvolveu a primeira vacina contra a dengue do mundo. A doença é proeminente em países de clima tropical, caso do Brasil e do Paraguai, onde são registrados milhares de casos anualmente.

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"Nós tivemos três casos graves, dos quais dois óbitos, sem, até esse momento, nas investigações já feitas pelos sistemas municipais, de vigilância estadual, escutando os especialistas, ter dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A pasta destacou que já foram realizadas 500 mil aplicações em todo o país, sendo que houve 42 casos de reações adversas severas. O número representa uma taxa de 0,0084% do total vacinado, enquanto o índice de morte ficou em 0,0004%, ainda de acordo com o Ministério da Saúde.

A partir da decisão, nenhum posto de saúde ou hospital pode continuar vacinando a população com o imunizante. Além disso, quem tomou a dose nos últimos 21 dias deve fazer acompanhamento de saúde e estar atento a reações como febre, dor abdominal, vômitos e outros sintomas.

"Queria reforçar aqui que o Ministério da Saúde tem toda a confiança na capacidade institucional e científica do Instituto Butantan de fazer essa investigação, de aprofundar esses estudos. Isso foi apresentado no Comitê de Farmacovigilância Nacional, que foi feito hoje de manhã cedo, e o comitê recomendou de forma consensual essa estratégia de descontinuidade", disse o ministro Padilha.

Por meio de nota, o Butantan informou que a suspensão se deu de forma preventiva, com o objetivo de reavaliar a estratégia vacinal.

"Nosso compromisso é com o máximo rigor científico possível e a gente vai trabalhar nesse sentido, com a esperança de que nós vamos conseguir dados suficientes, evidências suficientes para mostrar que a vacina tem benefício para a saúde pública brasileira e pode ser retomada essa vacinação", disse o médico infectologista Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan.