🚨 O senador
Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, negou nesta sexta-feira (9) que pretenda privatizar a
Petrobras (PETR4) e outras empresas estatais caso seja eleito.
Segundo ele, os rumores fazem parte de uma ofensiva de boatos contra sua candidatura, com o objetivo de reverter a vantagem conquistada no primeiro turno.
"Isso é uma boataria, é uma boataria atrás da outra", afirmou o candidato a jornalistas, na chegada a um encontro com apoiadores e empresários na zona sudoeste do Rio de Janeiro.
O tema ganhou peso na reta final da campanha. Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição. As primeiras pesquisas divulgadas após a votação de domingo mostram o senador ainda à frente do petista, a duas semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Candidato evita responder sobre mudança no comando da estatal
Questionado sobre a possibilidade de trocar a direção da Petrobras em um eventual governo, Flávio preferiu não entrar em detalhes. Segundo ele, antes de pensar no comando da companhia, é preciso mudar o presidente da República.
A cautela tem relação com o histórico recente da estatal. Durante o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a Petrobras vendeu diversos ativos, como refinarias, em um movimento que parte dos críticos interpretou como uma tentativa de enfraquecer a companhia para abrir caminho a uma futura privatização.
O assunto também já havia aparecido na campanha por outros caminhos. Em evento recente, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e integrante da campanha do senador, afirmou que mais de 20 estatais poderiam entrar na mira de privatização em um eventual governo, sem incluir a Petrobras nessa lista.
A negativa ocorre no mesmo momento em que a Justiça Eleitoral analisa conteúdos sobre o tema. Na quinta-feira (8), o ministro André Mendonça, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), determinou a
retirada de vídeos publicados pelos deputados André Janones (Rede) e Lindbergh Farias (PT) que atribuíam ao senador, entre outras propostas, a privatização da Petrobras. Na decisão, o ministro afirmou não ter encontrado sustentação mínima para apresentar essa medida como parte do programa de governo de Flávio.
Flávio acusa governo de armar "bomba" no preço do diesel
Durante a conversa com jornalistas, Flávio também direcionou críticas à política de combustíveis do atual governo. Na avaliação do candidato, os
programas de subsídio, subvenção e desoneração adotados pelo Planalto criam um risco para os consumidores após o fim da eleição.
"O atual governo, muita gente não percebeu ainda, qual é a outra bomba que ele vai jogar no consumidor, quem usa moto, carros e caminhoneiros. O Lula pela Petrobras deu um subsídio de 2 reais no preço do diesel. Ele acaba no dia seguinte à eleição. É isso que esse governo irresponsável está fazendo", declarou.
A crítica veio no mesmo dia em que o governo anunciou a ampliação, por mais 30 dias, das medidas de apoio aos preços de diesel, gasolina e etanol. Segundo a equipe econômica, as iniciativas são necessárias para reduzir os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o
petróleo e seus derivados.
📊 Em entrevista coletiva em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que a prorrogação tenha relação com o calendário eleitoral e argumentou que os preços internacionais do petróleo continuam pressionados pelo conflito. No início da tarde desta sexta, o Brent era negociado perto de US$ 104 o barril, bem acima dos cerca de US$ 70 registrados antes do início da guerra.