Em ato na Paulista, Lula ataca TSE e agita militantes por votos de abstenção

O petista mira os 33 milhões de brasileiros aptos a votar, mas que não compareceram ao 1º turno das Eleições 2026.

Publicado em 11/10/2026 às 16:36h Publicado em 11/10/2026 às 16:36h por Lucas Simões
Lula criticou o TSE pela suspensão do "Exército do Lula" no WhatsApp (Imagem: Reprodução/Youtube)
Lula criticou o TSE pela suspensão do "Exército do Lula" no WhatsApp (Imagem: Reprodução/Youtube)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, cumpriu agenda política neste domingo (11) em plena Avenida Paulista, com a presença de milhares de militantes. Na ocasião, o petista criticou a postura do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em acatar o pedido de suspensão contra o "Exército do Lula", um grupo de WhatsApp em seu apoio que já reunia quase 2 milhões de seguidores.
“Estou desconfiado do comportamento da Corte eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa e permitido que as ações deles continuem sendo executadas”, afirmou o pestista. Também acrescentou que não aceitará o que considera uma interferência indevida da Justiça Eleitoral na disputa presidencial.
Mais cedo, o ministro Kássio Nunes Marques, que atualmente preside o TSE e foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro à mais alta cúpula do Poder Judiciário, acolheu a denúncia da campanha do candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL/Rio de Janeiro), que acusa o tal canal digital criado pelo parlamentar André Janones (Rede/Minas Gerais) em apoio a Lula de distribuir missões para que os participantes do grupo disseminassem conteúdos “desinformativos e ofensivos”.
Lula também aproveitou o palanque eleitoral, bem na altura do Masp (Museu de Arte de São Paulo), para agitar seus apoiadores e convencer o voto de quem sequer compareceu às urnas durante o 1º turno das Eleições 2026. Diante do público que ocupava diversas quadras da Avenida Paulista e cercado por aliados, como seu vice-presidente Geraldo Alckmin, Elmano de Freitas (governador eleito do Ceará), Jerônimo Rodrigues (governador eleito da Bahia) e Rafael Fonteles (governador eleito do Piauí), o petista discursou: 
“Nós tivemos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar. Muita gente que tem acima de 70 anos não foi votar porque a lei não exige que vote. Entre abstenção e pessoas que não foram votar, são 30 milhões. Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas que acham que não têm mais direito de votar. Porque, se essa pessoa não quer votar por ela, tem filho, tem filha, tem neto, tem bisnetos e tem a pátria dela para cuidar. Portanto, temos que convencer as pessoas”, disse Lula aos milhares que o acompanhavam no Ato da Avenida Paulista, que teve início às 11h (horário de Brasília). 
O petista relembrou a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de seu atual adversário no 2º turno convocado no próximo dia 25 de outubro, alegando que as dificuldades em seu atual terceiro mandato se devem ao fato de que 'construir é mais difícil do que destruir'. 
“Vocês sabem que construir qualquer coisa é muito difícil, mas destruir é simples. Vocês sabem o que a família bolsonarista fez nesse país. Vocês sabem o que é um presidente rir de pessoas que estavam morrendo asfixiadas. Vocês viram quantos milhões de pessoas foram enterradas em sacos pretos sem poder se despedir da sua família, porque tivemos um presidente irresponsável, que duvidou da ciência, que não acreditou na medicina”, afirmou o candidato à reeleição. 

Escala 6x1

Lula se dirigiu à imprensa antes mesmo do ato na Avenida Paulista, dando destaque à votação do fim da escala de trabalho 6 por 1, que deve ir ao plenário do Senado Federal na próxima quarta-feira.
O petista desafiou seus opositores no Congresso Nacional, se eles também irão contra a pauta trabalhista, ocasião em que o próprio senador Flávio Bolsonaro terá que se posicionar sobre o tema. 
“Já está conversado com o Alcolumbre [presidente do Senado]. Já está marcada a data da votação. Portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é o seguinte: demonstrar se vão ter coragem de votar contra ou a favor. Eles vão ter só isso. O que eles não podem é tentar protelar para enganar o povo depois das eleições. É agora. Agora é a hora da verdade”, declarou Lula.