Grandes investidores do Brasil: histórias e estratégias para se inspirar
Conheça 6 investidores que construíram patrimônio na bolsa brasileira: estratégias, carteiras e filosofias.
Publicado em 05/08/2026
Com patrimônio estimado em R$ 50,3 bilhões, Fernando Roberto Moreira Salles ocupa a 5ª posição entre os maiores bilionários brasileiros em 2026 e é atualmente o integrante mais rico de uma das famílias empresariais mais tradicionais do país.
A família Moreira Salles esteve por trás do crescimento do Unibanco, instituição que, em 2008, se associou ao Itaú para formar o Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4), um dos maiores bancos privados da América Latina.
Mas a fortuna de Fernando não depende apenas do setor financeiro. A família também controla uma participação relevante na Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), líder global no mercado de produtos de nióbio, além de possuir investimentos administrados através de diferentes veículos patrimoniais.
Fernando ainda construiu uma trajetória própria no universo cultural. Foi ligado ao Instituto Moreira Salles, participou da história societária da Companhia das Letras e publicou livros de poesia.
Apesar de estar entre as pessoas mais ricas do Brasil, mantém um perfil consideravelmente mais discreto do que o tamanho de seu patrimônio poderia sugerir. Confira a seguir!
Fernando Roberto Moreira Salles é um empresário, investidor e escritor brasileiro, acionista indireto do Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4) e integrante da família controladora da CBMM.
Ele nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de maio de 1946, sendo o filho mais velho do banqueiro e diplomata Walther Moreira Salles. A cronologia mantida pelo Instituto Moreira Salles registra seu nascimento naquele ano como filho de Walther e Hélène.
Fernando pertence, portanto, à geração que herdou os negócios construídos pela família Moreira Salles durante o século XX. Mas sua atuação não se restringiu à condição de herdeiro.
Formado em Administração, com especialização em Finanças e Mercado de Capitais pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Fernando participou durante décadas da governança dos negócios familiares, incluindo Unibanco, CBMM e Brasil Warrant.
Além disso, ele também desenvolveu atividades no setor editorial e cultural.
Em 2026, a Forbes apresenta Fernando Roberto Moreira Salles com os seguintes dados:
Na lista internacional da Forbes, seu patrimônio foi estimado em aproximadamente US$ 10 bilhões em 2026, valor sujeito a oscilações conforme a metodologia e atualização dos ativos considerados pela publicação.
De acordo com a edição de 2026 do ranking de bilionários brasileiros da Forbes, Fernando Roberto Moreira Salles possui patrimônio estimado em: R$ 50,3 bilhões.
Com esse patrimônio, Fernando apareceu na 5ª colocação entre os maiores bilionários do Brasil. Ele está logo à frente de seu irmão Pedro Moreira Salles, que ocupa a 6ª posição no ranking de 2026, com patrimônio estimado em R$ 46,6 bilhões.
Isso faz de Fernando o mais rico dos quatro irmãos Moreira Salles no levantamento brasileiro mais recente.
Os outros irmãos, João Moreira Salles e Walther Moreira Salles Júnior, também possuem fortunas bilionárias.
Somados, os patrimônios estimados dos quatro irmãos alcançam aproximadamente R$ 149,9 bilhões, segundo os valores utilizados pela Forbes em 2026.
No entanto, é importante observar que fortuna estimada não significa dinheiro disponível em conta. Grande parte do patrimônio está associada a participações societárias em empresas.
No caso de Fernando, dois ativos possuem importância especial: Itaú Unibanco e CBMM.
A origem da riqueza pode ser compreendida a partir de dois grandes pilares empresariais:
Setor financeiro
A família Moreira Salles construiu o Unibanco ao longo do século XX. Em 2008, o banco se uniu ao Itaú, dando origem ao atual Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4)A família permaneceu como parte do bloco de controle da instituição resultante da operação.
A participação de Fernando no banco passa pela Companhia E. Johnston de Participações, principal veículo por meio do qual a família Moreira Salles detém sua fatia no Itaú Unibanco.
Após uma reorganização societária concluída em 2022, na qual os irmãos Walter e João deixaram a holding, Fernando passou a deter 50% da E. Johnston. Segundo a Forbes Brasil, a companhia possui cerca de um terço das ações do Itaú Unibanco.
Mineração
Os Moreira Salles possuem participação controladora na CBMM - Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, empresa sediada em Araxá, Minas Gerais, e líder global no desenvolvimento e comercialização de produtos de nióbio.
Além desses ativos, a família administra investimentos através de veículos como a Brasil Warrant. Por fim, Fernando também está historicamente ligado ao mercado editorial.
A história empresarial da família começou antes do nascimento de Fernando. As origens do negócio financeiro remontam a 1924, em Poços de Caldas, Minas Gerais.
Naquele ano, João Moreira Salles, avô de Fernando, fundou a Casa Moreira Salles, originalmente ligada aos negócios de comércio de café da família. A atividade financeira começou como extensão desse negócio.
Poços de Caldas estava inserida em uma região com forte presença da economia cafeeira, e a Casa Moreira Salles passou a oferecer serviços financeiros para produtores locais.
A operação cresceu. Em 1933, Walther Moreira Salles, então com apenas 21 anos, assumiu a Casa Bancária Moreira Salles.
Nas décadas seguintes, fusões e expansões transformariam o pequeno negócio regional em uma instituição financeira nacional. Esse processo resultaria posteriormente no Unibanco.
Fernando cresceu, portanto, dentro de uma família que já possuía forte presença no sistema financeiro.
Quem foi Walther Moreira Salles?
Walther Moreira Salles foi pai de Fernando e uma das figuras mais importantes na construção do patrimônio familiar. Nascido em 1912, tornou-se banqueiro, empresário e diplomata.
Além da atuação no setor privado, ocupou funções públicas e chegou a representar o Brasil como embaixador nos Estados Unidos.
No setor financeiro, sua trajetória ficou principalmente associada à transformação do negócio familiar no banco que viria a ser conhecido como Unibanco.
Walther teve quatro filhos que se tornariam conhecidos por trajetórias bastante diferentes:
Todos aparecem em rankings de bilionários. Fernando, entretanto, é o primogênito e, em 2026, possui a maior fortuna estimada entre os quatro.
Fernando estudou Administração na Fundação Getulio Vargas (FGV), com formação direcionada para Finanças e Mercado de Capitais. A escolha estava alinhada ao principal negócio da família.
Documentos históricos relacionados ao Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4) registram a formação de Fernando na FGV e sua longa atuação em diferentes empresas do grupo familiar.
Ao contrário de seus irmãos Walter e João, que se aproximaram principalmente do cinema, da literatura e de projetos culturais, Fernando desenvolveu uma trajetória muito mais ligada à administração patrimonial e empresarial.
Isso não significa que tenha permanecido distante da cultura. Na realidade, sua carreira combinaria justamente esses dois universos: negócios e literatura.
Fernando participou durante décadas da estrutura de governança do Unibanco. Registros societários indicam que ele ocupou a vice-presidência do Conselho de Administração do Unibanco entre 1976 e 1988.
Seu irmão Pedro, posteriormente assumiria uma atuação executiva muito mais direta no banco.
Pedro tornou-se membro do Conselho do Unibanco em 1989, presidente do Conselho em 1997 e CEO da instituição em 2004.
Fernando, por outro lado, construiu uma atuação mais diversificada entre os diferentes ativos familiares. Essa diferença é importante.
Quando se fala nos irmãos Moreira Salles, é comum atribuir a todos exatamente a mesma trajetória profissional. Não foi bem assim.
O Unibanco foi resultado de décadas de expansão e consolidação. A Casa Moreira Salles, criada em 1924, gradualmente aumentou sua atuação financeira.
Sob a liderança de Walther Moreira Salles, a instituição ampliou sua presença para além de Minas Gerais. Fusões e aquisições foram fundamentais nesse processo.
Ao longo das décadas, o banco aumentou sua presença no mercado brasileiro e diversificou os serviços oferecidos. O resultado foi a construção de uma das maiores instituições financeiras privadas do país.
Na década de 2000, entretanto, o mercado bancário brasileiro passava por um intenso processo de consolidação.
Escala, tecnologia, capacidade de investimento e diversificação se tornavam cada vez mais importantes.
Foi nesse contexto que surgiu uma das operações mais importantes da história empresarial da família.
Em 3 de novembro de 2008, Itaú e Unibanco anunciaram a união de suas operações. O momento era particularmente marcante.
O mundo enfrentava a crise financeira internacional desencadeada naquele ano, com enormes instituições estrangeiras enfrentando dificuldades.
Enquanto isso, no Brasil, duas das maiores instituições financeiras privadas decidiram combinar seus negócios.
O próprio banco descreve a operação como a maior fusão da história do setor bancário brasileiro.
A associação reuniu também duas estruturas familiares históricas:
A estrutura criada permitiu que os grupos participassem conjuntamente do controle da instituição.
Para Fernando, a fusão transformou a natureza de seu patrimônio. Em vez de estar relacionado apenas ao antigo Unibanco, parte significativa da riqueza familiar passou a estar associada a uma instituição financeira ainda maior.
A segunda grande fonte da riqueza da família Moreira Salles é a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração — CBMM.
Fundada em 1955, a companhia possui operações em Araxá, Minas Gerais. O seu principal negócio é o desenvolvimento e comercialização de produtos e tecnologias relacionados ao nióbio.
A empresa possui presença global e atende centenas de clientes em dezenas de países. A própria CBMM se apresenta como líder mundial na produção e comercialização de produtos de nióbio.
O mineral possui aplicações importantes em diferentes setores. Pequenas quantidades de nióbio adicionadas a determinados materiais podem melhorar características como:
Por isso, tecnologias envolvendo nióbio podem aparecer em aplicações relacionadas a:
A relevância internacional da CBMM transformou a empresa em outro ativo fundamental do patrimônio dos Moreira Salles.
A Brasil Warrant é uma holding ligada aos investimentos da família Moreira Salles.
Sua importância aparece inclusive na estrutura da CBMM, na qual uma parcela da participação familiar é mantida através da BW.
Fernando possui uma longa relação com essa estrutura. Registros societários históricos apontam que ele ocupa posições de liderança na Brasil Warrant desde a década de 1980.
A holding também participa de outros investimentos e um exemplo recente ajuda a demonstrar a capacidade de investimento da estrutura familiar.
Em 2025, a Brasil Warrant ampliou significativamente sua participação na Verallia, grupo internacional especializado em embalagens de vidro.
Em 2026, a própria Verallia indicava a Brasil Warrant Administração de Bens e Empresas com 77,29% de seu capital.
Isso demonstra que o patrimônio da família continua sendo utilizado para construir posições empresariais muito além dos ativos históricos de banco e mineração.
Sim. Esse é um dos aspectos que tornam sua trajetória diferente daquela de muitos outros bilionários brasileiros.
A editora foi fundada em 1986 por Luiz Schwarcz e Lilia Moritz Schwarcz. Pouco tempo depois, Fernando tornou-se sócio.
Em 1988, uma empresa ligada ao Grupo Moreira Salles adquiriu 33% da Companhia das Letras, dando início a uma parceria de longa duração.
Fernando não atuou apenas como investidor passivo, já que sempre esteve próximo das decisões editoriais da companhia.
A sociedade terminou em 2018. Naquele ano, a Penguin Random House ampliou sua participação de 45% para 70% e assumiu o controle da Companhia das Letras. A família Moreira Salles, que detinha 18,5% do capital, deixou o negócio, segundo informações publicadas pelo Valor Econômico.
Fernando Moreira Salles é escritor?
Sim. Além de empresário e investidor, Fernando Moreira Salles também possui produção literária. A própria Companhia das Letras registra que ele foi:
Entre seus trabalhos aparecem peças como “Eu me lembro”, de 1995, e “Entrevista”, de 1998.
Essa dimensão cultural ajuda a diferenciar sua trajetória da de Pedro, irmão mais associado à gestão financeira, embora a família como um todo possua uma relação histórica muito forte com cultura, cinema, fotografia e literatura.
Fernando também esteve diretamente envolvido com o Instituto Moreira Salles (IMS).
Criado pela família, o IMS tornou-se uma das instituições culturais privadas mais conhecidas do Brasil, atuando em áreas como fotografia, música, literatura e iconografia.
Registros de sua trajetória profissional indicam que Fernando integrou o conselho da instituição e exerceu a presidência entre 2001 e 2008.
A atuação ajuda a mostrar como os Moreira Salles desenvolveram duas linhas paralelas ao longo das últimas décadas.
Fernando participou dos dois universos.
A família possui quatro irmãos bilionários, mas com carreiras bastante distintas.
Pedro Moreira Salles
Pedro Moreira Salles é o irmão mais ligado ao setor bancário. Ele foi CEO do Unibanco, participou da associação com o Itaú e atualmente é copresidente não executivo do Conselho de Administração do Itaú Unibanco.
Em 2026, sua fortuna é estimada pela Forbes em R$ 46,6 bilhões, colocando-o na 6ª posição entre os maiores bilionários brasileiros.
Walter Salles
Walther Moreira Salles Júnior, conhecido profissionalmente como Walter Salles, seguiu uma carreira completamente diferente. Tornou-se um dos cineastas brasileiros de maior reconhecimento internacional.
Entre seus trabalhos estão filmes como Central do Brasil, Diários de Motocicleta e Ainda Estou Aqui.
Apesar da carreira artística, Walter também possui patrimônio bilionário associado aos negócios familiares.
João Moreira Salles
João Moreira Salles tornou-se documentarista, escritor e editor. Ele é conhecido por documentários, pela atuação no jornalismo e no setor cultural.
Assim como Walter, sua presença operacional nos negócios financeiros é menor do que a de Fernando e Pedro, embora continue relacionado ao patrimônio familiar.
Sim. Segundo a Forbes Brasil, houve um crescimento de R$ 10,1 bilhões, o que representa pouco mais de 25% em termos percentuais.
Isso não significa necessariamente que Fernando recebeu R$ 10,1 bilhões em dinheiro durante o período.
Variações patrimoniais em rankings de bilionários podem refletir:
Essa diferença é especialmente importante quando se analisam bilionários cuja riqueza está concentrada em ativos empresariais.
Como participante indireto da estrutura de controle, Fernando está economicamente exposto aos resultados do Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4) por meio de holdings, sobretudo a Companhia E. Johnston de Participações, da qual detém metade do capital.
Entretanto, não é correto simplesmente multiplicar sua participação indireta pelo dividendo por ação de ITUB3 ou ITUB4 e afirmar que esse valor entra diretamente em sua conta pessoal.
A estrutura envolve diferentes pessoas jurídicas. Os recursos podem ser recebidos pelas holdings, distribuídos, reinvestidos ou utilizados de outras maneiras conforme decisões societárias e regras aplicáveis.
Quem possui diretamente ações ITUB3 ou ITUB4 pode receber proventos declarados pelo Itaú Unibanco de acordo com sua posição acionária e as regras de cada distribuição.
Já a participação da família controladora envolve uma estrutura societária mais complexa.
O Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4) é um dos maiores grupos financeiros do Brasil e representa a continuação de uma história bancária familiar iniciada há mais de um século.
Em 2024, a instituição celebrou 100 anos considerando como marco inicial a Casa Moreira Salles de 1924.
Isso cria uma característica incomum. A família Moreira Salles conseguiu atravessar diferentes etapas:
Cada etapa envolveu aumento significativo de escala. O que começou como um negócio ligado ao café no interior de Minas Gerais tornou-se parte de uma das maiores instituições financeiras privadas da América Latina.
A manutenção de participação relevante ao longo dessas transformações explica uma parcela importante da riqueza atual de Fernando e seus irmãos.
Fernando Roberto Moreira Salles é um dos integrantes de maior destaque de uma das famílias empresariais mais tradicionais do Brasil.
Aos 80 anos, ele possui uma fortuna estimada em R$ 50,3 bilhões, segundo a Forbes Brasil, ocupando a 5ª posição entre os maiores bilionários brasileiros em 2026.
Embora parte importante desse patrimônio tenha origem nos negócios construídos pelas gerações anteriores da família Moreira Salles, sua trajetória também foi marcada por décadas de participação na administração e na governança dos ativos familiares.
Fernando esteve ligado ao Unibanco, à CBMM, à Brasil Warrant e, indiretamente, ao atual Itaú Unibanco (ITUB3/ITUB4). Ao mesmo tempo, construiu uma trajetória particular no universo cultural, com participação na Companhia das Letras, atuação no Instituto Moreira Salles e trabalhos como escritor, dramaturgo e poeta.
Sua fortuna atual pode ser compreendida principalmente a partir de dois grandes pilares: finanças e mineração.
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Publicado em 05/08/2026
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Publicado em 10/08/2026
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