Warren Buffett: quem é e qual sua trajetória na Berkshire Hathaway

Warren Buffett é investidor, empresário e filantropo norte-americano, conhecido por transformar a Berkshire Hathaway em um dos maiores conglomerados do mundo e por construir uma das trajetórias mais longevas do mercado financeiro.

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Publicado em 10/09/2020 às 15:40h - Atualizado em 23/09/2026 às 12:28h Publicado em 10/09/2020 às 15:40h Atualizado em 23/09/2026 às 12:28h por Carlos Filadelpho
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Quem é Warren Buffett?

Warren Edward Buffett é um investidor, empresário e filantropo norte-americano, nascido em 30 de agosto de 1930, em Omaha, no estado de Nebraska. Aos 96 anos, é conhecido mundialmente como “Oráculo de Omaha”.

Buffett ficou conhecido principalmente pela atuação à frente da Berkshire Hathaway, companhia que transformou de uma antiga empresa têxtil em um conglomerado com negócios em seguros, energia, ferrovias, indústria e consumo, além de uma carteira bilionária de ações.

Depois de deixar o cargo de CEO no fim de 2025, Buffett permaneceu inicialmente como chairman.

Em setembro de 2026, tornou-se chairman emeritus da Berkshire Hathaway e permaneceu como diretor, enquanto Howard G. Buffett assumiu a presidência do Conselho. Greg Abel é o CEO da companhia desde janeiro de 2026.

Seu patrimônio também permanece entre os maiores do mundo. Em setembro de 2026, a Forbes estimava sua fortuna em aproximadamente US$ 146,2 bilhões.

Qual é a história de Warren Buffett?

Warren Buffett nasceu em uma família ligada ao mercado financeiro e à política. Seu pai, Howard Buffett, trabalhou como corretor de valores e posteriormente foi eleito congressista dos Estados Unidos.

Aos 11 anos, Buffett realizou sua primeira compra de ações ao adquirir papéis preferenciais da Cities Service por cerca de US$ 38 cada. Depois de ver a cotação cair e posteriormente se recuperar, vendeu os papéis com um pequeno lucro.

A ação continuou subindo depois da venda, experiência que Buffett posteriormente associaria à importância da paciência nos investimentos. O episódio já aparecia como um dos marcos iniciais de sua trajetória no artigo anterior do Investidor10.

Durante a adolescência, Buffett também desenvolveu pequenos negócios. Entregou jornais, vendeu produtos e, ao lado de um amigo, comprou uma máquina de pinball que instalou em uma barbearia. O negócio cresceu para outras unidades antes de ser vendido.

Depois do ensino médio, começou a aprofundar sua formação em economia e investimentos. Passou pela Universidade da Pensilvânia, concluiu a graduação na Universidade de Nebraska e posteriormente entrou na Columbia University.

Foi em Columbia que conheceu Benjamin Graham, professor e autor de O Investidor Inteligente, que se tornaria uma das principais influências de sua carreira.

Nos anos seguintes, Buffett trabalhou com Graham, abriu sua própria sociedade de investimentos e construiu capital suficiente para assumir o controle da Berkshire Hathaway.

A companhia, inicialmente uma empresa têxtil em dificuldades, tornou-se o principal veículo de investimentos de sua carreira.

Durante mais de seis décadas, Buffett utilizou a Berkshire para comprar empresas inteiras, adquirir participações em companhias abertas e reinvestir o capital gerado pelos próprios negócios do grupo.

Formação e início da carreira

Buffett iniciou os estudos universitários na Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, mas posteriormente transferiu-se para a Universidade de Nebraska, onde concluiu a graduação em Administração.

Depois, tentou ingressar em Harvard, mas não foi aceito.

A rejeição acabou direcionando sua carreira para Columbia University, onde concluiu o mestrado em Economia e teve contato direto com Benjamin Graham e David Dodd, nomes fundamentais na construção do conceito de value investing.

Graham defendia a compra de ativos negociados por preços inferiores ao valor estimado de seus negócios e patrimônio, incorporando uma margem de segurança entre preço e valor.

A metodologia teve influência profunda sobre Buffett. Depois de Columbia, ele trabalhou por um período na empresa do pai e, em 1954, ingressou na Graham-Newman Corporation, companhia de investimentos de Benjamin Graham.

Quando Graham decidiu encerrar suas atividades profissionais, Buffett voltou para Omaha. Em 1956, criou a Buffett Partnership Ltd., reunindo dinheiro de familiares, amigos e outros investidores.

O modelo de partnership permitiu que Buffett administrasse recursos de terceiros ao mesmo tempo em que construía seu próprio patrimônio.

Nos anos seguintes, utilizou principalmente princípios aprendidos com Graham para procurar empresas subavaliadas, situações especiais e ativos negociados abaixo de uma estimativa conservadora de seu valor.

A parceria cresceu de forma consistente durante a década seguinte. Foi nesse período que Buffett começou a comprar ações de uma empresa têxtil chamada Berkshire Hathaway.

Qual a trajetória profissional de Warren Buffett?

A trajetória profissional de Warren Buffett está diretamente relacionada à evolução de sua filosofia de investimentos.

O investidor começou procurando ações muito baratas, próximas da abordagem clássica de Benjamin Graham. Com o tempo, passou a dar mais importância à qualidade dos negócios, vantagens competitivas, gestão e capacidade de geração de caixa.

Buffett Partnership

A Buffett Partnership foi criada em 1956 e funcionou como o primeiro grande veículo profissional de investimentos administrado por Buffett.

Inicialmente, os recursos vieram de um pequeno grupo de investidores próximos.

O capital cresceu rapidamente conforme os resultados das sociedades atraíam novos participantes. Buffett procurava oportunidades que acreditava estarem sendo ignoradas ou precificadas de maneira inadequada pelo mercado.

A estrutura chegou a administrar vários milhões de dólares antes de ser encerrada em 1969.

Nesse momento, Buffett já havia adquirido uma participação relevante na Berkshire Hathaway e começou a concentrar cada vez mais sua atuação na companhia.

Berkshire Hathaway

A Berkshire Hathaway era originalmente uma fabricante têxtil.

Buffett começou a adquirir suas ações no início da década de 1960 porque considerava que estavam baratas em relação ao valor dos ativos da companhia. O investimento, porém, acabou se transformando em algo muito maior.

Depois de uma divergência com a administração sobre o preço de recompra das ações, Buffett aumentou sua participação até assumir o controle da empresa em 1965.

O próprio investidor reconheceria anos depois que a compra da operação têxtil foi um erro. Apesar disso, a estrutura corporativa da Berkshire tornou-se extremamente valiosa como veículo de alocação de capital.

Buffett começou a deslocar recursos para negócios mais rentáveis, principalmente seguros. Em 1967, a Berkshire adquiriu a National Indemnity, iniciando uma relação fundamental entre seguros e investimentos.

O setor gera grandes volumes de recursos recebidos antecipadamente por meio dos prêmios pagos pelos clientes. Enquanto esse dinheiro ainda não precisa ser utilizado para pagar sinistros, pode ser investido.

Esse capital, conhecido como float, tornou-se uma das principais fontes de recursos para a expansão da Berkshire.

Ao longo das décadas seguintes, a companhia adquiriu empresas como GEICO, BNSF Railway, Berkshire Hathaway Energy, Precision Castparts, Dairy Queen e Duracell, além de dezenas de outros negócios.

Hoje, o investidor brasileiro pode acompanhar os resultados e indicadores da Berkshire Hathaway (BRK-B) diretamente no Investidor10.

Charlie Munger e a evolução da estratégia

A aproximação com Charlie Munger teve papel importante na evolução da filosofia de Buffett. Munger defendia que nem sempre o melhor investimento era comprar uma empresa mediana a um preço extremamente baixo.

Em muitos casos, faria mais sentido pagar um preço razoável por um negócio de alta qualidade, capaz de aumentar lucros e gerar caixa durante décadas.

Essa influência ajudou Buffett a migrar gradualmente do estilo mais rígido de Benjamin Graham para uma estratégia que valorizava vantagens competitivas duradouras, marcas fortes, bons gestores e capacidade de reinvestimento.

A mudança aparece em algumas das operações mais conhecidas da Berkshire, como See’s Candies, Coca-Cola e posteriormente Apple.

Munger tornou-se vice-presidente da Berkshire Hathaway em 1978 e permaneceu como principal parceiro intelectual de Buffett até sua morte, em 2023.

Apple, Coca-Cola e outras participações

Além de comprar empresas inteiras, a Berkshire construiu uma carteira de participações em companhias abertas. A Coca-Cola tornou-se um dos casos mais conhecidos.

Buffett iniciou a posição no final da década de 1980, depois do crash de 1987, e a empresa permaneceu por décadas entre as maiores participações da Berkshire.

A Berkshire começou a comprar ações da companhia em 2016. Nos anos seguintes, Apple tornou-se a maior posição da carteira de ações do conglomerado, embora Buffett tenha reduzido significativamente a participação posteriormente.

A carteira também teve exposições relevantes a empresas como American Express, Bank of America, Chevron, Occidental Petroleum e outras companhias.

Para investidores brasileiros, a própria Berkshire também pode ser acessada por meio do BDR BERK34.

Sucessão e saída do comando executivo

A sucessão de Warren Buffett foi discutida durante muitos anos devido à duração de sua permanência no comando da Berkshire. Em 2021, Buffett confirmou que Greg Abel, responsável pelos negócios não relacionados a seguros, seria seu sucessor como CEO.

A transição foi formalizada no fim de 2025. A partir de janeiro de 2026, Abel assumiu a função de CEO da Berkshire Hathaway, encerrando a permanência de Buffett no comando executivo depois de cerca de seis décadas. Buffett continuou inicialmente como chairman do Conselho.

Em setembro de 2026, a Berkshire anunciou outra mudança: Buffett tornou-se chairman emeritus, embora tenha permanecido como membro do Conselho, enquanto seu filho Howard G. Buffett foi eleito chairman.

A mudança consolidou a transição para a era pós-Buffett na administração cotidiana da companhia. Mesmo assim, a estrutura de investimentos construída ao longo de décadas continua sendo uma das principais referências associadas à Berkshire.

Como Warren Buffett começou a investir?

Buffett começou a investir ainda criança. Aos 11 anos, comprou três ações preferenciais da Cities Service para si e outras três para sua irmã. A experiência mostrou cedo a volatilidade do mercado.

Depois da compra, os papéis caíram de aproximadamente US$ 38 para US$ 27. Buffett manteve a posição até a recuperação e vendeu perto de US$ 40. A ação, entretanto, continuou subindo.

O episódio tornou-se uma das histórias mais conhecidas sobre sua formação como investidor e ajudou a reforçar sua visão sobre a importância de esperar pelo desenvolvimento de uma tese.

Mais tarde, Benjamin Graham forneceu a estrutura teórica para transformar aquele interesse em uma estratégia profissional.

Buffett passou então a avaliar empresas como negócios, e não apenas como códigos negociados em Bolsa.

Essa lógica está diretamente ligada ao conceito de Value Investing, abordagem que procura encontrar diferenças entre preço de mercado e valor estimado de uma empresa.

Qual é a estratégia de investimento de Warren Buffett?

A estratégia de Warren Buffett evoluiu ao longo do tempo, mas alguns princípios permaneceram recorrentes. Um deles é investir apenas em negócios que consiga compreender.

Esse conceito ficou conhecido como círculo de competência: em vez de tentar analisar todas as empresas disponíveis, o investidor concentra sua atenção em setores e modelos de negócio sobre os quais possui conhecimento suficiente para avaliar riscos e perspectivas.

Buffett também procura empresas com vantagens competitivas duradouras. Isso pode incluir marcas fortes, escala, custos baixos, fidelidade dos consumidores, efeitos de rede ou características que dificultem a entrada de concorrentes.

Embora Buffett procure empresas que possam funcionar bem independentemente de um único executivo, ele atribui importância à integridade e à capacidade dos gestores responsáveis pela alocação de capital.

Preço continua sendo relevante. Mesmo quando encontra uma boa empresa, Buffett procura evitar pagar um valor que elimine o potencial de retorno futuro. É aí que permanece a influência de Benjamin Graham e da ideia de margem de segurança.

A estratégia também ficou associada ao Buy and Hold, principalmente pela preferência por manter bons negócios durante períodos muito longos.

Isso não significa, porém, que Buffett nunca venda. A Berkshire reduz ou encerra posições quando a avaliação muda, quando aparecem oportunidades melhores ou quando a tese original deixa de fazer sentido.

Buffett historicamente prefere manter elevada liquidez quando considera que as oportunidades de mercado não oferecem uma relação adequada entre risco e retorno.

Esse comportamento permite realizar grandes aquisições quando surgem períodos de estresse ou preços considerados atrativos.

Quais são os principais negócios e investimentos de Warren Buffett?

O principal ativo associado a Warren Buffett é sua participação na Berkshire Hathaway. A companhia possui empresas integralmente controladas e também uma ampla carteira de ações negociadas em Bolsa.

Entre os negócios controlados estão GEICO, uma das maiores seguradoras de automóveis dos Estados Unidos, e a BNSF Railway, importante ferrovia de transporte de cargas.

Também fazem parte do grupo a Berkshire Hathaway Energy, Duracell, Dairy Queen, See’s Candies, Precision Castparts e diversos negócios industriais, comerciais e de serviços.

Em 2026, já sob a liderança executiva de Greg Abel, a Berkshire concluiu a compra da OxyChem e adquiriu a construtora Taylor Morrison por US$ 8,5 bilhões, mostrando continuidade da estratégia de grandes aquisições.

Na carteira de ações, participações historicamente relevantes incluem American Express, Coca-Cola, Apple, Chevron e Occidental Petroleum, embora a composição varie conforme compras e vendas realizadas pela Berkshire.

O Investidor10 mantém uma página específica com indicadores e informações da Berkshire Hathaway para acompanhar a companhia.

Qual é o patrimônio de Warren Buffett?

Segundo a Forbes, o patrimônio de Warren Buffett foi estimado em aproximadamente US$ 146,2 bilhões em 15 de setembro de 2026, colocando-o entre as dez maiores fortunas do mundo naquele momento.

A principal origem da fortuna permanece sua participação na Berkshire Hathaway.

O valor patrimonial, porém, precisa ser analisado também à luz de sua atividade filantrópica.

Buffett prometeu doar mais de 99% de sua riqueza ao longo de sua vida e de sua sucessão patrimonial. Até 2026, a Forbes estimava que ele já havia destinado mais de US$ 72 bilhões para filantropia.

Somente para a Gates Foundation, as contribuições acumuladas de Buffett superavam US$ 47 bilhões.

Curiosidades sobre Warren Buffett

  • Comprou sua primeira ação aos 11 anos, antes mesmo de entrar na adolescência.
  • Entregava jornais quando jovem e utilizou diferentes atividades para acumular capital.
  • Teve um negócio de máquinas de pinball com um amigo durante o ensino médio.
  • Foi rejeitado por Harvard, episódio que acabou levando Buffett a estudar em Columbia com Benjamin Graham.
  • Ainda vive na casa comprada em Omaha em 1958, pela qual pagou US$ 31,5 mil.
  • É conhecido pelo hábito de leitura, dedicando grande parte da rotina a relatórios, jornais e documentos de empresas.
  • Mantém uma relação histórica com a Coca-Cola, tanto como investidor quanto como consumidor frequente da bebida.
  • Foi amigo e sócio intelectual de Charlie Munger durante décadas, relação que influenciou profundamente sua filosofia de investimento.
  • Criou o Giving Pledge com Bill Gates e Melinda French Gates em 2010, iniciativa que incentiva bilionários a comprometer pelo menos metade de suas fortunas com filantropia.
  • Suas cartas anuais aos acionistas tornaram-se referência, reunindo comentários sobre empresas, investimentos, erros e decisões de capital.
  • Deixou o cargo de CEO apenas aos 95 anos, encerrando uma das mais longas permanências na liderança de uma grande companhia global.
  • Em setembro de 2026 tornou-se chairman emeritus da Berkshire, permanecendo no Conselho depois da eleição de Howard G. Buffett como chairman.

Conclusão

A trajetória de Warren Buffett reúne mais de oito décadas de contato com investimentos e cerca de seis décadas diretamente associadas à transformação da Berkshire Hathaway.

Sua formação com Benjamin Graham estabeleceu as bases do investimento em valor, enquanto a parceria com Charlie Munger ampliou o foco para empresas de qualidade, vantagens competitivas e geração de caixa no longo prazo.

Na Berkshire, Buffett combinou seguros, aquisições de empresas e uma carteira de ações para construir um dos maiores conglomerados empresariais do mundo.

Em 2026, já fora da gestão executiva e como chairman emeritus, Buffett permanece como diretor da Berkshire enquanto a companhia atravessa sua primeira sucessão completa de liderança em décadas.

Sua estratégia continua associada a conceitos como valor intrínseco, margem de segurança, disciplina de preço e visão de longo prazo, elementos que ajudaram a tornar seu nome uma das principais referências do mercado financeiro.

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