Midterms nos EUA: Eleições podem mexer com dólar e juros no Brasil?

As eleições são consideradas estratégicas para os próximos dois anos de governo.

Publicado em 02/11/2026 às 09:10h Publicado em 02/11/2026 às 09:10h por Elanny Vlaxio
As eleições acontecem nesta terça-feira (3) (Imagem: Shutterstock)
As eleições acontecem nesta terça-feira (3) (Imagem: Shutterstock)
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, acontecem nesta terça-feira (3) e podem influenciar o dólar, os juros e os investimentos no Brasil. 
Embora não definam quem ocupará a Casa Branca, as eleições são consideradas estratégicas para os próximos dois anos de governo. A votação determinará a composição do Legislativo americano e o espaço que Trump terá para avançar com sua agenda econômica e política.

O que são as midterms e o que está em jogo?

As eleições de meio de mandato ocorrem a cada dois anos, sempre no intervalo entre as disputas presidenciais. Em 2026, os americanos irão às urnas para renovar todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.
Além das disputas federais, os eleitores também escolherão representantes para cargos estaduais e locais, conforme as regras de cada região. O sistema eleitoral americano é descentralizado, com procedimentos que variam entre os estados, incluindo regras para registro, votação antecipada e voto por correspondência.
A votação não altera diretamente a Presidência, mas pode modificar o equilíbrio de forças no Congresso. Caso os democratas conquistem uma ou ambas as Casas, Trump terá menos espaço para aprovar projetos relacionados a gastos, impostos e outras medidas legislativas.

Como as eleições americanas podem afetar o dólar no Brasil?

A transmissão dos efeitos das midterms para o mercado brasileiro passa principalmente pelos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, pela cotação do dólar e pelo fluxo internacional de investimentos.
Quando os juros dos títulos dos Estados Unidos sobem, aplicações no mercado americano podem se tornar mais atrativas em comparação com ativos de países emergentes. Nesse cenário, investidores podem direcionar recursos para os EUA, reduzindo a entrada de capital em mercados como o brasileiro.
A movimentação tende a pressionar o dólar para cima frente ao real e pode provocar aumento dos juros futuros no Brasil, influenciando as expectativas para a taxa Selic e o custo do crédito. Por outro lado, uma redução das pressões sobre os juros americanos pode favorecer a busca por ativos de maior risco, incluindo ações e títulos de países emergentes.
Especialistas avaliam que uma vitória democrata nas duas Casas poderia reduzir a perspectiva de novas medidas expansionistas de Trump, diminuindo parte da pressão sobre os rendimentos dos títulos americanos. Nesse caso, o ambiente poderia favorecer a entrada de recursos no Brasil, fortalecer o real e aliviar os juros futuros.
O efeito, porém, depende de outros fatores, como inflação, política monetária americana e cenário geopolítico.