Renda fixa toma 1º duro golpe em 2026 e alerta vem de crédito privado

Investidor se arrisca a receber juros compostos maiores ao ter CRAs, CRIs e debêntures incentivadas.

Publicado em 13/05/2026 às 16:04h Publicado em 13/05/2026 às 16:04h por Lucas Simões
Emprestar dinheiro diretamente às empresas costuma pagar mais na renda fixa (Imagem: Shutterstock)
Emprestar dinheiro diretamente às empresas costuma pagar mais na renda fixa (Imagem: Shutterstock)
Em tempos de taxa Selic nas alturas, os títulos de renda fixa acabaram por sustentar a procura por fundos de investimento, modalidade em que o investidor coloca o seu dinheiro nas mãos de um gestor profissional. Todavia, os fundos de renda fixa começaram a dar para trás em 2026. 
A classe dos fundos de renda fixa apresentou captação líquida negativa de R$ 19,3 bilhões em abril de 2026, conforme dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) nesta semana. 
Ou seja, os investidores estão sacando mais dinheiro dos fundos de renda fixa do que realizando novos aportes, e essa tendência tem uma explicação evidente: o risco elevado dos títulos de crédito privado, investimentos como CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e debêntures incentivadas
“A cautela do investidor em relação ao crédito privado continuou em abril e isso pode ter se refletido nos fundos. Como a renda fixa vem de um trimestre muito forte, é natural acontecer algum ajuste no curto prazo. Vamos monitorar para avaliar se esse foi um movimento pontual ou uma tendência”, afirma Pedro Rudge, diretor da Anbima. A média de rendimento da categoria foi de 1,07% ao mês.
Logo, a indústria de fundos de investimento em sua totalidade teve também captação líquida negativa de R$ 18,1 bilhões no mês passado, que não foi culpa apenas da baixa procura por renda fixa. Já que os fundos multimercados (aqueles que aplicam tanto em renda fixa quanto em renda variável) tiveram resgates líquidos de R$ 5,4 bilhões no período. 
Em contrapartida, os FIDCs (Fundos de Direitos Creditórios) abocanharam saldo positivo de R$ 4,5 bilhões em abril de 2026, evidenciando que certa parcela da renda fixa ainda soube aproveitar o ambiente de juros elevados, apesar do ambiente do corporativo de recuperações judiciais. 
Na sequência, os ETFs (Fundos de Índices) somaram R$ 4 bilhões, reforçando o crescente interesse dos investidores por produtos passivos. Também ficaram no positivo os fundos de ações brasileiras, que registraram R$ 187,3 milhões de captação líquida, evidenciando a retomada do apetite por ativos de risco.